Cotia terá fórum para discutir Indústria 4.0

Novidade foi anunciada pelo diretor do Senai Cotia Alexssandro Augusto Reginato durante palestra para empresários na sede da instituição recém inaugurada na cidade. Na ocasião o professor Osvaldo Lahoz Maia, Gerente de Inovação e Tecnologia do Senai-SP, esclareceu empresários acerca do tema

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Industriários participaram de encontro no Senai Cotia, onde teve palestra sobre o tema

Indústria 4.0 ou a quarta Revolução Industrial, caracterizada pela integração dos mundos real e virtual traz no seu bojo uma imensa gama de alterações no mundo globalizado, que já afetam profundamente três dimensões: tecnologia, novas plataformas de negócios e o capital humano.

Quais a consequências ou vantagens disso para o Brasil? Onde o Brasil pode chegar?  E cidades como Cotia com grandes indústrias de diversos segmentos, que caminhos deverão prosseguir? Há para onde ir? Seremos vanguarda ou ficaremos relegados ao grupo dos seguidores tardios?

O professor Osvaldo Lahoz Maia, Gerente de Inovação e Tecnologia do Senai-SP, disse em palestra para empresários do setor da indústria na Granja Viana  que acredita no potencial da Indústria do Brasil. Mas ainda há um longo caminho a percorrer até atingirmos nossa quarta revolução industrial.

Investimento pesado em tecnologia de ponta, educação de qualidade e decisões políticas são alguns dos fatores essenciais para tirar o Brasil  do grupo dos observadores e levar para os executadores  da Indústria 4.0. O Senai, – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial,  agora também com sede em Cotia, tem uma boa parcela desta responsabilidade, uma vez que tem em suas escolas  condições de preparar os profissionais do futuro que precisarão ser muito mais que engenheiros, mecânicos, usineiros mas precisarão acima de tudo, serem criadores e criativos.

O termo Indústria 4.0, nasceu na Alemanha,  e  passou a ser utilizado nos últimos anos para designar a integração de diversos tipos de tecnologias no processo produtivo. Entre elas estão a chamada internet das coisas; a coleta e o processamento de dados em larga escala – conhecidos internacionalmente como Big Data; a impressão 3D; a robótica avançada e a inteligência artificial.

“Vai mudar muito o mundo da indústria  no Brasil”, comentou o professor Osvaldo. “Mas não  adianta evoluir se  não  trouxer nenhum  beneficio para a sociedade”, completou.

Entre estes benefícios está o uso de robôs nos processos produtivo, e neste caso não se trata do fantasma de substituição de mão de obra humana mas da integração entre máquina e Homem em algumas partes do processo de produção, muitas vezes para poupar o esforço humano. “Mas a criatividade continuará sendo preservada e é exclusiva do ser humano”, daí a necessidade do investimento em formação e capacitação dos profissionais.  “Robô não pensa”, frisou o professor.

Impacto na economia

O ministro doa Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Marcos Jorge, estima que a indústria 4.0 poderá impactar em 28% no Produto Interno Bruto (PIB) até 2030. NO entanto, Osvaldo Lahoz Maia que para o Brasil alavancar neste setor deve aumentar seu índice de competitividade no mercado mundial.

De acordo com dados recentes divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI)o uso de tecnologias digitais entre grandes empresas brasileiras aumentou de 63% para 73% entre o início de 2016 e 2018.

Mas ainda assim, segundo Professor Osvaldo, o Brasil possui uma nota muito baixa em inovação e tecnologia (3.1), mas ainda assim, numa lista de 138 países, ocupa a 80ª posição,  “se salva pelo tamanho do mercado”, comentou. “Precisamos fortalecer nossa indústria”, e para ele, isso se faz  também com pressão aos órgãos do governo.

Portal da Indústria 4.0

Lançado em julho pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços,  o Portal HUB i4.0 (www.hubi40.com.br), tem o objetivo de promover a indústria 4.0, em um esforço conjunto entre o governo e o setor privado.

Professor Osvaldo faz balançao da Industria 4.0 no Brasil para empresários de Cotia e região

O portal faz a integração de temas como robótica, internet das coisas, inteligência artificial e armazenamento de dados na nuvem. Além da tecnologia, a indústria 4.0 deve permear ações de melhoria do ambiente de negócios. Foram listadas 10 medidas, como sensibilização e engajamento da indústria, financiabilidade e conexões globais.

A ferramenta vai funcionar como um marketplace de tecnologia, ou seja, modelo de negócio eletrônico que oferta produtos e serviços de diversos vendedores em um único ambiente.

Ao final do encontro, que reuniu cerca de 100 industriários da região, principalmente de Cotia, o diretor do Senai- Cotia, Alexssandro Augusto Reginato anunciou a criação de um fórum de discussão sobre Indústria 4.0 em Cotia com o objetivo de não só troca de informações entre os empresários mas para auxilia-los a entrarem na quarta revolução industrial que já é realidade em outros países mas engatinhando no Brasil.

Profissões do futuro

Não há dúvida de que a corrida tecnológica vem impactando fortemente as profissões em diversos países do mundo, criando, inclusive, novas atividades para atender a uma demanda crescente do mercado que busca se atualizar frente aos concorrentes.

Diretor do Senai Cotia, Alexssandro Reginato anuncia criação de fórum para discuitir Indústria 4.0 em Cotia

Baseado neste cenário, estudo divulgado pelo Senai mostrou que 30 novas profissões vão surgir ou ganhar mais relevância com a indústria 4.0.

As novas profissões foram identificadas em oito áreas que o estudo realizado pelo Senai considera com aquelas que serão mais impactadas pelas novas tecnologias relacionadas à indústria 4.0: setor automotivo; alimentos e bebidas; construção civil; têxtil e vestuário; tecnologias da informação e comunicação; máquinas e ferramentas; química e petroquímica; e petróleo e gás.

Entre essas profissões estão as de mecânico de veículos híbridos e mecânico de telemetria (automotivo); técnico em impressão de alimentos (alimentos e bebidas); técnico em automação predial (construção civil); engenheiro em fibras têxteis (têxtil e vestuário); engenheiro de cibersegurança especialista em big data (tecnologia da informação); projetista para tecnologias 3D (máquinas e ferramentas); técnico especialista no desenvolvimento de produtos poliméricos (química e petroquímica); e especialista para recuperação avançada de petróleo (petróleo e gás).

O trabalho do Senai destaca que o potencial transformador é maior em alguns setores, entre eles o automotivo. A explicação está no desenvolvimento de tecnologias como a dos carros híbridos e a evolução de ferramentas veiculares como os computadores de bordo, cada vez mais utilizados pelos fabricantes como um atrativo de vendas e comodismo para o motorista. A expectativa é que tecnologias como robótica colaborativa e comunicação entre máquinas por meio da internet das coisas impactem tanto as etapas de concepção quanto as de produção da área automotiva.

É o caso da mão de obra que será exigida para lidar com o computador de bordo, por exemplo. Este sensor responsável pelo monitoramento de dados dos carros, como aceleração, temperatura do motor e do ar, oferece aos motoristas instrumentos para regulagem e programação de velocidade e estimativas de tempo de viagem. É o mecânico especialista em telemetria que programa esses computadores, faz diagnóstico e reparos das redes eletrônicas.

Outro setor que está no centro da quarta revolução industrial é o de tecnologias de informação e comunicação. A segurança no mundo digital tem recebido atenção especial em todo o mundo, principalmente, quando se trata de redes sociais e armazenamento de informações estratégicas em nuvem. Segundo o Senai, esta tem sido apontada como uma das maiores preocupações dos empresários. E isso acende uma luz nas formações como a de engenheiro de cibersegurança e analista de segurança e defesa digital.