Aumenta procura por crédito para projetos verdes

Financiamentos ligados à eficiência energética e energias renováveis cresceram 46% no último semestre e despertam novos negócios no estado.

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A constante busca pela redução do consumo de energia elétrica e maior competitividade tem feito pequenos e médios empreendedores procurarem pela chamada energia limpa, oriunda principalmente das fontes solar e eólica. De acordo com levantamento realizado pela Desenvolve SP – Agência de Desenvolvimento Paulista, só no primeiro semestre deste ano foram desembolsados mais de R$15 milhões em financiamentos para projetos com essa finalidade, um aumento de 46% comparado às liberações feitas no mesmo período de 2017.

Os empresários do interior do estado foram responsáveis por demandar a maior parte dos recursos, representando 74% dos investimentos realizados. Dentre os setores produtivos da economia, a indústria foi o grande destaque, demandando R$ 12,3 milhões. Na sequência aparece o setor de serviços, com R$ 3,5 milhões. Ao todo, desde sua criação, em 2009, a Desenvolve SP já soma R$ 213 milhões em financiamentos de projetos verdes.

“São Paulo importa de outros estados mais de 60% da energia elétrica que consome. Nosso objetivo, alinhado com as políticas de desenvolvimento do Estado, é ajudar a diminuir essa dependência incentivando as empresas paulistas a investir em sistemas e na geração de ao menos parte da sua própria energia, tornando-as mais eficientes e competitivas”, diz Álvaro Sedlacek, presidente da instituição financeira.

Para incentivar a chamada economia verde, a instituição oferece opções de crédito com condições especiais para as PMEs. Atualmente, as taxas de juros partem de 0,17% ao mês (+ SELIC) com prazo de até 10 anos, sendo 2 anos de carência para que as empresas comecem a pagar o empréstimo. São financiáveis a compra e instalação de equipamentos para produção de energia renovável, como placas solares, aerogeradores, equipamentos para pequena central hidrelétrica e biogás de aterro, bem como projetos voltados à redução de perdas e transmissão de energia elétrica, sistemas de recuperação de calor, isolamento de tubulações, entre outros.

A força do sol

Segundo projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), o mercado de energia solar deve movimentar, até 2030, cerca de R$ 125 bilhões, mostrando que esse já é um dos campos mais promissores desse setor e inspirando empreendedores a investirem cada vez mais em fontes de energia limpa. Sustentabilidade para os negócios e para o planeta.

Os sócios Alexandre Bueno e Guilherme Susteras, da Sun Mobi, sediada em São Paulo, são alguns dos visionários que encontraram na linha de crédito da Desenvolve SP o apoio que precisavam para aproveitar essa oportunidade. A startup paulista, considerada a primeira enertech brasileira, já está em seu segundo financiamento com a agência de desenvolvimento. Os investimentos fazem parte da segunda fase do projeto de expansão de uma usina solar, em Araçoiaba da Serra, que tem como expectativa evitar que sejam despejadas 1,1 mil toneladas de CO2 pelos próximos 25 anos.

A empresa utiliza a infraestrutura das redes de distribuição de eletricidade já existentes para fornecer energia a residências e empresas de cidades da Baixada Santista e seu entorno. Como vantagens, seus clientes não precisam instalar painéis fotovoltaicos e ainda podem acompanhar o consumo gerado em tempo real, por meio de um aplicativo, aumentando o controle de gastos. “Nossa perspectiva é continuar expandindo o negócio, com novas usinas em outras regiões, contribuindo com o crescimento do uso da energia solar no Brasil”, Destaca Bueno.

Quem também aderiu à energia solar como fonte de eletricidade para seu empreendimento foi a contadora Solange de Brito, sócia da Idaplast, situada em Hortolândia. A empresa de produção de laminados de plástico viu sua conta de luz reduzir em 85% com a mudança. “Eu precisava aumentar a produção de energia e com o financiamento consegui instalar mais 56 placas fotovoltaicas, chegando a 252. Se eu pagava R$ 6.000,00 antes [na conta de luz], agora já cheguei a pagar R$ 900”, explica a empreendedora.