Dono de pizzaria que não gostava de pizza

No Dia da Pizza, conheça a história desta delícia e de Beltrão de Holanda. O dono de pizzaria não gostava de pizza, mas aprendeu a gostar: todos os dias, come pelo menos duas fatias.

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Beltrão de Holanda, sócio da Atobá Pizzaria, faz jus ao seu negócio e é um consumidor diário de pizza. Todos os dias come pelo menos duas fatias. Mas nem sempre essa relação com a pizza foi assim, amistosa e diária.

“Nunca curti pizza”, diz o empresário que sempre se esquivava da redonda nas reuniões de amigos e familiares e dava um jeito de comer outra coisa. O motivo? A massa mais querida dos paulistas não lhe caía bem no estômago na maioria das vezes.

Profissional do setor têxtil em que atendia as principais grifes nacionais e internais,   Beltrão se viu obrigado a buscar uma nova alternativa quando no início dos anos 90 a economia sofreu um abalo. E foi a partir daí que sua história com a pizza iniciaria um novo capítulo.

Depois de adquirir um antigo bar no km 39 da Raposo, onde hoje está sua pizzaria, e por considerar depois de pesquisas de mercado que este seria um segmento sempre em alta, afinal todo mundo ama pizza  – com exceção dele mesmo até então, decidiu que montaria uma pizzaria.

Mas ainda precisaria mudar sua relação com a que viria ser sua parceira por longas noites. Ele conta que passou um ano visitando pizzarias duas vezes por semana. E claro, comendo pizzas.  A família ia junto. E chegou a conclusão de que o motivo de seu mal estar com a redonda era por conta da forma que a massa era produzida, ou pelo processo de fermentação da massa. “Pizza não é só massa, é outra coisa muito mais complexa”.

Descoberto isso, passou a estudar as receitas, colocou literalmente a mão na massa e criou sua própria pizza  apenas com farinha, água e azeite e utilizando processo de fermentação natural.  Pronto, nascia ali a pizza que não causaria mais incômodo na digestão. E desde então sua relação de amor com a redonda mais amada do Brasil já completou 15 anos – Bodas de Cristal, e tudo indica que deve durar até que a morte os separe.

Beltrão reconhece que passado algum tempo outras grandes pizzarias também evoluíram em suas receitas e hoje, quando não está em sua própria pizzaria, se relaciona bem com as outras massas. Para ele o segredo para uma boa pizza está na escolha de uma boa farinha e na qualidade do tomate para o molho. Além de outros ingredientes fundamentais como a criatividade, alegria e carinho no momento da elaboração do alimento.

Por fim, não precisamos dizer que esta reportagem terminou em pizza.

Feliz Dia da Pizza!

 

A história

No início do século XVIII, Rosa e Raffael Espósito, comerciantes de Nápoles, Itália, produziam e vendiam um alimento, aperfeiçoado da popular massa de pão, recheada de torresmos, azeitona e queijo “cavalo”, que abastecia as mesas das famílias pobres de Nápoles.

A Fama dos Espósito correu a Itália e fez com que o Rei Umberto I realizasse uma verdadeira operação de guerra para trazer à cozinha do palácio o casal Espósito para que preparassem para a Rainha Margherita de Sabóia, aquela iguaria chamada de pizza, que acabara de inventar, com sabor do manjericão, sobre a massa coberta por mussarela e rodelas de tomate. O encantamento da Rainha pela pizza acabou determinando o nome de  “Margherita” para aquele tipo de recheio.

Port’Alba foi a primeira pizzaria de que se tem registro. Surgiu em Nápoles em 1830. A partir daí se disseminou pelas regiões vizinhas e ganhou o mundo com os navios dos imigrantes italianos.     No Brasil, até os anos 50, as pizzarias eram uma exclusividade das colônias italianas e seus redutos. A partir daí elas se disseminaram por todo o país até se transformarem, nos dias atuais, num dos mais saborosos pratos de nossa culinária.

 

Diz a lenda

Existem também algumas lendas que remontam aos tempos da Mitologia Grega. Vulcão, o Deus dos Ferreiros, cansado e com fome depois de um dia de trabalho, chegou em casa e perguntou à sua mulher o que tinha preparado para comer. Mas a bela Vênus que, naquela manhã, tinha recebido a visita dos seus amantes, esquecera-se de preparar o almoço e para que seu marido não suspeitasse de sua infidelidade, rapidamente pegou um pouco de massa que tinha para fazer uma focaccia, amassou-a, espalmou-a e colocou-a no fogo, banhando-a com leite de cabra e enriquecendo-a com ervas, especiarias e saborosos frutos.

 

Por Sonia Marques/ Juliana Martins Machado