Sem saudosismo e buscando sempre o que há de bom nas novidades, é a forma como devemos encarar as mudanças tecnológicas. Mas não há como negar que a forma como nos comportamos no dia a dia vem sofrendo profundas alterações em função dessas mudanças e cada um reage às novidades à sua maneira.

Não há cidadão no mundo com mais de quarenta primaveras nas costas que não viva num constante processo de adaptação ou atualização. E em alguns casos de angústia e ansiedade também. Pois não são todos que acompanham as evoluções tecnológicas com a mesma facilidade e naturalidade daqueles que nasceram e cresceram com elas. Qualquer criança de 10 anos que conheça a internet, por exemplo, dá show em muito marmanjo, por mais esforçado que ele seja. Outro dia, numa apresentação em data show numa agência, fui surpreendido por um apagão no laptop que ninguém conseguia solucionar. Chamaram o técnico de plantão. Tomei um susto quando entrou na sala um garotão de bermudão com cara de menos de 15 anos e resolveu o problema em segundos... Daqui a pouco, teremos creches com bebês de plantão para essas emergências! Mas isso é assunto para uma próxima vez.

Hoje, quero falar sobre comportamentos... Sim, a forma como convivemos com essas traquitanas tecnológicas que se incorporam na nossa vida. E são tantas: PC, desktop, laptop, scanner, impressora, celular, bluetooth, palmtop, pencard, ipod, itrip, MP3, HP, viva voz, secretária eletrônica, babá eletrônica, DVD, timer, TV digital, ufa! Devo ter esquecido um monte!
Mas vamos começar pelas situações mais comuns que protagonizamos com as diabólicas e como reagimos a elas.

SECRETÁRIA ELETRÔNICA. Não existe nada mais idiota que deixar um recado para a tal máquina. Já vi gente cumprimentando a maquininha e se despedindo dela com a maior cerimônia! Outros olham para o lado para se certificarem que ninguém está registrando aquele momento ridículo de diálogo virtual. E outros aproveitam a ausência do dono da voz, para falar tudo aquilo que não teriam coragem de falar ao vivo e deixam recados hilários. Aliás, tem gente que torce para o cara não atender mesmo, e assim se livrar do chato com um recado!

DVD PLAYER. Sempre que você liga o aparelho está escuro e tem um montão de gente na sala esperando ansiosa o filme começar... É aí que você erra o botão de start. Pra quê! Tome bronca! E lá vem um espertinho apertar o botão certo e deixar você com cara de bobo na frente de todo mundo!

PC, LAPTOP OU COMPUTADOR. Esse daria um livro! Começa com a briga na família para ver quem usa primeiro. Depois tem o Messenger, o Orkut, os chats e os chatos que não desgrudam da tela! Quem não tem banda larga arruma outra briga, pois o telefone vive ocupado. E ninguém tem paciência para ensinar ninguém! É um tal de salve-se quem puder descarado! Sem contar os namoros eletrônicos que podem causar sérios "choques" e danos! Se tem adolescente na casa, vira "choque" de gerações.

CELULAR. Esse daria uma enciclopédia! As pessoas perderam a noção do ridículo! Berram ao seu lado sem a menor cerimônia, como se você estivesse atrapalhando a conversa deles. Falam no carro em trânsito, fazendo barbaridades e olhando para os lados com a maior das caras de pau! Interrompem reuniões, peças teatrais, shows, missas, batizados, casamentos e até velórios se preciso for. Sempre achando que a chamada é o mais importante de tudo! E pior! Andando de um lado para o outro, gesticulando e brigando ou com cara de apaixonado. Sempre com ar de importância suprema do ato em questão. É como se aquela ligação fosse resolver os graves problemas da humanidade!
Acho que deveríamos dividir a psiquiatria em antes e depois do dito cujo. Gente falando sózinha, chorando, rindo e até fingindo que está falando, para não ficar à toa...

Não se esqueçam de homenagear as mamães no próximo dia 14, mas cuidado com o que vocês vão presenteá-las.
Elas correm o risco de jamais voltarem ao normal.

Edição 77 - Maio 2006 - permitida a reprodução do conteúdo deste site desde que citada a fonte.