Acolhimento:
você já pensou na importância desta prática?
A cada dia vemos o quanto a escola pode deixar marcas profundas em nossas crianças e adolescentes. A questão do acolhimento à diferença está no slogan da maioria delas. Mas até que ponto essa prática está efetivamente inserida na rotina escolar?
É comum ver salas divididas em grupos distintos, apelidos sendo adotados e utilizados em alto e bom som, e professores que entram e saem das salas como se nada vissem ou ouvissem.
Escolas e professores não podem se sentir responsáveis apenas pelo desenvolvimento intelectual de seus alunos. Estes precisam de mais: precisam ser “enxergados” por pessoas sensíveis e melhor preparadas, mais estudiosas e em contínua atualização, não só no campo da pedagogia, mas também em relação às questões do desenvolvimento infantil, da adolescência, enfim, do comportamento humano.
Rótulos são criados e distribuídos sem cerimônia, principalmente por professores — o que é bem engraçado, se pensarmos que estes deveriam ser responsáveis por praticar a inclusão e promover o respeito à diversidade em sala de aula.
Este é um grande desafio em muitos espaços escolares: sensibilizar e afinar a equipe de maneira a que olhe para seus alunos com desejo efetivo de acolhimento.
Mas, a indiferença ainda habita a sala de aula. Tem criança que passa despercebida — pouco se ouve a sua fala durante o ano todo. Sua participação e sua presença só são percebidas no momento da chamada.
Nas salas de aula costumam existir, também, os “eleitos”: aqueles que recebem maior atenção, os que tudo podem, os que estão sempre sentados perto do professor, os que são ouvidos e têm seus pedidos sempre atendidos.
Os espaços comuns, como parques, quadras e pátios, são locais especialmente propícios à promoção e ao exercício do acolhimento, no entanto não costumam ser compreendidos como tal. É comum ver professores transitando por esses espaços sem intervir ao ver uma criança isolada e sozinha, ou fingindo não ver uma briga. O ato de educar parece estar restrito ao solo sagrado da sala de aula, embora saibamos o quanto é saudável para os alunos se sentirem percebidos no espaço escolar como um todo.
O acolhimento deveria valer para todos: as escolas têm programas para receber seus alunos novos? Quem os monitora? De que forma são realizados? Como as famílias que escolhem a escola são acolhidas pela comunidade escolar? Como as crianças são apresentadas para seus colegas de classe? Novas redes de relacionamento, quando bem construídas, podem durar uma vida toda!
Quanto a novos professores, também precisam de um plano de acolhimento: não podem simplesmente entrar. É fundamental que compreendam os princípios institucionais, a proposta pedagógica e que sejam acolhidos pela equipe. Isso vale para todo colaborador que venha a compor o quadro da instituição.
As escolas devem investir na formação de sua equipe para que esta possa compreender a importância do acolhimento, da construção e da manutenção do grupo-classe em que atua e, mais do que isso, da comunidade escolar como um todo.
É preciso ponderar sempre que nossas crianças e adolescentes aprendem pelo exemplo. Assim, pais não-acolhedores e escolas que consideram isso um mero detalhe: não esperem que esta atitude “brote” de seus filhos e alunos, pois eles, muito provavelmente, não poderão desenvolver esta atitude.
Pais e escolas: atenção ao detalhe e às formas de tratamento que praticamos e que permitimos. Estas marcas, ainda que invisíveis, podem ser profundas e fazer um verdadeiro estrago! Sejamos responsáveis, assumamos nossa responsabilidade. Optemos pela prática do acolhimento para que possamos, de fato, colaborar com a educação de nossos filhos e alunos!
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