Sou aquele tipo de pessoa que mal termina umas férias e já está planejando as próximas. Você é ou conhece alguém assim?

Em outubro do ano passado minhas férias foram em Orlando com toda a família. Foi uma viagem incrível e muito especial. No entanto, minhas férias terminaram, o ano acabou, os meses foram passando, já era abril de 2018 e eu não sabia qual seria meu próximo destino, o que para mim era algo muito diferente e até um pouco estranho.

Sabia que estava buscando um local onde tivesse contato com a natureza e pudesse fazer trilhas e caminhadas, que por sinal gosto muito. Cogitei alguns lugares, como Chapada Diamantina e Bonito, mas verdadeiramente não sabia que caminho seguir.

Até que em um final de semana sentada na praia, rolando a famosa tela do Facebook, vi um post de um amigo com uma foto, 12 anos que havia terminado o Caminho de Santiago de Compostela. Nessa hora me deu um frio na barriga, fiquei toda arrepiada e pensei comigo “é esse o meu próximo destino”.

Dizem que o Caminho de Santiago é um chamado e se isso for real, naquela hora ele me chamou. Mostrei o post para o meu marido e perguntei o que ele achava, sua resposta foi “eu fecho”.

Decidimos esperar alguns dias para amadurecer a ideia e nesse tempo comecei a fazer pesquisas sobre o meu destino. Aproximadamente 15 dias depois compramos as passagens para Madri, tínhamos decidido fazer a última parte do Caminho. São 115 km na região da Galícia, que vai de Sárria até Santiago de Compostela.

Iniciei várias pesquisas na internet como o que levar, onde se hospedar, como se preparar fisicamente para essa jornada, entre outras coisas.

Matriculei-me em uma academia ao lado do local onde trabalho e comecei a treinar, andaria em torno de 15 a 20 km por dia e precisava fortalecer minha musculatura fazendo musculação. Confesso que academia nunca foi o meu forte e lá estava eu diante do meu primeiro grande desafio.

Outro desafio seria levar tudo que eu preciso para viver durante 15 dias dentro de uma mochila, que até então eu nunca tinha viajado com uma nas costas.

Percebi que o Caminho já tinha começado e que eu precisaria preparar corpo e mente para essa jornada.

Iniciei os treinos de caminhada, caminhei na praia, montanha, asfalto e na esteira.

Os treinos de musculação nunca me agradaram muito, para o que alguns é um momento de prazer, para mim não era bem assim. Acabei não seguindo à risca o treino, coincidência ou não comecei a ter dores nos joelhos depois de um tempo de longas caminhadas.

Procurei um médico ele receitou medicamentos, bolsa de agua fria e me encaminhou para a fisioterapia.

Segui meus treinos e as orientações médicas, a data da viagem foi se aproximando, no entanto a minha dor nos joelhos não passava.

Uma semana antes da viagem suspendi a academia, parei as fisioterapias e deixei meu corpo e minha mente descansarem sobre isso. Nessa fase confesso que senti medo, e me veio à mente “e se eu não conseguir fazer o Caminho”?

A verdade é que eu não sabia mais se daria certo ou não, mas eu estava disposta a tentar de qualquer forma.

Tomei injeção, troquei remédios e na data marcada peguei o avião e segui o meu caminho, confiante de que Deus estava comigo e me acompanharia em cada um dos meus passos.

O tempo que fiquei no Caminho foi de intensas reflexões. Apesar de estar com meu marido, grande parte do tempo ficávamos em silêncio ou até mesmo andando em ritmos diferentes. Foi um mergulho dentro de mim, que me rendeu muitos aprendizados.

Compartilho aqui seis deles:

1 – Mudar é preciso

Eu falava que nunca viajaria com uma mochila nas costas, nunca me hospedaria em albergues e morria de medo de locais onde houvesse animais. Vivi tudo isso no Caminho, sair da zona de conforto nos trás novas experiências e grandes aprendizados.

2 – Viver com o mínimo é o máximo

Para fazer o Caminho recomendam que sua mochila tenha até 10% do peso do seu corpo, o que me fez colocar nela exatamente o que eu precisaria para o tempo da viagem, afinal, para que carregar grandes pesos nas costas? Isso nos faz refletir sobre todos os pesos que carregamos nas nossas vidas e que podemos simplesmente deixar de lado, como situações do passado, mágoas, falta de perdão, raiva e tudo aquilo que não faz sentido carregar e acaba deixando nossa jornada muito mais pesada e difícil.

Desapegar daquilo que não precisamos carregar, seja no mundo material ou emocional, é o máximo.

3 – Compartilhar é o caminho

Durante o Caminho usei a bota e a mochila de uma amiga que já havia feito o Caminho, não precisei comprá-las. Lá me hospedei em alguns albergues, compartilhei banheiro, cozinha, comida, quarto, o varal onde estendia minhas roupas, já que era preciso lavá-las todos os dias, compartilhei ideias, informações e dicas.

Ninguém pode viver sozinho, não tem como passar pelo caminho da vida sem compartilhar.

 

4 – Somos todos peregrinos

Milhares de pessoas fazem o Caminho de Santiago, pessoas de diferentes países, classes sociais, idades distintas, todos tendo como destino final a cidade de Santiago de Compostela.

Assim também é na vida, cada um de nós está fazendo seu caminho, da sua forma, no seu ritmo e lá na frente, mais cedo ou mais tarde, teremos o mesmo final. Somos todos peregrinos nessa terra.

 

5 – Minha competição é comigo mesma

Às vezes temos a sensação de estarmos sempre atrás dos outros na corrida da vida, que não somos bons o suficiente e que não vamos conseguir nunca o “primeiro lugar”.

Nossa grande competição é com nós mesmos. É preciso trabalhar duro para perder nossos medos, confiar mais em nós mesmos, superar nossos próprios recordes, não perder tempo olhando para os lados, olhar para dentro de si e trabalhar.

Fiz o Caminho da minha maneira, no meu ritmo, usando aquilo que tenho dentro de mim. Não estava lá para olhar para ninguém a não ser para mim mesma e essa experiência foi muito grandiosa.

6 – Você é mais forte do que imagina

Ao chegar ao ponto final do caminho, que é a Catedral de Santiago de Compostela, o primeiro pensamento que veio à minha mente foi que eu era mais forte do que imaginava.

Quantas vezes fazemos coisas incríveis e simplesmente deixamos de lado nossas conquistas, não pensamos nelas e esquecemos a força que temos.

Diante das dificuldades e dos medos eu tinha completado a peregrinação e isso me deu a certeza de que posso ir muito além.


Renata Trinta – Idealizadora da Rethink Coaching. Ajuda pessoas no Brasil e no mundo a reconhecerem seus dons e talentos, acreditarem mais em si mesmas, viverem uma vida plena, com mais propósito e traçarem seu caminho de sucesso. Saiba mais sobre seu trabalho em www.rethink-coaching.com