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Carnaval


Tem Granjeiro no Sambódromo

Escola de Samba Pérola Negra homenageia Rolando Boldrin com um enredo que valoriza as coisas e as cores do Brasil

Ele tem um jeito manso e a fala calma, principalmente quando relembra um “causo” ou quando canta, em verso e prosa, as riquezas do Brasil. Rolando Boldrin é ator, cantor, toca viola, conta histórias e escreve poemas, um artista que já comoveu milhares de pessoas em todo o país. E que agora está prestes a colocar milhares de pessoas para sambar, em pleno Anhembi. Boldrin é o homenageado da Escola de Samba Pérola Negra, que neste Carnaval 2010 vai sair da Vila Madalena e levar à Avenida o enredo “Vamos Tirar o Brasil da Gaveta”, inspirado no projeto do interiorano nascido em São Joaquim da Barra (SP), e que como poucos defende a nossa cultura popular.

O enredo foi apresentado à “comunidade” justamente quando a escola comemorava seus 36 anos de existência. Fundada em 1974, ela é originária do Grêmio Recreativo Acadêmicos de Vila Madalena e de um bloco com o nome bastante curioso: Boca das Bruxas. Há duas versões que explicam o motivo do nome Pérola Negra. A histórica diz que a escola foi assim batizada por ser a pérola em questão muito rara, o que faria do grupo “a jóia rara do samba”. Porém, a versão mais popular, e que alimenta as melhores conversas nos bares da Vila Madalena, dá conta de que o nome foi surrupiado de uma cerveja. Seja como for, a história da escola está ligada à cultura popular brasileira desde que foi criada, pois naquele ano levou para a avenida o enredo “Piolim, Alegria Circo História”, e conquistou o primeiro lugar no Grupo III. Após duas vitórias consecutivas, em 1976 ela chega à elite do Carnaval paulistano, o Grupo Especial, onde permaneceu por cinco anos ininterruptamente. Desde então, foram sete participações no desfile principal. Neste ano ela se mantém na elite, entra na passarela no segundo dia de desfiles, já em plena madrugada de domingo (14).

A Pérola Negra vai sambar para mostrar ao público que não se pode esquecer das nossas raízes e nem desmerecer nossa cultura. “O brasileiro tem mania de achar que somente o que é bom vem de fora, deixando o que é autenticamente brasileiro no esquecimento, ou seja, dentro da gaveta. Vamos resgatar tudo isso valorizando e mostrando a nossa cultura popular e verdadeira, e ainda, homenagear Rolando Boldrin que em seus programas sempre deu espaço para a cultura do nosso povo”, afirma André Machado, o carnavalesco responsável por colocar no Sambódromo os 3.500 integrantes da escola, todos com o samba na ponta da língua. A música tem as suas peculiaridades. A letra foi escrita na primeira pessoa do singular, para dar a impressão de que é o próprio Boldrin quem narra sua história. O samba exalta as coisas do campo, singelas e valiosas, como o canto dos pássaros, cheiro de café, lenha e mato. Passa pela despedida do jovem interiorano da sua São Joaquim da Barra (SP) ao tentar a sorte na capital; a luta por um espaço no meio artístico e a ampliação dos horizontes culturais, com “Chorosas violas, pandeiros malandros, sanfonas faceiras/ Canções de flechas envenenadas com destino certo: um coração gigante”.

Uma das celebridades que vai cantar a plenos pulmões e vibrar com a homenagem a Boldrin é a ginasta Daiane dos Santos, que é a Rainha do Enredo de 2010. Para o carnavalesco André Machado, nada mais perfeito do que a “pérola negra do esporte nacional” represente a Pérola Negra da Vila Madá. Os detalhes da participação de Daiane o carnavalesco não revela, e guarda para a avenida a surpresa de todo o universo da cultura popular brasileira que vai empolgar o Anhembi. Demos uma espiadinha em uma das alas mais famosas da escola, a Ala Amigos do Seu Zé, que vai sair com a fantasia “Boy e Formiga”, que lembra a dupla formada por Boldrin (Boy) e o irmão, Leili Boldrin (Formiga), em 1948. Aos 12 anos de idade, o futuro ator se apresentava com o irmão em programas de rádio e chegou até mesmo a ser convidado para tocar em palcos de cinema, mas exigia que o filme em exibição fosse brasileiro, uma mostra da vocação dele em cantar as coisas do Brasil.

Samba-enredo “Vamos Tirar o Brasil da Gaveta”
Composição: Carlinhos, Mydras, Bola, Michel e Regianno

O céu clareou, Á vila chegou
Pérola negra me abraçou
Ah, sou brasileiro com orgulho e muito amor
Abro a gaveta e vou mostrar o meu valor.

O sabiá cantou na aurora, trilha sonora
Neste cenário, sou canário cantador
Doce regato, cheiro de mato
Brasileira essência do interior
E assim eu vou, bordando a história desse meu país
Em cada canto uma raiz
Tantos causos pra contar
Parti com a esperança de um sonhador
Meu caminhar meu pai abençoou... Fé! Estrela guia
Cidade grande faz valer meu dia a dia

O toque da viola transborda emoção
Puxa o fole sanfoneiro levanta a poeira do chão
Malandro sambista, no palco de artistas
Retrato em meu gigante coração

Linda colcha de retalhos colorida
Jóia rara é a cultura nacional
De um povo festeiro, de sangue guerreiro e original
Bandeira a tremular, mareja meu olhar
Repleto de paixão sou filho desse chão
Sentimento popular, Salve a seleção
No morro, no asfalto ou na favela
São cenas da minha vida nessa tela
Bom dia Brasil, É CARNAVAL
“ROLANDO” NUM DOMINGO ESPECIAL

O céu clareou, Á vila chegou
Pérola negra me abraçou
Ah, sou brasileiro com orgulho e muito amor
Abro a gaveta e vou mostrar o meu valor

Clique AQUI para ouvir enredo da Escola Perola Negra.

 

 

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