O futuro do Brasil está ligado à sua terra

O manejo adequado de seus solos é a chave mágica para a prosperidade e bem-estar geral do nosso País

4607

A agricultura orgânica terá papel fundamental para o Brasil alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). Destacamos aqui algumas ações inovadoras nesse sentido.

Ecovilas

Cada vez mais presentes, as ecovilas são parte de um modelo de assentamento humano sustentável. Ou seja, comunidades urbanas ou rurais onde pessoas vivem em harmonia com a natureza e com um estilo de vida o mais sustentável possível. É como se as ecovilas resgatassem o modo de sobrevivência mais primário da humanidade, que por milhares de anos viveu em comunidade, num convívio íntimo com a natureza, utilizando-a de forma inteligente e sempre respeitando o ciclo natural das coisas. A partir de 1998, as ecovilas consagraram-se então como uma das cem melhores práticas para o desenvolvimento sustentável, nomeadas oficialmente através de uma lista da ONU. São entidades autônomas na medida em que preenchem, numa área limitada e apreensível, as principais funções sociais: moradia, sustento, produção, vida social, lazer. Nesse sentido, pode-se entender uma ecovila como um microcosmo – e para alcançar este objetivo, as ecovilas incluem em sua organização muitas práticas, como:

  • Produção local e orgânica de alimentos.
  • Utilização de sistemas de energias renováveis.
  • Utilização de material de baixo impacto ambiental nas construções (bioconstrução ou arquitetura sustentável).
  • Criação de esquemas de apoio social e familiar.
  • Diversidade cultural e espiritual.
  • Governança circular e empoderamento mútuo, incluindo experiência com novos processos de tomada de decisões e consenso.
  • Economia solidária, cooperativismo e rede de trocas.
  • Educação transdisciplinar e holística.
  • Sistema de saúde integral e preventivo.
  • Preservação e manejo de ecossistemas locais.
  • Comunicação e ativismos global e local.

Slow Food

O Slow Food segue o conceito da ecogastronomia, reconhecendo as fortes conexões entre o prato e o planeta. Bom, limpo e justo: é como o movimento acredita que deve ser o alimento. O alimento que comemos deve ter bom sabor; deve ser cultivado de maneira limpa, sem prejudicar nossa saúde, o meio ambiente ou os animais; e os produtores devem receber o que é justo pelo seu trabalho.

A região de Turim, na Itália, é o berço do Movimento Slow Food – Chiara Appendino, o novo prefeito de Turim, capital do Piemonte, lançou o manifesto que promete fazer a promoção de dietas vegetarianas e veganas a sua nova “prioridade”. No documento de 62 páginas ele decreta “na cidade está prevista a criação de projetos educacionais nas escolas para ensinar os alunos sobre o bem-estar animal e a nutrição.” Appendino disse que as dietas vegetarianas seriam incentivadas “para proteger o ambiente, a saúde e os animais”. Será que ele convence os Italianos? Será que esta onda chegará ao Brasil? Vamos aguardar.

A super-horta e o exemplo californiano

Jules Dervaes mora com seus filhos Anais, Justin e Jordanne, em uma casa em Pasadena, Califórnia, não muito longe de Los Angeles. Mas, ao chegar à parte de trás da casa, mudam as noções de espaço e tempo, e o visitante se sente como se estivesse em pleno campo.

Quilos de comida – Os Dervaes produzem, em seu próprio terreno, cerca de 2.700 kg de alimentos por ano, com uma lista variada de mais de 400 produtos: vegetais, frutas, ovos, leite, geleia, mel, chocolate e condimentos, com destaque para a produção anual de 2 mil ovos e 20 kg de mel. Além desta abençoada colheita, eles produziram 95% dos alimentos que necessitavam em um ano, gerando uma economia total anual de 75 mil dólares. Ainda 60% da colheita da casa é consumida entre os familiares, 30% é vendido ao público e 10% serve para alimentar os animais. A conta de água da propriedade fica em média 600 dólares por ano. Já a partir de 2004, toda a casa e a plantação foram abastecidas integralmente com energia solar. Eles ainda conseguem produzir seu próprio biodiesel. Jules define seu estilo de vida e de pensar: “É uma forma de vida alheia ao consumismo e à rapidez que caracterizam o mundo atual. É uma volta aos valores de nossos antepassados”. Além da produção de alimentos, a família organiza sessões de cinema e de música tradicional em sua casa e se oferece para cuidar das crianças da vizinhança quando os pais precisam. Os vizinhos ideais, não?