Assim, pelos olhos, o amor atinge o coração:
Pois os olhos são os espiões do coração.
E vão investigando O que agradaria a este possuir.
E quando entram em pleno acordo
E, firmes, os três em um só se harmonizam,
Nesse instante nasce o amor perfeito,
Nasce daquilo que os olhos tornaram bem-vindo ao coração.
O amor não pode nascer sem ter início senão
Por esse movimento originado do pendor natural.
Pela graça e o comando dos três, e do prazer deles,
Nasce o amor, cuja clara esperança
Segue dando conforto aos seus amigos.
Pois, como sabem todos os amantes verdadeiros,
O amor é bondade perfeita,
Oriunda – ninguém duvida – do coração e dos olhos.
Os olhos o fazem florescer; o coração o amadurece:
Amor, fruto da semente pelos três plantadas.
Amor é qual paisagem bela, qual campo aberto, lar e proteção. Livres vivemos, livres habitamos, livres para aceitar ou rejeitar.
Libertos para o encontro de nós mesmos, libertos para em comunhão viver: Necessitamos desta liberdade para sonhar, para amadurecer e para amar.
Existem vários tipos de amor, mas pelo menos três precisamos aprender a distinguir:
O amor instintivo, o amor emocional e o amor consciente.
O amor instintivo tem a química como base. Dura enquanto durarem os reagentes químicos envolvidos.
O amor emocional é a forma de amor mais encontrada entre pessoas que relutam em se tornar adultas, onde sobram desejos infantis de ser amado e faltam disposição adulta e a coragem para amar.
O amor consciente é o desejo de que aquele a quem amamos possa atingir o seu estado natural de perfeição para o qual foi criado. “Eu irei ao inferno se isso for necessário para que ela vá ao céu”.
O paradoxo dessa atitude, entretanto, é que essa espécie de amor evoca a mesma atitude naquele que amamos. Ao contemplarmos a pessoa amada, um mistério se apresenta.
“Amar... é uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo em si mesmo, tornar-se um mundo para si, por causa de um outro ser; é uma grande e ilimitada exigência que se lhe faz, uma escolha para longe”. (Rainer Maria Rilke)
Fragmentos de textos sagrados, de livre interpretação. Maria Lucia D’Andréa de Andrade