Temporada de chuvas deixa cidades e Defesa Civil em estado de atenção

Prefeituras informam que realizaram ações preventivas e áreas de risco são monitoradas pela Defesa Civil. Cidadãos podem receber alertas pelo celular e se prevenir contra eventuais problemas que podem vir com as chuvas

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Chuvas fortes, tempestades, queda de granizo, ventos e descargas elétricas são comuns nesta época do ano em que as temperaturas estão mais altas. E este ano, bem mais altas que o ano passado de acordo com prognósticos do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC-Inpe) e do Instituto Nacional de Meteorologia, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Inmet-Mapa). A temperatura média em janeiro e fevereiro deve superar os 31,5ºC.

A explicação para isso, segundo o CPTEC, está na ocorrência do fenômeno El Niño, causado pelo aquecimento acima do normal das águas do Oceano Pacífico à altura da linha do Equador, entre as costas oeste da América do Sul e leste da Oceania.

O resultado disso é sentido em todo o mundo, com secas mais intensas em algumas partes, como, por exemplo, Austrália, Filipinas, Equador e regiões Norte e Nordeste do Brasil. E chuvas torrenciais e inundações em outros, como no sul país e no México e Estados Unidos. O fenômeno também provoca temperaturas mais elevadas, como já percebidas.

Um desses reflexos começou a ser percebido no primeiro dia do ano, quando um temporal atingiu diversas cidades da região Metropolitana de São Paulo e causou estragos. A cidade mais atingida foi Santana de Parnaíba que teve a Estrada dos Romeiros, principal via de acesso à cidade, interditada por uma cratera. Na última terça-feira (8) a região foi surpreendida por uma tempestade de granizo que assustou e colocou em check o sistema de monitoramento e prevenção das cidades,

Carapicuíba e Cotia estão entre as duas cidades da região que informaram à reportagem da Revista CIRCUITO  que  anteciparam as medidas de combate às enchentes e alagamentos e outras ações preventivas, o que espera-se que resultem em um verão mais tranquilo, sem enchentes, alagamentos ou transtornos para seus moradores, sobretudo aqueles que estão nas chamadas áreas de risco.

As cidades da região não possuem um centro de gerenciamento de emergências e utilizam os serviços do Centro de Estudos e Pesquisas sobre Desastres – CEPED, que envia boletins meteorológicos e alertas diários sobre chuvas e tempestades.

A prefeitura de Carapicuíba, informou que os trabalhos preventivos começaram em 2017, quando firmou convênio com Barueri e efetuou o desassoreamento do Rio Cotia, localizado na divisa entre as duas cidades. “A obra fez com que o curso das águas voltasse a fluir com normalidade e as chuvas deixaram de ser motivo de preocupação aos moradores da região”.

Para melhorar as condições de escoamento a prefeitura de Carapicuíba informou que instalou mais de um quilômetro de tubos para captação de águas pluviais nos córregos da cidade. “As atividades de prevenção incluem ainda instalações de tubos para capitação de águas pluviais e as operações diárias de limpeza de boca de lobo, cata-treco e retirada de entulhos.”

Já em Cotia, que tem um histórico de alagamentos provocados pelas cheias do Rio Cotia,  que corta boa parte da cidade, tem registrado nos últimos meses poucos pontos com alagamentos, segundo informações da Defesa Civil local. Jardim Panorama, Jardim Sandra na região central, Jardim Santa Isabel, na divisa com Osasco além do Parque Rizo e Jardim Japão continuam sendo os pontos mais problemáticos, “contudo com menor incidência”, segundo a prefeitura. “O monitoramento destas áreas é feito periodicamente pela Defesa Civil”.

Entre as ações preventivas destacadas pela prefeitura de Cotia para conter enchentes e alagamentos estão cortes de árvores em risco eminente de queda, taludes e áreas de risco além de obras de desassoreamento através da secretaria de Obras nos córregos, tubulações, galerias e boca de lobo. Defesa Civil realiza também palestras educativas nas escolas.

AS prefeituras de Embu das Artes, Barueri e Vargem Grande Paulista também foram indagadas sobre quais ações preventivas estão  executando mas não responderam até o fechamento da matéria.

Operação chuvas de verão

Desde o dia 1º de dezembro, a Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil do Estado de São Paulo (CEPDEC/SP) conduz as atividades da Operação Chuvas de Verão, que se estende até 31 de março em todo o território paulista.

Vale destacar que, durante a operação, são deflagrados os Planos Preventivos de Defesa Civil (PPDCs), específicos para escorregamentos e inundações, com o objetivo de prevenir e abrandar os impactos associados aos eventos típicos da estação.

Ao todo, são executados oito planos preventivos, que abrangem as 175 cidades mais vulneráveis do Estado, dos quais um específico para inundações (Vale do Ribeira) e sete para deslizamentos: Região Metropolitana de São Paulo, Vale do Ribeira, Baixada Santista, Vale do Paraíba e Serra da Mantiqueira, Região de Campinas, Região de Sorocaba e Região de Itapeva.

Alertas no celular

O serviço foi desenvolvido pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil e está sendo implementado pela Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil para avisar os paulistas sobre incidência de chuvas nas regiões por meio de SMS no celular sempre que a Defesa Civil identificar uma probabilidade de risco mais severa na área que abrange o CEP indicado.

Para tanto é necessário fazer um cadastro. Basta enviar um SMS para o número 40199, escrevendo o CEP de interesse. Para registrar mais de um endereço, é necessário enviar uma mensagem por vez. Não há limite para a quantidade de CEPs que podem ser cadastrados.

Os alertas são curtos, com até 160 caracteres, e têm o objetivo apenas de informar sobre um possível risco. A qualquer momento, a população pode buscar informações detalhadas no site da Defesa Civil Estadual, incluindo orientações sobre o que fazer em cada situação.

(Por Sonia Marques)