Quem fica parado é poste

Por aqui, em Cotia, não tem essa de sedentarismo e a garotada até se movimento movimenta bastante. Confira alguns exemplos e inspire-se para começar, ao menos, uma caminhada

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Dados de uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que fez parte do estudo Pnad 2015: Prática de Esporte e Atividade Física apontou que jovens e adultos com 15 anos ou mais de idade que não praticavam nenhum tipo de esporte ou atividade física somavam 100,5 milhões em 2015. O número equivale a 62,1% da população de 161,8 milhões de brasileiros nessa faixa etária.

Mas há esperança para o esporte, pois o mesmo estudo apontou que a prática é mais frequente na faixa de idade entre 15 e 17 anos, em que mais de 50% dos entrevistados responderam ter praticado algum esporte ou atividade física no período de 365 dias de referência (setembro de 2014 a setembro de 2015), enquanto na faixa etária de 60 anos ou mais esse percentual era de mais de 27%.

“Entre os jovens de 15 a 17 anos, por exemplo, é a falta de interesse que motiva o sedentarismo”, disse Leonardo Quaresma, analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.

O Governo quase fez um gol contra com um projeto que alterava o ensino médio, retirando educação física como componente curricular obrigatório, mas voltou atrás e inseriu a prática de atividades físicas às aulas nas escolas.

Por aqui, em Cotia, não tem essa de sedentarismo e a garotada até se movimenta bastante. Confira alguns exemplos e inspire-se para começar, ao menos, uma caminhada.

Para fortalecer a amizade com o pai

Desde os cinco anos de idade, o aluno do Colégio Rio Branco, Arthur  Schenk Caruso, hoje com 16, adorava pedalar sua pequena bicicleta laranja por todos os lados. Quando o seu pai, Eduardo Caruso, migrou do triatlo para a mountain bike, há cerca de seis anos, o ciclista amador resolveu levar os treinos a sério.

Companheiros nos treinos, competições e viagens, pai e filho fortaleceram ainda mais a amizade entre eles.

Para potencializar o desempenho dos dois atletas, montaram uma pista da modalidade ciclística na propriedade do avô de Arthur.

Tanto desempenho direcionado aos treinos, segundo o atleta, tem rendido bons resultados nos últimos três anos, quando passou a participar de competições.

Na prova Ravellixtreme, realizada na Serra da Canastra, em Minas Gerais, o ciclista conquistou a quinta posição e deixou o seu pai ainda mais orgulhoso.

Porque ela pode

Com 1,73 de altura, aos 12 anos de idade, e muita habilidade, qual esporte você acha que Carol Deusa Dias Mariano, estudante do Colégio Samarah, pratica? Aos oito anos de idade ela precisava fazer algum tipo de atividade física, e sua mãe a colocou no basquete.

Chegou a fazer ballet, natação e jazz, mas não gostava muito. Um tempo depois, em um programa de iniciação esportiva, iniciou no basquete e adorou.

Mesmo com a pouca idade que tem, Carol pensa em uma carreira no esporte e até já participou de alguns jogos pela Federação Paulista de Basquete.

Quem sabe, futuramente, não veremos uma atleta com talento semelhante ao de Magic Paula, Janeth ou Erika, jogadoras que inspiram Carol?

Porque a nova opção vingou

Marcos Vinicios Januário dos Santos, 18, queria mesmo era jogar futebol na equipe da escola e participar do campeonato interescolar, só que como não tinha mais vagas no time, resolveu entrar para o grupo de vôlei só para se divertir.

O gosto pelo esporte fez Marcos querer estar cada vez mais inserido nas quadras e a sua rotina mudou totalmente, pois quando saía da escola, no fim das aulas, a primeira coisa que fazia era correr para casa, mudar o uniforme e ir para as quadras de vôlei treinar.

Hoje, depois de seis anos e diversas medalhas e troféus, o atleta defende a cidade de Cotia em competições estaduais, tendo como sonho se profissionalizar no esporte.

Para Marcos, a sua principal conquista foi a amizade dos companheiros dentro e fora de quadra.

Para as batalhas da vida

Para a jovem Miriã Vitória da Silva, 15, a vida é uma luta desde os seus nove anos de idade, quando perdeu a mãe. O trauma a levou ao psicólogo e a dor psicológica afetou a garota na escola.

O caminho de Miriã estava bem tortuoso até o dia em que, no meio do ano de 2017, a sensei Bárbara, conhecida de sua avó, sugeriu que ela fizesse uma aula experimental de karatê, estilo Shotokan, na academia Renbukan. Foi amor à primeira vista.

Nem o boxe ou o muay thai, também experimentado pela atleta, a desviaram da arte das “mãos vazias”, significado nipônico da palavra karatê.

Com o auxílio do sensei Francisco, além das medalhas de bronze no campeonato brasileiro, e prata e bronze no campeonato paulista, Miriã diz que uma de suas principais conquistas no esporte foi adquirir paz e equilíbrio.

Agora o novo desafio da atleta, que tem o sonho de se formar em Direito e se tornar juíza, é convencer a prima a aderir ao esporte, mas não qualquer um, ao karatê, claro!

 

Para praticar a solidariedade

Vitor Gomes Costa Santos, 16, estudante do Colégio Samarah e torcedor do Santos Futebol Clube joga futebol há tanto tempo que nem se recorda de quando foi a primeira vez que deu um chute em uma bola de futebol. É bem provável que quando deu os primeiros passos já tenha arriscado os primeiros chutes em alguma bola ganhada dos pais.

Admirador do jogador francês Mbappe, por causa do seu estilo de jogo e pela extroversão do atleta, Vitor também busca seu caminho para voos maiores no esporte e constantemente participa de testes em clubes de futebol, o último no Clube Náutico Marcílio Dias de Santa Catarina.

Infelizmente, o jogador foi dispensado desta peneira – como são chamados os testes em clubes de futebol – mas levou de lá uma lição muito bonita.

Outro atleta do clube tinha problemas familiares com dificuldade financeira, precisando de auxílio para chegar até o clube. Vitor e seu pai o ajudaram, e ele conseguiu passar na peneira e permanecer no time.

Gooooolll do Vitor, camisa 7.

 

Porque é muito radical

O estudante do Colégio Sidarta, Thiago Correia Lima Sestini, 15, pratica wakeboard desde 2012. Começou no esporte porque o avô comprou um ski e uma prancha de wakeboard. No início, tentou esquiar, mas não conseguia, então optou pelo wakeboard, onde se identificou mais.

A grande variedade de manobras que o esporte propicia e a possibilidade de sempre aprender algo novo inspiraram ainda mais Thiago a continuar no esporte.

Por ser um esporte radical, ele diz que um dos quesitos para o praticar é ter bastante coragem para fazer as manobras, e acaba levando isso para outras áreas da vida.

Porque ela quer se divertir

Carolina Bonfiglioli Lopes, 14, começou a treinar handebol na Escola da Vila porque achou interessante, queria saber as regras e fazer algum exercício.

Antes de praticar o handebol, nunca teve interesse por nenhum esporte, mas depois que as amigas disseram que era legal, decidiu jogar e acabou gostando.

Carolina diz que não pensa em um futuro no handebol. Até já ganhou algumas medalhas, mas a sua meta para o esporte é ganhar experiência e se divertir muito.

Para ela, as pessoas deviam praticar esporte porque, além de ser saudável, é divertido e um jeito de fazer novas amizades.

Para o corpo e a mente

O esporte é um fator que tem grande influência no bom desenvolvimento, não apenas físico, mas também mental, em crianças e adolescentes. Os estímulos motores, fortificação da musculatura, aumento da capacidade cardíaca, auxílio na resolução de problemas respiratórios, entre outras vantagens, aliadas aos fatores socialização e equilíbrio psicológico são pontos que tornam as atividades físicas tão essenciais na juventude.

“A prática de esportes ajuda não só na prevenção de doenças, mas ao praticar esportes nosso cérebro libera substâncias químicas que nos dão a sensação de prazer e bem-estar, reduzem o estresse e, consequentemente, a ansiedade, melhora a autoestima, traz benefícios no rendimento acadêmico, pois a prática de esportes contribui para a melhora da atenção e memória”, afirma Frida Leão Moura Brito, psicóloga, neuropsicóloga e psicopedagoga.

De acordo com Frida, outra coisa muito importante na prática esportiva é a melhora nas relações sociais e no humor de forma geral.

A psicóloga Teresa Vieira Gama concorda e acrescenta que a adolescência é uma fase de muitas mudanças biopsicossociais, sendo, geralmente, um período marcado por muita ansiedade, apreensões, agressividade, muitas dúvidas sobre si mesmo, episódios de depressão, com reflexos sobre a autoestima.

“Considerando essa turbulência natural da adolescência, o esporte pode ser de grande valia para liberar as tensões acumuladas, aliviar o estresse e diminuir a ansiedade. Estes aspectos estão relacionados àquilo que uma atividade física provoca no organismo, com a liberação de diversas substâncias químicas que contribuem para uma melhora do bem-estar, relaxamento das tensões, diminuição da ansiedade, melhora do humor e disposição”, declara Teresa.

A psicóloga e pedagoga Cintia Grecco da Silveira Baraúna lembra que os esportes praticados em grupo ainda desenvolvem o sentido de cooperação, respeito, olhar para o outro, união, saber trabalhar em equipe e o papel de cada um no jogo ou esporte em si.

“O ganhar e o perder e o lidar com as possíveis frustrações são um aprendizado maravilhoso que o esporte pode ensinar aos jovens, nesta fase em que terá de lidar com muitas frustações. Os esportes individuais, como lutas marciais, judô e karatê trabalham muito o equilíbrio emocional, primordial para a vida e para o bom desenvolvimento global do jovem”, diz.

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