Público e Privado - Como nos comportamos?
Maíra de Freitas, odontóloga e especialista em Bioética, escreve sobre o comportamento humano ainda resistente no respeito aos bens públicos e as leis
Furar uma fila, jogar lixo nas ruas, gritar ao celular, danificar os orelhões, pichar muros, dirigir embriagado, desrespeitar as leis de trânsito, essas e muitas outras atitudes demonstram uma total falta de respeito ao coletivo, aquilo que é público e, portanto de todos. Por que será que ainda não conseguimos entender que em uma cidade tudo o que é publico é de também de cada um?
Se minha rua está suja, estarei prejudicada, se o orelhão não funciona poderei ter um grande problema se eu precisar dele, se estou em um lugar e alguém grita ao celular isso poderá comprometer meu sistema nervoso, minha concentração, se alguém dirige embriagado e não respeita as leis de trânsito posso morrer por causa da irresponsabilidade desta pessoa.
Por que ainda temos tanta resistência no respeito aos bens públicos e as leis? Penso que isso é uma questão muito séria e antiga que precisamos repensar.
Se leis existem elas visam primeiramente organizar uma sociedade e proteger os cidadãos. Porém, em nosso país a temos "lei de Gerson" tão arraigada em nossos padrões de comportamento que seguir as leis e respeitar o direito do outro é uma exceção.
Quando vemos políticos sendo corruptos nos indignamos e blasfemamos contra eles, com toda razão. Porém, quando furamos uma fila, ou damos um "jeitinho brasileiro" nos julgamos espertos de levar vantagem, não conseguimos entender que em menor escala estamos sendo corruptos também coniventes e solidários á corrupção.
Se quisermos que a política mude, que ruas sejam limpas, que o sistema de saúde funcione precisamos primeiro fazer nossa parte para podermos cobrar que outros façam a deles.
Podemos pensar em educação, nos exemplos que estamos passando aos nossos filhos. Outro dia em um super mercado eu vi um jovem pai estacionar em pai seu carro na vaga para o idoso. Porém o filho de uns 8 anos chamou a atenção do pai para aquele fato, que começou a rir de gozação falou ao filho; "se reclamarem alguma coisa eu falo que o idoso aqui é você". E juntos entraram rindo pra dentro do mercado.
Que tipo de cidadão é esse que passa um exemplo desses ao seu filho? E depois poderá reclamar de que se ele próprio desrespeita o coletivo como poderá exigir que seu filho respeite?
Dentro de nossa casa, ou seja no privado, agimos diferente, somos exigentes, não queremos bagunças, nem lixo espalhado pelo chão, não queremos que ninguém quebre nossos objetos, não queremos mentiras, não queremos trapaças, não queremos que gritem, queremos paz,queremos sossego, organização, respeito, mas, ao sairmos porta fora podemos quebrar todas estas regras e depois não entendemos porque estas mesmas regras não são cumpridas dentro de nossa casa.
Se começarmos a olhar nosso comportamento no público e no privado poderemos diagnosticar as nossas falhas e quem sabe podemos entender nossa cidade como extensão de nossa casa, e saber que tudo que prejudica um prejudica também a todos e tudo que beneficia alguém também estará me beneficiando.
Autor: Dra. Maíra de Freitas, Odontóloga e especialista em Bioética. Capacitadora na área de bioética. Co-autora do livro Bioética e Educação
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