Brincadeira sem graça
O psicólogo Andre Oliveira Silva escreve sobre bullying, prática que segundo ele é uma brincadeira que não tem graça
Expressão que nomeia todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e freqüentes, que ocorrem sem motivo evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outro(s), que além de causar dor e angustia, podem levar as vítimas a depressão e ao suicídio. Diferente de outras formas de violência o fenômeno (Bullying) é caracterizado pela intenção de fazer mal e a persistência dos atos. Entre suas conseqüências, pode-se perceber baixa auto-estima, passividade, sentimentos de insegurança, inferioridade, revolta, desejo de vingança, fobia, depressão, tentativa de suicídio e em alguns casos a consolidação suicida por parte das vítimas. Além das conseqüências mais imediatas, grande parte das pessoas que sofreram abusos físicos e psicológicos na infância poderá utilizar na vida adulta essas práticas na educação de seus filhos, acreditando ser esse o procedimento mais adequado.
Para o autor de bullying as conseqüências não são menos danosas. A perpetuação de suas atitudes agressivas, autoritárias e violentas dificultará a convivência em grupo, podendo ser sua maneira de viver também um problema na educação dos filhos, na vida afetiva e principalmente na vida psicológica
Quais os principais tipos de bullying?
O bullying se divide principalmente entre agressões físicas (bater, chutar, beliscar...) e psicológicas (apelidar, xingar, zoar, amedrontar, aterrorizar, intimidar, infernizar, chantagear, discriminar, ignorar, excluir, manipular, ameaçar. difamar, caluniar...).
Muitas crianças não dizem aos pais se estão sendo alvo de bullying, porque ficam com medo de que, de alguma forma, eles (os pais) venham culpá-las ou de que outras pessoas fiquem sabendo que elas “contaram” e, assim os agressores aumentem ainda mais as provocações. Contudo, os pais podem ficar atentos para certos indicadores suspeitos:
• Desculpas freqüentes para faltar às aulas;
• Pedir para mudar de sala ou escola sem motivos convincentes;
• Pedir com freqüência que os pais ou responsáveis levem-na a escola;
• Medo de voltar sozinha da escola;
• Mudar com freqüência o trajeto entre a casa e a escola;
• Queixas físicas vagas, tais como dores de cabeça ou de estômago, especialmente nos dias de aula;
• Regressar da escola repetidamente machucada, com roupas e/ou materiais escolares sujos ou danificados;
• Baixo rendimento escolar;
• Pesadelos constantes com pedidos de “socorro” ou “me deixe em paz”;
• Dificuldade de relacionar-se com outras pessoas que não seja da família.
ORIENTAÇÕES AOS PAIS
De agressores - Ajude os filhos a manifestarem as insatisfações sem agressão; observe atentamente o comportamento e os sentimentos expressos pela criança, sem críticas ou provocações. Não utilize de violência física ou verbal, pois violência gera violência e deve ser evitada como meio de prevenção e correção; mantenha a tranqüilidade. Converse, procurando compreender os motivos pelos quais age (que o leva a agir) dessa maneira. Não ignore a situação, contudo demonstre amor, mesmo não aprovando o seu comportamento; procure especialistas para saber o que pode ser feito para ajudar os filhos; entre em contato com a escola e peça ajuda.
De vítimas - Observe qualquer mudança no comportamento, por mais insignificante que lhe pareça; estimule para que fale sobre o seu dia-a-dia na escola, ouvindo atentamente, sem críticas ou julgamentos; lembre-se: o diálogo não se dá apenas por perguntas e respostas, mas é preciso criar um espaço emocional onde haja aceitação, para que se exponha com segurança; não culpe a criança pelo que está lhe acontecendo; transforme o seu lar num local de acolhimento e segurança, através da manifestação de afeto e apoio; ajude a criança a expressar-se com segurança e confiança, evitando orientá-la ao revide; valorize os aspectos positivos da criança e converse sobre suas dificuldades pessoais e escolares.
ORIENTAÇÃO GERAL AOS PAIS
Procure ajuda psicológica e de profissionais especializados no assunto - seja seu filho vítima ou autor de bullying - quando perceber que a situação é mais séria e está gerando sintomas freqüentes ou reações emocionais indesejáveis. Fechar os olhos para uma dessas situações pode não apenas comprometer a vida profissional, social e emocional do seu filho, mas de toda família.
Autor: Psicólogo Andre Oliveira Silva (CRP 06/93544). Graduado em Psicologia pela Universidade Nove de Julho de São Paulo. Especializado em Ludoterapia pelo Centro de Estudos Psicológicos Apreendhere. Membro do grupo de estudos “vínculos afetivos da contemporaneidade” sob a ótica psicanalítica.
Atendimento: Individual (adulto) em abordagem psicanalítica; Infantil em abordagem psicossocial; Palestras. andreoliveira.org
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