Museu Histórico Nacional e o combate a incêndios

A quase total destruição do Museu Nacional no Rio de Janeiro nos faz refletir sobre a importância da prevenção e combate a incêndios e como esses cuidados podem salvar vidas e patrimônios. Atuar preventivamente não custa tão caro, e pode ser um processo simples. Em vista disso, segue artigo produzido pelo Bruno Teixeira, gerente do Segmento de Iluminação e Incêndio da Intelbras.

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Foto: Marcelo Sayão (EFE)

A quase total destruição do Museu Nacional no Rio de Janeiro chocou o País. As chamas, que começaram no início da noite, se espalharam rapidamente pelo prédio histórico, destruindo um acervo de quase 20 milhões de peças e artefatos com valores históricos e culturais incalculáveis. Problemas como a falta de água nos hidrantes próximos ao local dificultaram muito o combate às chamas e a ausência de um sistema de combate e prevenção a incêndios apropriado. O mesmo só seria instalado no futuro com a verba de contrato para a restauração assinado, em junho, com o BNDES (Banco nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

O trágico evento nos faz refletir sobre a importância da prevenção e combate a incêndios e como esses cuidados podem salvar vidas e patrimônios. Sistemas de prevenção, que incluem sinalizações de rotas de fuga, iluminação, extintores e hidrantes, portas corta fogo, etc. são quesitos legais que devem ser cumpridos. Porém, trabalhar na prevenção, segurança dos ocupantes de imóveis, clientes, moradores e visitantes, mesmo em áreas ou em imóveis que não sejam obrigatórios, traz inúmeros benefícios. Atuar preventivamente não custa tão caro, e pode ser um processo simples: assim como nos prevenimos em questão de segurança, podemos tornar ambientes mais protegidos com um sistema preventivo de incêndios que deve ser encarado como um benefício e não como um gasto desnecessário ou obrigatório.

Prédios, tanto residenciais quanto empresarias, podem se tornar mais seguros com um sistema de alarme e detecção de incêndio. Mesmo que o detector de fumaça não seja obrigatório nos halls internos dos andares em alguns tipos de edifícios, sua presença indicará com rapidez a existência de um problema e diminuirá muito seus efeitos. Prédios mais novos já trazem esses dispositivos, porém eles podem ser instalados em imóveis mais antigos de forma prática, rápida e com baixo custo. Detectores de fumaça endereçáveis produzidos com base nas normas vigentes da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) são financeiramente acessíveis.

Em países como Austrália e Estados Unidos, detectores de fumaça são obrigatórios em casas e apartamentos, independentemente do tamanho do imóvel. No Brasil, não há regulamentação sobre o assunto. Já que os detectores de fumaça servem para alertar o início de um possível incêndio, dando mais tempo para as pessoas combaterem o fogo ou então buscarem um local seguro para abrigar-se, eles também são ideais para uso em imóveis residenciais. Existem no mercado nacional detectores de fumaça para uso residencial baratos e de fácil instalação.

Outra forma de aumentar a segurança dos ocupantes de imóveis, visitantes de museus, funcionários, etc., é manter o ambiente com iluminação de emergência adequado e com sua manutenção em dia, o que inclui rotas de fuga bem sinalizadas. Atualmente, existem vários produtos disponíveis, de alta qualidade e de fácil instalação – plug and play– basta ter uma tomada e conectar o equipamento. Uma boa dica para síndicos e administradores prediais é convidar uma revenda de confiança para visitar o imóvel e verificar qual central de alarme de incêndio pode ser utilizada: existem equipamentos bem econômicos, com poucos pontos de detecção ideais para ambientes menores, como prédios baixos, pequenas e médias empresas ou que requerem poucas características de gestão de sinistro.

Um bom sistema preventivo de incêndio, além de proteger a vida dos ocupantes e o patrimônio, também pode gerar um desconto considerável em seguros corporativos e residenciais. Se o risco de incêndios for baixo, empresas geralmente oferecem dedução no valor das apólices de seguro. Se o risco for alto e os equipamentos/ soluções não estejam adequados ou mal instalados, as companhias não irão assegurar o estabelecimento. Além da economia, também existe um respaldo civil e criminal no caso de algum sinistro: se tudo está em ordem, não haverá responsabilização por negligência ou omissão. Temos que tratar esta questão de uma forma bem assertiva, pois muitos de nós pensamos que este tipo de situação nunca acontecerá conosco.

Desastres como a destruição do Museu Histórico podem e devem ser evitados: ambientes mais seguros e devidamente habilitados para funcionar com itens fundamentais na prevenção e combate a incêndios trarão inúmeros benfeitorias para todos, além de salvar vidas e patrimônio históricos de valor incalculáveis. Não é a primeira vez que perdemos parte da nossa cultura para as chamas, mas podemos trabalhar para que seja a última.

*Bruno Machado Teixeira é gerente do Segmento Iluminação e Incêndio da Intelbras e trabalha na empresa há mais de 16 anos. Formado em Engenharia de Produção pela UFSC, possui MBA em Comércio Exterior pela FGV.