Cólicas além do período menstrual
O ginecologista Wagner Busato* escreve sobre a endometriose, quando as cólicas são mais que dores do período menstrual
Atire a primeira pedra a mulher que nunca teve cólica menstrual! Espinhas, dores, inchaço, prisão de ventre e as indesejáveis dores abdominais fazem parte do ritual de passagem da mulher para a fase adulta. Preparadas para conviver com os incômodos do período menstrual, muitas vezes, o sexo feminino não consegue identificar quando a dor é mais intensa do que parece ser.
Conhecida como a doença da Mulher Moderna, a Endometriose acontece quando a camada interna do útero - chamada de endométrio - é eliminada na menstruação para fora do útero. Geralmente, os pedaços do endométrio instalam nos órgãos reprodutores como tubas uterinas (trombas), vagina, ovário ou mesmo no próprio útero. O resultado são cólicas intensas, acúmulo de gases, sangramento excessivo, alterações intestinais e urinárias, dores durante as relações sexuais, na região do abdômen e nas costas. Quando diagnostica tardiamente, interfere no aparelho reprodutor feminino impedindo a mulher de ter filhos.
Não existe um trabalho populacional específico, mas a incidência da endometriose nas mulheres varia muito entre 8% e 25%. Antigamente era comum ouvir que a endometriose não tinha cura. Hoje a doença pode ser tratada com as técnicas da reprodução. Mais uma opção para mulher cuidar da saúde reprodutiva e decidir quando deseja ser mãe.
No último Congresso Brasileiro de Encometriose, realizado em setembro de 2009, descobriu a eficácia das técnicas de reprodução assistida no combate da endometriose. Constatou-se que muitas pacientes, que ficaram grávidas através do tratamento de reprodução assistida, depois que deram à luz estavam curadas da doença. Isso fez com que os ginecologistas mudassem a abordagem da doente que quer ter um filho, atendendo conforme o problema apresentado. Se a paciente com endometriose não sente dor e é infértil, recomenda engravidar antes de tratar a doença. Mas se a dor for a principal queixa, primeiro faz a cirurgia depois o tratamento de reprodução assistida.
O Brasil é um dos países que mais valoriza as queixas da paciente e indica a videolaparoscopia para o diagnóstico precoce da endometriose. Na Europa, desde o início do sintoma até o diagnóstico, a média é de oito anos. No Brasil, em três anos faz o diagnóstico precoce. Antigamente, as mulheres eram diagnosticadas quase no término da idade reprodutiva com sequelas graves ocasionadas por cirurgias radicais. Hoje, muitas jovens são diagnosticadas com doenças graves antes dos 35 anos de idade.
Ou seja, basta uma equipe multidisciplinar que atenda os três “b” da qualificação básica para atender a paciente com endometriose: bom diagnóstico, boa indicação cirúrgica e boa técnica de reprodução assistida.
Enfim, a dor menstrual da Mulher Moderna tem solução.
Autor: * Dr. Wagner Busato - Ginecologista e Diretor do Centro de Reprodução Humana de Santana em São Paulo. Médico credenciado do Programa Acesso
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