Pais: Conheça da carreira de Wandi Doratiotto e seu filho Danilo Moraes

1215

O bom humor do geminiano Wandi Doratiotto, sua constante ascensão na mídia e o fato de ter morado e trabalhado na região foram alguns dos motivos que levaram a equipe da Revista Circuito a ficar em seu encalço, fazê-lo encontrar um tempinho na agenda e ganhar o dia quando conseguiu contato com ele. 

Pai de Danilo Moraes, 35, músico que seguiu seus passos profissionais sem pensar duas vezes, esse paulista de 61 anos (com corpinho de 59, como ele mesmo define) já fez de tudo nesta vida e deixou sua marca registrada e irreverente por onde passou.
Sim! O Zé Cameraman do programa infantil Rá-Tim-Bum, o garoto-propaganda da Brastemp, o apresentador do programa Bem Brasil – ao todo, foram 775 programas − e o integrante da banda (meio forasteira) Premeditando o Breque (Premê), febre na década de 1970, topou conceder uma entrevista, juntamente com seu filho, e abordar temas como carreira, sucesso e paternidade, em homenagem ao Dia dos Pais.
Aliás, é melhor parar de listar as atividades que marcaram a carreira desse corintiano, pois a extensa lista de trabalhos do boa-pinta Wandi não caberia nesta, quiçá nas próximas três páginas.
O artista conquistou fãs por sua atuação nos palcos e na TV, sua musicalidade – seja com o Premê ou em carreira-solo com o disco Pronto – e, inclusive, por meio de haicais (forma poética de origem japonesa) cuja paixão foi tanta que o fez lançar seu primeiro livro.
Haicais? Como assim?
Não bastasse ser multitalentoso, lá foi ele se apaixonar pela arte oriental e anunciar que está com o segundo livro engatilhado em algumas editoras. 
Na Granja Viana morou por anos e cultiva muitos amigos. “Quem sabe ainda não volto?”, deixa a dúvida no ar com tom bastante saudosista.
Formado em Música e Educação Artística – acreditem, ele já deu aulas na rede estadual de ensino de Cotia –, hoje comemora o sucesso do personagem Nestor Moretti, na novela Sangue Bom, e curte o papel mais importante e desafiador da sua vida, que é ser pai coruja do Danilo, com quem tem o prazer de subir junto ao palco e assistir, de camarote, o filho caminhar a passos largos e traçar uma trajetória artística relevante para o atual cenário musical brasileiro. Ele se derrete todo ao elogiar o primogênito, mas garante: “Não é mole, não, véio! Filho e ex-mulher são pra sempre”.

Revista Circuito: Wandi, você vem de uma família de músicos. Como foi sua iniciação na música? Houve apoio da família ou teve aquele tipo de conselho: “Filho, vai ser médico, advogado…”
Wandi Doratiotto: Minha família é muito musical. Pai, mãe, tios, avós. Nenhum se profissionalizou, mas o convívio, desde criança, sempre foi muito instigante. Iniciei na música muito cedo. Ainda criança, tocava um pouco de cavaquinho e comecei com o violão. Morava no bairro da Lapa, que era extremamente musical. Tinha até uma orquestra! Na adolescência, teve o impacto dos festivais da Record, a Jovem Guarda e os Beatles, aí tudo se iluminou. A família sempre estimulou minha ideia de ser músico. Acontece que fiz dezenas de outras coisas! Fui até piloto de avião monomotor para um fazendeiro, por um tempo, na região de Mato Grosso, Maranhão etc. Mas o instrumento sempre ia comigo no avião para as horas de folga. A vontade que tinha de ser piloto profissional logo foi substituída pela de ser artista.

RC: Na TV você virou uma espécie de showman. Fez novela, apresentou programas musicais, fez programa infantil, seriados etc. Qual é a sua próxima “aventura” (no bom sentido) na TV?
WD: Tenho planos diversos para a TV. Como estou na novela Sangue Bom, da Globo, e já venho fazendo participações regulares naquela emissora, tudo pode acontecer. Também trabalhei por 20 anos na TV Cultura, que é uma grande parceira. Pode ser uma possibilidade novamente.

RC: Muitos se lembram de você por causa do comercial da Brastemp. Isso te deu maior exposição ao público. Você deixou de ser só o Wandi do Premê?
WD: O Premê sempre foi um grupo outsider, com público relativamente pequeno. A propaganda da Brastemp foi um achado que ficou conhecido nacionalmente graças ao grande bordão criado pelo publicitário Ricardo Freire, da Agência Talent. Foram acontecimentos paralelos em praias específicas.

RC: Os membros do Premê têm outras atividades, além da música, e a banda acaba ficando muito tempo sem se reunir. Como está hoje? Há planos de shows, novo disco?
WD: O Premê está no estaleiro, mas pode dar umas voltinhas, sim! Em novembro deste ano, iremos a Porto Alegre tocar com uma orquestra, além de outros projetos que estão em andamento.

RC: Sobre sua passagem pelo rádio (quando fez programas na USP e Musical FM), tem vontade de voltar a fazer programas de rádio ou essa fase já passou?
WD: Acho o rádio a forma de comunicação mais interessante. É uma fantasia afetiva que trago desde a infância, quando minha mãe ouvia aqueles programas sensacionais enquanto costurava. O rádio no Brasil é o grande responsável por nossa formação cultural e afetiva. Não penso em fazer rádio novamente. Tenho outras prioridades.

RC: Você morou na Granja. Qual é (ou foi) sua relação com a região? O que curtia fazer pela região? Aliás, você deu aula numa escola de Cotia. Conte um pouco dessa experiência.
WD: A Granja Viana é o máximo! Temos queridos amigos por aí. Ainda mantemos uma casa; quem sabe um dia voltamos (risos). Virou um point gastronômico notável, né? Quando eu era professor da rede estadual de ensino (dava aula de Educação Artística e Música), passava pela Granja e pensava: um dia ainda ponho os pés neste lugar…

RC: Do Premê à Rede Globo. Como você lida com o sucesso?
WD: É fácil, porque não sou famoso. Sou conhecido, mas num grau confortável. Convivo com amigos muito famosos, principalmente na Globo, e posso assegurar que não é mole o assédio; quem quer que nos leia e tenha como meta a fama, esquece! Na maioria das vezes, só traz problemas. O Millôr disse uma frase lapidar: Se você não é famoso, você só é conhecido por quem você também conhece.

RC: Fora a novela, o que você anda aprontando por aí? Fale dos projetos, planos etc.
WD: Minha paixão é fazer música acompanhada de teatro. Acabei de escrever uma peça em que pretendo fazer isso. É um solo onde sou uma espécie de palestrante motivacional amarrado pela música. No fundo, é uma gozação em cima dessa autoajuda exagerada disseminada por todo lado. É o que venho fazendo desde sempre.

RC: O que você tem a falar da paternidade?
WD: Ser pai também é desdobrar fibra por fibra o coração dos filhos. Não é privilégio da mãe. Independentemente da visão romântica, é muito interessante. É quando se pode pensar no melhor para uma pessoa sem querer nada em troca. Abre um caminho. Agora, não é mole, não, véio! Filho e ex-mulher são pra sempre (risos).

 RC: Aproveite o espaço para deixar um recado pro filhão, que deve te encher de orgulho. Sabe aquelas coisas que a gente, às vezes, fica com vergonha de dizer? Então, manda bala.
WD: Danilo e eu sempre tocamos juntos, desde quando ele tinha uns 11 anos. É um músico honesto, tem uma visão artística abrangente, e sabe que para se fazer algo novo é preciso conhecer nossa história. Nem um gênio pode criar algo do nada, e o Danilo vem fazendo ótimos shows com repertório de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Gordurinha etc., enquanto vai compondo e gravando seu trabalho afinado com nosso tempo.

RC: Quem é o Wandi Doratiotto, hein? Além de responder, use o trecho em que alguma obra de sua autoria possa te definir. 
WD: O Wandi Doratiotto é um metido que está aqui; se vira nos trinta e não para de trabalhar para não pensar bobagem.
O Premê tem a música São Paulo, São Paulo, de autoria do grupo, que diz assim:
“É sempre lindo andar, na cidade de São Paulo, de São Paulo, o clima engana, a vida é grana, em São Paulo…” 

Danilo Moraes
A formação musical do cantor, compositor e guitarrista Danilo Moraes, 34, filho único de Wandi, está diretamente ligada ao Premê. Ainda pequeno, assistia aos shows e se encantava com os instrumentos da banda. “Lembro-me do teatro lotado e do carinho do público com eles”, conta. Com 10 anos, ingressou nas aulas de música no Espaço Musical, onde hoje é professor. O sonho entre ser músico e arquiteto pouco se dividiu, e o rapaz deslanchou no Brasil e na Europa, sendo um nome promissor dessa nova leva de compositores. A influência musical que o faz interpretar nomes como Jackson do Pandeiro – atualmente, Danilo está com shows em sua homenagem − e Adoniran Barbosa veio de berço. Ainda jovem, o forró o inspirou a compor o xote Beijo Roubado, gravado pelo grupo Rastapé, e formar uma banda para tocar em casas noturnas de São Paulo.
Lançou seu primeiro disco em 2003 e, em 2004, já comemorava o segundo.
Na França, Danilo foi muito bem recebido. No país, pôde cantar e encantar com seu gingado abrasileirado.
No dia a dia, além de estarem juntos no palco, pai e filho curtem as coisas simples da vida. “Adoramos bater papo e fazer almoço juntos”, confessa o músico.
Da Granja Viana, o guitarrista sente falta dos festivais de música no Teatro Assa, dos quais participava, e do Restaurante do Ney, além dos amigos que fez pela região. 
Foi de responsabilidade dele homenagear o centenário de Luiz Gonzaga. Sem dúvida, um momento marcante em sua carreira. Danilo Moraes e os Criados Mudos é o nome do atual projeto capitaneado pelo artista.
Em breve, tem disco novo por aí!

Revista Circuito: Danilo, antecipe para a Revista Circuito o que você pretende dizer para o Wandi no Dia dos Pais.  
Danilo Moraes: Queria dizer que tenho o maior orgulho de ser filho dele e que desejo que ele continue trabalhando e fazendo tudo aquilo em que ele acredita.

Por Mariana Marçal