Robô auxilia aprendizado de crianças autistas

Ideia foi dos alunos Lucas Olímpio de Brito e Wendell Pereira Barreto da Silva, da Fatec Carapicuíba

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Foto: Gastão Guedes/Centro Paula Souza

Um robô que anda, fala e propõe desafios para estimular a comunicação e a concentração de crianças com autismo. Batizado de Aria, sigla que significa Assistente Robótico de Inclusão ao Autista, o projeto desenvolvido por dois alunos da Faculdade de Tecnologia do Estado (Fatec) Carapicuíba tem como objetivo ser um novo aliado no tratamento dos portadores da deficiência.

A proposta dos estudantes Lucas Olímpio de Brito, de 19 anos, do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas, e Wendell Pereira Barreto da Silva, de 22 anos, do curso de Jogos Digitais, foi uma das principais atrações da 10ª Feira Tecnológica do Centro Paula Souza (Feteps), em outubro, e conquistou o primeiro lugar na categoria Saúde e Segurança. Os jovens foram orientados pelo professor Thiago Xavier de Farias e coorientados pelo professor João Eduardo Vieira.

Com sua estrutura formada por peças de filamentos de plástico, projetadas pelos alunos e modeladas pela impressora 3D do Laboratório de Robótica da Fatec, o robô se movimenta e oferece seis jogos digitais educativos, como quebra-cabeças, disputa de corrida com personagens, formação de palavras com sílabas e identificação de animais pelos sons. A interação ocorre por meio de sensores e uma tela de smartphone.

Wendell explica que são games especiais, com interface gráfica simples e instruções dadas verbalmente para facilitar a compreensão da criança. “Nossa pesquisa constatou que os autistas têm uma enorme atração por tecnologia. Então, elaboramos um modelo com características claras de um robô, mas com detalhes que remetem a uma relação mais humana, com olhos, pernas, movimentos e voz”, afirma.

O robô bípede será o primeiro projeto incubado no recém-inaugurado Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do Centro Paula Souza, que fica na própria Fatec Carapicuíba. Com o apoio da Agência Inova Paula Souza, o NIT foi criado visando oferecer suporte na formação de startups nos segmentos de robótica, jogos digitais, realidade virtual, captura de movimento, gamificação e apps & sistemas.

O próximo passo dos alunos será a realização de testes em parceria com institutos que tratam de crianças autistas para identificar ajustes e aprimorar as funções do robô. “Com o suporte da incubadora e da aceleradora de startups, eles terão mentoria e todo o auxílio necessário para lançar a ideia no mercado e tornar o robô acessível para a maior quantidade de pessoas possíveis”, conta Xavier de Farias.