TENDÊNCIAS



por Adriana Yoshida

Próximo colunista
• Março - Celso Finkler

Como nascem as tendências

As semanas de moda sempre chamam a atenção para o que vem de novo na próxima temporada. Porque moda é um movimento cíclico de renovação. Não tem como abraçar o “novo” se ele não parecer desejável e irresistível. Os desfiles têm esse papel, de nos contar uma história, nos inspirar... Os estilistas vão buscar as referências em terras distantes, em culturas extintas, em um futuro imaginável, tudo serve como ponto de partida. Embora exista esse apelo criativo no desenvolvimento das coleções, muito do que se vê nas passarelas já foi feito em algum momento da história da moda. E, a menos que a fisiologia humana mude, uma calça vai ter sempre duas pernas. Desta forma, as novas possibilidades estão na maneira como você usa a moda. É aí que entra o stylist. O termo surgiu nos anos 90. Antes dele, só existiam produtores de moda, que se restringiam a pensar na combinação das peças em um look. O stylist é o parceiro do estilista que pensa na imagem da coleção. Ele traz um novo olhar para as peças que o estilista cria, propõe a maneira de apresentá-las ao público, o impacto que quer causar no desfile. É ele quem vai ajudar o estilista a contar sua história. Vai buscar as referências de cabelo e maquiagem que compõem o look. Vai pensar a luz que ajuda a trazer o clima da coleção, a música que melhor combina com o cenário... E, na sua principal função, vai propor uma silhueta nova para as peças que bastante gente já viu ou até já vestiu. E o resultado é que, a cada temporada, além de nos serem apresentadas as cores, as estampas e a modelagem que vêm por aí, também descobrimos um novo jeito de usá-las.

Os acessórios são fundamentais no styling de um desfile. Faz muita diferença se a meia é fina e transparente ou se é três quartos. Se o cinto é fino para marcar a cintura ou se é grosso para pesar o visual e deixá-lo mais agressivo. Se pararmos para pensar, montamos nosso próprio styling todo dia de manhã. E isso é libertador. É você colocando seu toque pessoal, sua assinatura. Por isso, podemos olhar para as passarelas com menos frustração por não poder comprar os objetos do desejo. Podemos olhar os desfiles e encontrar – além de modelos magras em que tudo cai bem – informação de moda: referências de como usar nossas próprias roupas. Tão importante quanto saber qual é a cor e a estampa que vão pegar no inverno.

O que pegou nas passarelas

O preto carregado: com muitas tachas e detalhes pesados.

Leggings: elas são práticas e todo mundo ama. A nova versão é a “wet legging”, feita com tecido brilhante e efeito molhado.

Destaque para os ombros. Ombreiras e mangas bufantes em evidência. Volumes nos ombros é a nova
moda.


Adriana Yoshida é editora criativa da Capricho há dois anos e foi editora de moda da mesma revista durante 8 anos. Fez comunicação social na Cásper e tem um blog sobre moda chamado Made in Paradise. O endereço é www.capricho.com.br/madeinparadise


Revista Circuito • Fevereiro 2010