Advocacia
Alimentos e bebidas


Casa Ecológica: uma realidade ao alcance de todos


 Atualmente discussões sobre ecologia e preservação do meio ambiente tornaram-se comuns no mundo todo. Fala-se muito em economia de água e de energia, em redução da emissão de gases poluentes, no efeito estufa, no aquecimento global e no buraco na camada de ozônio. Os danos que temos causado à natureza são muitos e extensos. Isso se aplica a vários segmentos de nossa economia, e a construção civil não é exceção. Lamentavelmente, esse é o ramo de atuação que mais traz impactos ao meio ambiente.De acordo com uma pesquisa realizada pela ASCE (American Society of Civil Engineers), dos Estados Unidos, até 50% dos recursos naturais consumidos anualmente são destinados às construções. Só de madeira natural, a construção civil consome dois terços de tudo o que é extraído. Ainda, na produção de materiais de construção, há muita emissão de poeira e de uma quantidade absurda de CO2. Para se ter uma idéia, para cada tonelada de cimento fabricado, são emitidos no ar 600 kg de carbono, isso sem falar no entulho gerado durante a fase de construção. A boa notícia é que já podemos usufruir de meios, matérias-primas e produtos para construir de forma a impactar o mínimo possível o nosso habitat. Felizmente, cada vez mais arquitetos, engenheiros vêm optando por construções sustentáveis. Conscientes da importância de seu trabalho para a preservação do meio ambiente, os profissionais desse segmento apontam medidas simples e baratas que viabilizam a execução de um projeto desse tipo. São soluções inteligentes e viáveis como a utilização de grandes janelas e portas de vidro para o aproveitamento da luz solar e da ventilação natural. Outros exemplos são o uso de materiais reaproveitados e/ou reciclados como restos de demolição, tijolos de barro ou solo-cimento (leva uma quantidade mínima de cimento em sua composição) e piso à base de refugo de borracha. Como opções às tradicionais telhas de barro e de cerâmica (necessitam de queima em fornos que emitem CO2), existem as telhas feitas de garrafas PET, as de tubo de pasta de dentes, as de embalagens tetrapak e as verdes (levam vegetação em sua composição).

Mas se hoje em dia a utilização de produtos ecologicamente corretos é tão acessível, o que faz com que a grande maioria ainda opte pela construção convencional? A falta de informações e a desconfiança são os principais motivos. Muitos acreditam que esses produtos, por serem ecológicos, são artesanais, e que depois de um tempo deixarão de existir ou que não atendem às normas técnicas exigidas pelas entidades que regulamentam o setor, como a ABNT. O que não se sabe, é que esses produtos, embora não contem com normas específicas para "produtos ecológicos", porque essas não existem no Brasil, são testados em laboratórios de renome, como IPT, USP-São Carlos, Instituto Adolfo Lutz, Falcão Bauer e outros.

Como regra geral, os ecoprodutos não deixam nada a desejar, em relação à durabilidade e à resistência, a um convencional. São bens de consumo elaborados sem agredir o meio ambiente e a saúde dos seres vivos, a partir do uso de matérias-primas naturais renováveis ou naturais não-renováveis mas reaproveitáveis, recicladas ou que impactem o mínimo possível durante seu processo de fabricação e pós-uso. Ou seja, além de qualidade, possuem algo que os produtos convencionais não têm: desempenho ambiental, que favorece a vida e a saúde. Hoje já encontramos no mercado ecoprodutos como tijolos, forros, tubulações sem PVC (requerem cloro em sua produção), conduítes corrugados, madeira alternativa ou reaproveitada, janelas, portas e batentes de madeira alternativa, vasos sanitários ecológicos (não-sifonados, só consomem 2 litros d’água por descarga), colas, tintas, vernizes, impermeabilizantes, resinas, dentre outros.

A VIABILIDADE DA CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL

Construir de maneira ecológica já não é mais um sonho, mas uma realidade ao alcance de qualquer pessoa. Em uma construção sustentável sempre são usados materiais biocompatíveis, ou seja, materiais que não agridem a vida humana, a fauna e a flora, e que não comprometem o solo, a água e o ar. A escolha adequada do produto a ser utilizado deve ser precedida pelo chamado design ambiental, que consiste em levantar todas as condições inerentes e circundantes ao local da construção, para, a partir daí, definir quais os materiais mais indicados para cada situação.
A utilização de recursos existentes no local da obra e a escolha dos materiais biocompatíveis são medidas simples e acessíveis. Essa iniciativa diminui consideravelmente os gastos com transporte, respeita o ecossistema e evita a degradação de outro local. O uso de matérias-primas renováveis, produtos reciclados, recicláveis ou sem componentes tóxicos além de ecologicamente correto, promove qualidade de vida. Quando todos esses critérios são aplicados no projeto de arquitetura e norteiam a sua execução, temos uma construção sustentável. O seu maior benefício é promover um maior número de interações entre o homem e o meio ambiente. Ela é uma opção consciente do homem por morar bem, preservando e recuperando a natureza. Mas quanto custa esse investimento?

Ações simples que geram benefícios e economia estão ao alcance de todos, pois não oneram a construção, pelo contrário. No caso do uso de materiais recicláveis e/ou de demolição, por exemplo, a economia gira em torno de 10%. Entretanto, caso a construção conte com um grande número de tecnologias modernas que promovam a sustentabilidade, o investimento inicial é considerável. Mini-estações de tratamento de águas servidas, sistemas de captação de água de chuva e sistemas de aproveitamento de fontes de energia renováveis como a eólica, a solar e a biomassa ainda custam caro no Brasil. Como regra geral, pode-se afirmar que o preço de uma casa ecológica é proporcional ao seu grau de sustentabilidade. Ou seja, quanto mais tecnologias sustentáveis a construção abrigar, mais cara do que uma convencional essa residência será. Contudo, com o tempo, a economia com gastos com água e eletricidade compensam de modo permanente esses custos. Além disso, a questão da valorização de uma casa como essa certamente será muito maior que qualquer similar com o mesmo tamanho no mercado. Em suma, uma construção sustentável pode contar com muitas ou poucas alternativas para impactar minimamente a natureza e promover uma melhor qualidade de vida a seus habitantes. O importante, é que cada vez mais pessoas tenham conhecimento desses recursos e façam parte de uma cultura ecológica. Desse modo, poderão definir ações e orçamentos que se encaixem em suas necessidades e participar efetivamente da construção de um mundo melhor para todos.

Para aqueles preocupados com a preservação da vida e do meio ambiente que desejam saber mais sobre a cultura da sustentabilidade, seguem algumas dicas de leitura:

Gaia – Um Novo Olhar sobre a Vida na Terra – James E. Lovelock
Edição consultada – Edições 70 – Lisboa – Portugal
Primavera Silenciosa – Rachel L. Carson
Edição consultada – Grijalbo – Barcelona – Espanha
Manual do Arquiteto Descalço – Johan van Lengen
Edição consultada – Edição do autor - México

Carla Evangelista é designer de interiores formada pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Já participou de mostras de decoração e teve vários trabalhos publicados em revistas do segmento. Atualmente comanda o escritório Ideal Design Soluções para Interiores, atendendo clientes residenciais e comerciais. E-mail: carla.evangelista@terra.com.br - Tels.: 4241-9357 / 9975-4991

Comente este artigo