Quanto vale um médico?
A médica pediatra Zirva Pereira escreve sobre o atendimento médico público
A partir da Constituição Federal de 1988 foi criado o SUS (sistema único de saúde) com a intenção de dar a todos os brasileiros direitos ao atendimento à saúde. Desde a sua criação não tem sido fácil atender à enorme demanda em um país tão grande. O cumprimento dos princípios que garantem o acesso integral, universal e igualitário é um grande desafio do médico.
Na porta de entrada do sistema o profissional médico, assim como todos os profissionais da saúde, sofrem com os baixos salários, péssimas condições de trabalho e desvalorização profissional. Boa parte destes médicos é obrigada a aceitar situações de precariedade no local de atuação.
Sob o pretexto de garantir o atendimento exigido pelo SUS, Santas Casas e Hospitais, o poder público contrata médicos sem nenhum vínculo ou direito, alegando que os repasses do governo não são suficientes.
O estado esquece que fazemos parte de uma atividade essencial a vida humana. Não somos valorizados por isso. É do médico que tudo se cobra, mas pouco se oferece. Entre os principais motivos para esse caos, está a falta de recursos para financiar a saúde do país. É uma situação que afeta não só o profissional mas a população, que não consegue o atendimento digno que necessita.
Na prática os profissionais da saúde precisam lidar com a sobre carga de trabalho. Os médicos sempre se submeteram a tal imposição por entender que mesmo com falta de remuneração prestar o atendimento faz parte de sua função social. No entanto já é hora que o estado ofereça a contra-partida para esta dedicação.
Precisamos mudar imediatamente esse panorama. O médico deve ter seu trabalho reconhecido. É necessário que a sociedade nos apóie. Quem cuida da saúde somos nós, com nosso trabalho, dedicação e conhecimento. Amamos o que fazemos, mas exigimos respeito dos nossos políticos e patrões.
Autora: Dra. Zirva é médica pediatra da rede pública a mais de 25 anos, atuando em Cotia e Ibiúna
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