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Meio Ambiente

  Quando você estiver lendo esta coluna, provavelmente já saberemos quem serão o novo prefeito e os novos vereadores. Nos próximos quatro anos, eles terão como tarefa levantar as prioridades do município e criar políticas públicas que equacionem nossos principais problemas. O mais grave é, sem dúvida, o do saneamento básico.

Quando se fala em saneamento básico, quase de imediato se associa o serviço (e a falta dele) à Sabesp. Ninguém questiona a inoperância do modelo adotado pela empresa em relação ao escoamento de dejetos. A Sabesp livra-se deles poluindo os corpos d´água do município – e colocando em risco a saúde de todos nós.

Essa prática, porém, não é exclusiva da Sabesp (cuja campanha na mídia, ressalte-se, é de uma falsidade exemplar). Perto de cada um de nós há residências, escritórios e indústrias que despejam em rios e córregos a água servida e os excrementos que produzem. É evidente que, se contássemos com uma rede de coleta e tratamento de esgoto, isso não aconteceria. Mas não se pode responsabilizar apenas a Sabesp. É preciso exigir providências do poder público.

Uma fiscalização eficiente em todo o município ajudaria muito. Programas de educação ambiental e higiene envolvendo estudantes e suas famílias são fundamentais. Mas há outra medida que o poder público pode tomar. Uma medida que exige pouco investimento fi nanceiro, que é de execução simples e capaz de gerar empregos: a construção de fossas sépticas e o uso de biodigestores.

Há outra vantagem nessas técnicas, além da óbvia destinação correta de dejetos. No caso das fossas, é possível reutilizar a água em banheiros, lavagem de calçadas, irrigação de jardins. No caso dos biodigestores, o gás produzido pela decomposição dos resíduos pode aquecer casas, ser usado em fogões e em geradores. As sobras podem servir como fertilizante. Mais ecológico, impossível: esgoto tratado, economia de água (faz bem à natureza e ao bolso), produção gratuita de gás metano, córregos saudáveis, lençol freático protegido e, sobretudo, seres humanos livres das doenças provocadas por esgoto a céu aberto.
 

Fossas Sépticas: Seu material e funcionamento são simples. Em geral, bastam a caixa gradeada, os tanques destinados à fossa e ao fi ltro anaeróbio, a caixa de distribuição e o sumidouro. Digerido por microorganismos anaeróbios (que vivem sem oxigênio), o material orgânico é dissolvido nos tanques e a água que chega ao sumidouro pode chegar a 90% de purificação. Isso é importante
porque de lá ela é absorvida pela terra e desce para o lençol freático. Outra opção é a reutilização da água. Nesse caso, em vez de se dirigir ao sumidouro, o líquido segue até um tanque aeróbio e recebe tratamento com água sanitária antes de ser distribuído para uma caixa d’água destinada a abastecer descargas, torneiras de quintais e de jardins.
 
 

O Biodigestor compõe-se de um recipiente onde é depositada a biomassa (água servida e todo tipo de material orgânico, incluindo lixo e excrementos de animais), e de um tanque grande e fechado (a câmara de fermentação). Os microorganismos anaeróbios digerem, na câmara, a biomassa, produzindo, no processo, o biogás, formado principalmente de metano e dióxido de carbono. Devidamente armazenado e canalizado, ele pode ser utilizado no fogão, no aquecimento de chuveiros e torneiras, em geradores. É uma alternativa excelente para áreas rurais e adensamentos urbanos, em especial vilas e favelas. Resolve o problema do esgoto, do lixo e ainda oferece à população gás e fertilizante gratuitos – este último, usado em hortas comunitárias, proporciona alimentação de baixo custo e alta qualidade.
Fica aí a sugestão ao novo prefeito e aos vereadores: a elaboração de políticas púbicas voltadas ao uso de biodigestores e fossas sépticas
para tratamento de esgoto e lixo orgânico.
 

Baby Siqueira Abrão, jornalista, autora e editora de livros, é formada em Filosofia
pela USP e pesquisadora nas áreas de Ciências e Ambientalismo, Ética e
Responsabilidade Social Corporativa.

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