Lucimara Parisi

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CAPA

Lucimara Parisi

“Eu insisto, persisto e nunca desisto”

A residência da jornalista, produtora e diretora de televisão Lucimara Parisi, na Granja Viana, tem energia positiva e alegria contagiante. É cachorro latindo, passarinho cantando, gato miando e Lucimara que ri descontraída durante um bate-papo gostoso entre um clique e outro. Os porta-retratos espalhados pelos cômodos revelam que ali foi constituída uma família sólida e feliz. São cinco netos, primogênitos de seus fi lhos mais velhos: Mário Jorge, Mauro Jorge e Ariane. Ariadne, a caçula, ainda não é mãe.

E você, acha que Lucimara parou por aí? Que nada! O som alto da televisão que ecoava pela sala principal, sintonizada em um desenho animado, denunciava que uma criança se encontrava em algum canto daquela casa  espaçosa e cheia de vida. Era Biel, de apenas 5 anos, que almoçava na cozinha externa, com fogão a lenha e rodeada de verde. A cara da Granja. Gabriel Romano é o filho mais novo de Lucimara, adotado em 2008, o caçula dos cinco filhos e o responsável pela explosão de felicidade que ela o marido sentem desde então. O casamento badalado, em 2005, com o professor de Educação Física Alexandre Viturino, o Xandão, deu o que falar e foi notícia nas principais revistas e sites. O casal se despediu dos convidados pilotando um balão, após uma festa glamourosa no Spa Sete Voltas, na presença de um time de celebridades. O apresentador Faustão, patrão dela na época, era apenas um dos famosos padrinhos. “Meu casamento foi maravilhoso e diferente; cuidei de cada detalhe”, conta com brilho nos olhos e uma paixão assumida. Lucimara cantou a música Meu Ébano, de Alcione, para Xandão durante a cerimônia. “Você é um negão de tirar o chapéu”, relembra e solta a voz enquanto cuida de cada detalhe do maridão para esta reportagem. Alta, cabelos louros e olhos claros − nem precisa dizer o quanto é bonita − Lucimara Parisi é o nome artístico de Maria Tereza Romano, nascida e criada em São Paulo.

 Silvio Santos: de colega de trabalho a patrão.

Filha de italianos, Lu, como é carinhosamente chamada pelos amigos e familiares, teve uma infância simples e feliz no bairro do Mandaqui. Segundo ela, sua família era como qualquer outra. “Eu fazia minhas peraltices, ficava de castigo e brincava na rua; foi uma infância gostosa.” O amor pela profissão cresceu naturalmente, e a vida foi generosa com ela.

Teve sorte, mas, desde moça já se destacava pelo talento. Foi radioatriz, locutora e dubladora. Hoje, aos 61 anos, é mãe, esposa, amiga, apresentadora, produtora e uma das mais respeitadas diretoras da televisão brasileira, sem exageros. De Rede Globo ao SBT, conheça um pouco mais da vida da granjeira Lucimara Parisi.

RC: Lucimara, onde e como iniciou sua trajetória profissional?
LP:
Eu fazia curso de datilografia com uma amiguinha, e um rapaz chamado Valdeci Monteiro a procurou. Valdeci é sósia do Chico Anysio, já o representou em vários shows, e é um ator excelente. Ele convidou esta minha amiga para participar de um programa de televisão. Ela insistiu para que eu pudesse acompanhá-la. Durante o teste, eles pediram que eu atuasse também. Deixei claro: “Hei, mas não sou eu. O teste é com ela”. Enfim, passei no teste, fiquei na vaga e minha amiga foi dispensada. A partir daí, nunca mais parei. Vieram outros programas e testes para anunciadora de algumas marcas famosas. Fechei contrato com uma marca grande e pude comprar meu primeiro fusca. Eu curtia comunicação e era muito disciplinada. Fui conhecendo as pessoas, e as oportunidades não paravam de surgir.

 Com Luiz Inácio Lula da Silva.

RC: Como foi trabalhar com grandes personalidades, como Silvio Santos, Fausto Silva e Ratinho?
LP: O Silvio é ícone. Como ele, só daqui a 500 anos. Eu tive a felicidade de trabalhar com o Silvio antes mesmo de ele pensar em ter alguma emissora na vida. Nós fazíamos locução na Rádio Nacional (depois Rádio Globo) e eu participava de alguns programas com ele, como: Histórias que o Povo Conta, que eram contos de assombração, Justiceiro Invencível, em que o Silvio era o Justiceiro, e Mexericos da Candinha, um programa de fofoca em que eu interpretava a Candinha, personagem que virou música do Roberto Carlos. O Silvio ajudou a criar a Globo, e o Boni escreve isso em O Livro do Boni. O Fausto é um profissional ímpar, uma pessoa maravilhosa e de uma generosidade incontestável. Ficamos juntos 30 anos, dia e noite, e brigamos, afinal, irmãos brigam. Isso não mudou meu sentimento. Amo, respeito e admiro o Fausto Silva. O Ratinho é este ser incrível que o Brasil conhece. É um cara muito simples, humilde, espontâneo e sincero. Trabalhar com ele é um presente de Deus.

“Ficamos juntos 30 anos, dia e noite, e brigamos, afinal, irmãos
brigam. Isso não mudou meu sentimento. Amo, respeito e admiro o Fausto Silva. ”

 À frente do Domingão do Faustão, onde ficou
 por 30 anos.

RC: Conte sobre sua saída da Globo e ingresso no SBT.
LP:
Meu contrato terminou na Globo, e a emissora propôs que eu continuasse. Eu não quis. Estava em busca de novos desafi os para minha vida. Só com o Faustão eu já estava havia 30 anos. Fora o restante de tempo que não contarei nem sob tortura (risos). Tenho consciência de que fiz um bom trabalho, e tudo o que executei dava resultado. Então, o Carlos Alberto de Nóbrega, meu grande amigo, me convidou para estar no programa A Praça é Nossa. Encontrei com o Silvio Santos, e ele me chamou para participar de um dos seus programas de auditório. Era um game e eu jogaria contra o Ratinho, que me convidou naquele momento, ao vivo, para trabalhar com ele. Fiquei e nunca mais saí. Eu dirijo alguns quadros e apresento outros. O SBT é uma televisão da família; trabalhamos em espírito de união e felicidade.

RC: Em 2005, você escreveu a autobiografia Uma Mulher que Faz, na qual conta sua trajetória pessoal e profissional. Fale dessa experiência.
LP:
Eu sempre contava histórias em nossas reuniões semanais, na casa do Fausto. E então surgiu a ideia de escrever um livro, apesar de esta obra ter muito pouco do que eu vivenciei. O livro conta como foi o início da minha trajetória e o processo profissional. Fala muito sobre a perseverança e onde você deve insistir, persistir e não desistir. Pode ser que eu publique uma segunda edição, futuramente.

RC: Você lançou, recentemente, um portal de conteúdo? Queríamos saber de onde surgiu essa ideia.
LP:
Eu tenho muitos vídeos, muita coisa legal reunida em anos de trabalho, e queria disponibilizar para as pessoas que curtem meu trabalho. Tenho vídeos de quando o Faustão me “alugava” e lançava desafi os, como dançar no gelo ou mergulhar. Lá ia a Lucimara fazer curso de mergulho. E a ideia é agregar tudo isso a conteúdos atuais, escrito por uma equipe competente de colunistas.

 Com o amigo Ratinho, de quem dirige o
 programa atualmente.

RC: Vamos falar de família. Em 2008, você realizou o sonho de adotar um bebê. Era uma vontade antiga ou você acordou um dia e tomou esta decisão?
LP:
Quando eu falo em adoção, costumo falar só do Gabriel, mas vou contar uma coisa para os leitores da REVISTA CIRCUITO. Tenho cinco fi lhos, e apenas dois são biológicos. Eu tenho duas moças que também são adotadas. A Ariadne casa em maio, e a Ariane já mora com o namorado. Quanto ao Gabriel, eu sempre sonhei em ter um “negão” para me chamar de mãe. Como sou casada com um negro, nada mais justo que ter um filho negro. Agradeço, todos os dias, o privilégio de ser mãe dos cinco. O Gabriel é a “cara” do pai. É impressionante. É educado, carinhoso e superinteligente. Família é a estrutura de tudo. O resto é vertente.

RC: Parou no quinto filho?
LP:
Não sei. Tenho vontade de adotar outro. Quem sabe até o fim do ano.

RC: E o maridão? Como é a sua relação com ele?
LP:
Nós nos conhecemos no spa em que ele trabalhava, namoramos dez meses até o casamento e tudo foi muito natural e verdadeiro. Nunca desconfi amos um do outro. É muita segurança e confiança. Ele é uma pessoa do bem.

 Lu e Alexandre: uma relação de amor e respeito.

RC: E esta ideia de pilotar um balão no dia do casamento? De onde surgiu?
LP: Com toda a humildade, meu casamento foi o mais bonito que já vi em toda a minha vida. A cerimônia foi num sábado, ao meio-dia, no Spa Sete Voltas, onde o Alexandre trabalhou por dez anos. Na decoração, pedras brutas de esmeralda, sal grosso em desnível, vasinhos carregados de pimenta, folhas secas e pedrinhas de cristal. Para dar início ao casório, a música Emoções foi entoada por um violinista e depois acompanhada pela banda do músico Schiavon. Agnaldo Rayol completou o show cantando a canção de Roberto Carlos. Durante a cerimônia teve música do Tim Maia e Felicidade, de Fábio Júnior. Na saída, Sorte Grande, de Ivete Sangalo. Em vez da valsa, dancei a música Meu Ébano, de Alcione. Resolvemos ir embora de balão. Mas não teve lua de mel. No domingo fui trabalhar normalmente.

RC: E a Granja Viana? Mora aqui há quanto tempo?
LP:
Conheço a Granja há muito tempo, e moro aqui desde que casei. Resolvi morar aqui para ficar mais próxima da natureza e porque posso ter meus bichos. Estou sempre pelo Centrinho, frequento os restaurantes e ando diariamente pela região.

RC: O crescimento não te assusta?
LP:
O crescimento dos últimos anos chega a ser violento, e eu fico um pouco preocupada, sim. Mas o progresso faz parte. Não pego trânsito porque tenho horários diferenciados, mas sei que é um grande problema para os moradores.

“Quando eu falo em adoção, costumo falar só do Gabriel, mas vou contar uma coisa para os leitores da Revista Circuito. Tenho cinco filhos e apenas dois são biológicos.”

 Com as filhas Ariane e Ariadne, o marido
 Alexandre, a neta Yasmin e o filho Gabriel.

RC: Você disse que caminha diariamente. É cuidadosa com a saúde?
LP:
Malho todos os dias, tenho uma alimentação supersaudável, não como carne nem fritura, bebo leite de soja e como muita fruta e verdura. Meu marido me auxilia nesta parte e sempre me acompanha nas caminhadas.

RC: Livro, filme, música. O que você curte fazer para agregar cultura e conhecimento?
LP:
Gosto muito de ler. O último livro que li se chama Jesus Extraterrestre, do brasileiro Leo Mark. Recomendo. Na lista dos prediletos estão o escritor Lair Ribeiro – que é um grande amigo – e Roberto Shinyashiki – que deu nome ao meu livro. Quanto à música, convivo com ela.

RC: Como você enxerga a televisão brasileira?
LP:
A televisão brasileira está empobrecendo de informação. A notícia que você esperava para ver no jornal da noite está na internet de imediato. Isso compromete o futuro da televisão. Tudo o que você quer, procura e encontra na internet, inclusive o programa de televisão. Acredito que, no futuro, as emissoras terão de pagar para serem vistas. Já as grandes emissoras sobreviverão no paralelo da internet.

RC: Para finalizar: como as pessoas podem acompanhar o seu trabalho?
LP:
Podem acessar o Portal que leva o meu nome ou assistir ao Programa do Ratinho, que vai ao ar de segunda a sextafeira, no SBT, a partir das 21h30.