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Continuando
nossa aventura pelo rio Tietê, o "rio verdadeiro",
deixamos São Paulo e fomos até sua nascente na cidade
de Salesópolis pela rodovia Presidente Dutra, passando
pelos municípios de Mogi das Cruzes e Biritiba Mirim, no
intuito de mostrar os resultados da preservação
e cuidados ambientais, além de sugerir um belo passeio
para escolas e famílias que curtem turismo ecológico
e mesmo pescaria amadora.
A CIDADE SALESÓPOLIS
Localizada
entre as serras de Itapeti e da Mantiqueira, iniciou o povoamento
a finais do século XVIII sendo elevada à freguesia
em 28 de fevereiro de 1838 e tornou-se município em março
de 1857 com o nome de São José de Paraitinga.
A origem do nome tem duas versões. Uma atribuída
à passagem do tropeiros que utilizavam o local como descanso
na chamada "Rota do Sal", daí a derivação
do nome. Outros historiadores afirmam que o nome foi mudado numa
homenagem da Câmara Municipal ao então Presidente
da República Manoel Ferraz de Campos Salles.
ATRATIVOS TURÍSTICOS
O fato é que foi importante rota de comércio entre
interior e litoral paulista. Testemunha desta história
é a Senzala de "taipa de mão" utilizada
para comércio de escravos do Vale do Paraíba. Preservada
como atrativo turístico é aberta a visitação
e conta com restaurante e estacionamento.
Outro destaque é a Igreja de São José de
Salesópolis, com sua arquitetura neoclássica de
beleza singular conserva as pinturas originais de 1908, ano da
sua construção. Fruto de promessas para combater
a Gripe Espanhola, os fundos para erguer o santuário foram
angariados com a realização de feiras todas as primeiras
quintas feiras do mês, tradição até
hoje preservada e que atrai muitos turistas a procura de artesanato
de madeira, arame, taquara, linha e barbante ou pelo prazer de
participar da festa.
O ponto mais alto da cidade é o Mirante da Torre a 1000m
de altura de onde dá para observar a vista panorâmica
da cidade. Para quem curte uma praia de água doce, o Pinheirinho
é o local indicado, distante 7km do centro.
PARQUE DAS NASCENTES
A
16km do centro, os últimos seis por estrada de terra, é
uma área de 134 hectáres de floresta ombrófila
densa, rica em espécies de fauna como cachorros do mato
e jaguatiricas, aves como a juruvuara e o sauí-azul e na
flora destacam-se as orquídeas, bromélias, cedro,
canela amarela e guaçatonga.
Administrado pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica-DAEE,
recebe visitas monitoradas para conhecer a nascente do Tietê
e realizar caminhadas pelas trilhas do parque, excelente roteiro
para escolas e pequenos grupos. Recebe em media 2500 turistas
mês e, no caso de excursões escolares, devem ser
agendadas pelos telefones 4696.5233 ou 4696.5236.
O mais impressionante da visita é o contraste entre as
águas da nascente e as que os paulistanos estão
acostumados a ver entre as marginais da capital. É cristalina
e podem ser vistos filhotes de guarus, mãe d´agua
e aranha d´agua, espécies que só sobrevivem
em locais com alto teor de oxigenação e isentos
de poluição. Como peculiaridade, os índios
barrigudinhos eram chamados de "guarús", e deram
origem ao nome do peixe que por sua vez originou o nome ao local
sede da tribo: Guarulhos. Lástima sejam eles uns dos principais
poluidores do rio, além de Mogi das Cruzes e São
Paulo.
Saindo do parque e em direção a SP a altura do km80
da estrada Mogi-Salesópolis, se avista a primeira represa
do Tietê , a Barragem da Ponte Nova, também aberta
a visitação agendada pelos mesmo números
de telefone.
Formada por um lago de 3000 hectáres e com 550 milhões
de m3 de água, permite a entrada de até 30 veículos
por dia. É permitida a pesca com linha e anzol e no ponto
mais alto dela, à margem esquerda da barragem, se encontra
o Radar Metereológico do DAEE, onde são realizadas
palestras didáticas. Importante lembrar que o ingresso
à barragem para veículos de passeio é 1kg
de alimentos perecíveis. Já as escolas devem entrar
em contato com uma das três agências de turismo receptivo
de Salesópolis para obter um "voucher".
EXEMPLO DE DESENVOLVIMENTO
SUSTENTÁVEL
Com
98% do seu território protegido pela Lei de Mananciais,
é o município com maior numero de restrições
a atividades econômicas da região metropolitana de
SP. Com isto, a geração de empregos é impraticável
nos termos convencionais da expansão industrial e comercial.
Neste cenário, Salesóplis, criou o "Voucher
único", documento adquirido através de agências
locais de turismo receptivo, no intuito de desenvolver atividade
econômica lícita contribuindo ao desenvolvimento
sustentável da região a partir do turismo ecológico.
Na prática, quando uma escola quer visitar pontos turísticos,
deve comprar o "voucher" numa das agências. O
custo gira em torno de R$ 15,00 por pessoa para um passeio que
inclui o Parque das Nascentes, a Barragem da Ponte Nova e a Igreja
da Matriz. O documento inclui um guia de turismo a cada 20 pessoas,
além dos serviços pedagógicos , de roteirização
e segurança. Este valor paga o guia, a agência e
o chamado pedágio ambiental, que é um fundo de reserva
municipal destinado a investimentos em marketing de turismo receptivo
e desenvolvimento local do turismo ecológico. As bases
legais são a Lei Orgânica do Município e a
Agenda 21. Ou seja, a fusão de uma ferramenta que já
existe e a boa vontade dos políticos locais.
Exemplos como este refletem a capacidade empreendedora e solidária
de governantes e cidadãos que se mobilizam em torno a objetivos
comuns e que por cima de vaidades pessoais, encontram o equilíbrio
entre potencialidades e necessidades do município. Cotia,
especificamente Caucaia do Alto, que possui cenário geográfico
e legal similar a Salesópolis, deveria seguir este exemplo.
Agradecimentos a Gastão Gonçalves, administrador
do Parque das Nascentes e a Carmo Murano, da VM Comunicação,
Assessoria de Imprensa do DAEE pela colaboração
com esta matéria.
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