Cotianas que fizeram do Muay Thai um estilo de vida

Jéssica Rodrigues, Caroline Moraes, Bianca Silva, Romilda Sarmento e Amanda Rossi disseram como conheceram a arte marcial, o que mudou depois do primeiro contato e tudo sobre preconceito e superação.

0
795

Uma luta que não só define o corpo, mas define, principalmente, o caráter. Foi no Muay Thai (Boxe Tailandês) que cinco mulheres de Cotia encontraram muito mais que um lazer ou uma forma de perder peso: fizeram da arte marcial um estilo de vida.

Em entrevista ao jornalista José Rossi Neto, Jéssica Rodrigues, Caroline Moraes, Bianca Silva, Romilda Sarmento e Amanda Rossi disseram como conheceram o esporte, o que mudou depois do primeiro contato e tudo sobre preconceito e superação.

Ambas treinam com o mestre Emmanuel Muralha, na academia Muralha Team, que fica na rua Monsenhor Ladeira, 485, no Parque Bahia, e na academia municipal de lutas, localizada na rua Prata, 349, no Jd Nomura.

“Comecei a lutar por condicionamento físico, para perder peso, mas depois acabei me apaixonando”, disse Jéssica, que treina há apenas um ano e já participou de três competições.

Para ela, o Muay Thai oferece muito mais que estética. Jéssica explica que, além do corpo, a luta mexe com a forma de enxergar o outro e também ajuda a colocar “para fora” os sentimentos ruins.

“Algumas pessoas escolhem a violência, a agressão, e o Muay Thai faz com que você liberte esses sentimentos, que muitas vezes estão enraizados”, conclui.

Todas disseram que o treino é bastante cansativo, mas que cada gota de suor faz compensar o empenho e a dedicação que tiveram.

“Eu me sinto melhor, revigorada, pós-treino. E com os treinos eu passei a sentir mais paixão por isso. De querer levar para a minha vida. Talvez porque nunca tenha me interessado tanto por algo assim”, esclareceu Amanda.

PRECONCEITO

Quando se fala em luta, no imaginário comum surge a frase: “isso é coisa para homem”. Talvez pelo fato de a força ser a principal essência nas artes marciais. No entanto, essas lutadoras provam que não é bem assim.

“Ao contrário da visão que todos tinham antigamente das mulheres frágeis, eu acredito que temos que mostrar que podemos ser o que quisermos, sem perder a nossa postura feminina”, explicou Caroline.

“Infelizmente, vivemos numa sociedade preconceituosa e isso bloqueia algumas vontades que nós, mulheres, temos. Porém, acredito que as coisas estão mudando e nós estamos ganhando cada vez mais espaço”, opina Romilda.

Essa evolução também é compartilhada por Bianca, que acredita que as mulheres são mais independentes nos dias de hoje.

As marcas roxas espalhadas pelo corpo são comuns em quem treina para competições. Mas essas marcas em mulheres podem ser vistas com outros olhos pela sociedade.

“Quando comecei a treinar para campeonato, conforme os treinos iam ficando mais intensos, mais o meu corpo ficava marcado. As pessoas diziam que parecia que eu tinha apanhado de homem, que eu era mulher de malandro, que aquilo era muito feio”, explica Jéssica.

BEM ESTAR

Mas hoje, todas entendem que, com ou sem preconceito, o mais importante é estar bem consigo mesmas.

“Hoje eu sou muito mais tranquila, consigo canalizar minhas emoções. Eu era muito estressada e briguenta. Hoje, toda minha raiva, desconto na luta”, diz Romilda.

“O Muay Thai mudou muitas coisas na minha vida. Hoje eu tenho mais disposição, mais saúde […] mudou meu corpo, minha alimentação e também o meu humor”, explica Bianca.

“Não importa o troféu ou o prêmio que você trouxe para casa. Importa é o que você treinou e o que conseguiu fazer. O Muay Thai me mostrou que eu posso ser o que eu quiser, independentemente do que falarem”, finalizou Jéssica.

Por José Rossi Neto