Moradores vão pedir a Dória inauguração do Parque Jequitibá

Uma dos maiores fragmentos de Mata Atlântica da Região Oeste, na Granja Viana, permanece fechado à visitação. Escolas querem levar alunos para projetos educacionais em suas trilhas.

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Reunião de professores no próprio Parque Jequitibá, para preparação do projeto pedagógico do parque.

Moradores dos bairros de Butantã e Parque Ipê, em São Paulo, e das cidades de Osasco e Cotia, além de professores de escolas estaduais e municipais, reuniram-se para planejar juntos uma ação para reivindicar do governo estadual a abertura do Parque Tizo, recentemente renomeado como Parque Jequitibá, uma área de 1,3 milhão de m² (do tamanho do Parque Ibirapuera) situada nas divisas entre as cidades de São Paulo, Osasco e Cotia (na Granja Viana, próximo ao Residencial Gramado).

O parque, destinado por seu decreto de criação, de 2006, para finalidade educacionais, ainda mantém o acesso proibido aos estudantes e às escolas que pretendem excursionar e ministrar cursos ali. Isso apesar de já contar com trilhas estruturadas, monitores e vigias trabalhando.

Havia a previsão de inauguração do parque em 6 de dezembro do ano passado, porém o então governador Márcio França não conseguiu agenda para o evento, por isso ele foi adiado. A transição de governo pode ter tido algum efeito nessa demora.

Croquis das obras do parque Tizo, divulgado em 2012

Os professores de escolas estaduais, como a Fernando Nobre e a Jardim Santa Tereza, assim como municipais, como a Teófilo Benedito Ottoni, de São Paulo, já participaram de atividades realizadas junto à Secretaria de Meio-Ambiente do Estado no local, e querem entrar com seus alunos. Muitas delas já incluíram atividades no parque no planejamento educacional deste ano.

Uma das reuniões que estão acontecendo com entidades e professores para discutir o Jequitibá. Esta foi na Vila Nova Esperança, na divisa do parque com Taboão da Serra.

Paula Leocádia Pinheiro Custódio, assistente técnico de educação da Diretoria Regional de Educação do Butantã, representante da DRE no Grupo de Trabalho Sustentabilidade e que tem participado das reuniões das entidades, lembra da importância regional do parque e do seu “potencial integrador” não só para a Região Oeste mas para toda a cidade de São Paulo. “O desafio do trabalho pedagógico na perspectiva da Educação Integral nas escolas públicas é envolver o território como possibilidade de trabalho para além da sala de aula. Além disso, irá consolidar uma metodologia de mobilização em rede, articulação intersecretarial, pela preservação de parques que poderá ser replicada em outras regiões da cidade. O Jequitibá é um modelo e um exemplo de ação com grande potencial educador”, afirmou Paula. Segundo ela, há diversas escolas mobilizadas para ações com seus alunos no parque.

 

Conselho eleito em abril ainda não foi oficializado

As entidades ambientalistas também reivindicam a publicação no Diário Oficial do Estado do Conselho Consultivo do parque, eleito em abril de 2018 e até agora não nomeado formalmente. Essa demora estaria acontecendo porque um dos órgãos estaduais ainda não teria indicado um nome para compor o conselho.

“Já faz quase um ano da eleição e ainda não se oficializou o conselho, é necessário discutir questões como a sustentabilidade e as atividades educacionais no parque e as entidades têm projetos para o local. O Conselho é o ambiente adequado para esses debates. Não há o que justifique tamanho atraso”, afirmou Fábio Sanchez, integrante do conselho consultivo eleito.

Quando inaugurado, o Parque Jequitibá será uma grande opção de lazer para a população da região oeste da Grande São Paulo. Trata-se do primeiro grande fragmento de Mata Atlântica a Oeste da capital a enfrentar a mancha urbana da cidade de São Paulo. É por isso uma das maiores responsáveis pela redução do calor urbano em região como Granja Viana, Cotia, Embu, Osasco etc.

O parque já tem administrador responsável, cercamento, vigias, trilhas, monitores e equipamentos para recepção de visitantes, como banheiros e salas de reuniões.

O parque já conta com um planejamento pedagógico elaborado pela Coordenadoria de Educação Ambiental da própria Secretaria Estadual de Meio-Ambiente, em conjunto com professores de instituições de ensino públicas e privadas do entorno.

Há ainda um grupo de trabalho composto por entidades ambientalistas e arquitetos focado na sustentabilidade do parque, que pretende trazer parcerias para a implantação de equipamentos já previstos no seu Plano Diretor, tal como um mirante na parte alta do Rodoanel que permite visualizar diversas cidades da Grande São Paulo e tem potencial para ser um ponto de grande atração turística no Jequitibá.

 

Entidades podem ir ao Ministério Público

As entidades já solicitaram reunião com a nova Coordenadora de Parques Público do Estado de São Paulo, Rafaela Di Fonzo Oliveira, para informá-la dos trabalhos das entidades e da situação bem avançada dos preparativos do parque para sua inauguração. Discutiram também a possibilidade de realizar um abaixo-assinado nas cidades vizinhas ao Parque, São Paulo, Cotia, Osasco, Embu das Artes e Taboão da Serra, solicitando a inauguração do parque e o início das atividades educacionais, além de reunir material para ser entregue ao Ministério Público do Meio-Ambiente da Capital.