A Caminho de Hollywood

Uma crônica de José Michel, granjeiro autor de "Laquê na virilha", sobre sua participação em uma entrevista na Revista Circuito.

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A Revista Circuito é uma publicação muito respeitada na região de Cotia e adjacências, onde são distribuídos, mensalmente, cerca de 28 mil exemplares. Possui também uma edição digital e excelente presença nas mídias sociais, igualmente prestigiadíssimos.

Sem dúvida, local perfeito para divulgar o lançamento do meu livro. Enviei um email para lá, pedindo que fosse publicada alguma coisa. Foram muito receptivos — sempre incentivam as iniciativas dos moradores —, mas, claro, com a agenda cheia, e em cima do laço, não conseguiriam publicar, e a Juliana Martins Machado, jornalista muito querida, desafiou: topas fazer uma Live?

Como a história não fala dos covardes — ou alguém já viu, leu ou ouviu falar alguma coisa do tipo “o General Fulano ficou muito conhecido quando saiu correndo, ou fez a volta e avançou, quando confrontado pelas tropas do General Sicrano?”. Claro que não! E topei na hora!

A entrevista correu dentro do previsto: comecei com um quiquiqui básico, até relaxar, entremeado com ligeiras imprecisões tipo esquecer a data do lançamento. Com os nervos à flor da pele, fiquei com a boca seca, e encerrada a entrevista, eu estava com os lábios quase colados. Juliana, educadíssima, disse “foi ótimo!”, até parece. A mesma coisa que o meu fã clube caseiro: “excelente!” — e encheram a página da Revista de “likes” e comentários elogiosos.

À noite, testei a reação do público, ao sair para jantar com a digníssima. Ao entrarmos no restaurante, percebi olhares furtivos, discretos. “Fui reconhecido!” — pensei, e comentei com ela, que não pareceu impressionada. Outro casal, que cruzamos de passagem, chegou a olhar com rabo de olho. “Consagração”, essa seria a melhor palavra para descrever aquele momento.

Sentamos, pedimos nossas bebidas, conversamos um pouco e fomos nos servir no buffet de saladas. Foi quando um adolescente de 17-18 anos, me abordou discretamente — pensei que fosse pedir autógrafo —, e sussurrou, no meu ouvido:

— Mano, cê tá pagando mico, cê tá com a braguilha toda aberta! — e se afastou com sorriso irritante.

Não deixei a peteca cair, só podia ser inveja, preciso me acostumar, isso acontece muito com todas as celebridades. Disfarcei e retornei à mesa, onde me recompus. E conclui que a minha marcha batida para Hollywood não foi abalada. Fica esperto, Brad Pitt!

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