Como explicar o frio desta primavera

A queda nas temperaturas vem sendo percebida com frequência neste mês de novembro e em outubro, tanto em São Paulo quando no Rio de Janeiro, contrariando o que seria normalmente esperado para uma primavera.

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Foto: Pixabay

São Paulo e o Rio de Janeiro sentiram mais uma vez a queda brusca nas temperaturas durante o feriadão prolongado. O ar úmido e frio que voltou a se espalhar pela região, fez muita gente se perguntar de novo: onde está o calor da primavera? Esta situação que vem sendo observada com frequência desde outubro, tem uma explicação meteorológica. E, será que dezembro também vai ser frio?

São Paulo registrou temperatura mínima de apenas 14,2°C no feriado de 20 de novembro. Na zona sul da cidade, a sensação térmica chegou aos 12°C à noite! Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), esta foi a menor temperatura na capital desde 29 de outubro, quando a mínima observada foi de 13,4°C. Além disso, o tempo nublado e muito úmido, não deixou a temperatura subir e a máximafoi de apenas 19,5°C na tarde do dia 21 de novembro. Foram novamente temperaturas muito baixas para esta época do ano.

Outubro de 2018 já foi destaque, como o outubro com média de temperatura máxima mais baixa na cidade de São Paulo desde 2010.

O Rio de Janeiro também teve um feriado frio. O tempo encoberto, a chuva e o vento de origem polar resultaram na tarde mais fria desta primavera até agora. O INMET registrou temperatura máxima de apenas 22,1°C na Vila Militar, zona oeste da cidade.

Um dos fatores que deixado a cidade do Rio fria é justamente o excesso de chuva e de nebulosidade. A chuva de outubro já ficou acima da média histórica e novembro vai pelo mesmo caminho.

Por que está faltando calor?
A queda nas temperaturas vem sendo percebida com frequência neste mês de novembro e em outubro, tanto em São Paulo quando no Rio de Janeiro, contrariando o que seria normalmente esperado para uma primavera. As frentes frias continuam passando com regularidade trazendo massas polares fortes para um mês de novembro. Esta situação já havia sido observada em outubro.

“As últimas massas polares estão mais fortes sobre o mar, isso é fato, mas o problema é que o Oceano está mais quente do que o normal ao largo da costa Sul do Brasil. Assim, as massas polares têm ficado em uma posição diferente, deixando o vento paralelo à costa do Sudeste”, explica a meteorologista Patrícia Madeira. “Desta forma, elas trazem mais umidade do que o normal, formando mais nuvens, deixando o céu carregado”, completa Madeira.

A faixa leste de São Paulo vem sendo afetada diretamente por esta umidade e a presença da Serra do Mar estimula a formação das nuvens baixas, que deixam grande parte do céu nublado. Já no interior do estado, a queda de temperatura não tem sido tão forte como na capital e litoral. O Rio de Janeiro, por ser uma área litorânea, também recebe diretamente o vento úmido de origem polar, após o deslocamento das frentes frias.

Quando o calor vem para ficar?
Falta um mês para a entrada do verão 2018 e a pergunta é: quando volta a esquentar para valer? Os modelos meteorológicos ainda indicam que pelo menos até meados de dezembro teremos vários dias com muita nebulosidade e temperatura amena. Mas, é claro, que nos dias com mais sol, as temperaturas também sobem rapidamente. Patrícia Madeira afirma que a segunda quinzena de dezembro promete calor. O verão de 2018 começa no dia 21 de dezembro, às 20h23, no horário brasileiro de verão.