O destino camaleão

Na coluna desta quinzena, Layla Foz escreve sobre as maravilhas tailandesas, "que tiram o fôlego de qualquer um".

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Já faz um tempo que fui para a Tailândia, mas quando pensava no destino da vez me veio uma vontade de mergulhar na saudade, e esse país tão diverso é certamente o que me oferece esse sentimento na sua forma mais densa.

Comecei essa viagem pela capital, Bangkok, e pela primeira vez fui sem ver nada antes. Sem nenhuma pesquisa ou expectativa eu me surpreenderia invariavelmente. E assim foi!

Como uma quase regra asiática, a cidade é moderna ao extremo em certas coisas, como o transporte público, e precária na mesma proporção em outras, como na organização do trânsito.

QUANTA MOTO! Elas devem compor mais da metade dos veículos da cidade e qualquer turista pode alugar uma, nem precisa ter carteira de motorista. Eles dirigem no sentido oposto ao nosso, estilo Inglaterra, e como se não bastasse isso, a raridade das faixas de pedestres deixa tudo mais confuso ainda.

Para completar a bagunça, os táxis cor de rosa dividem o mercado com os tuktuks, motos com cabines abertas atrás, que circulam por rodovias em alta velocidade naturalmente. A experiência proporciona uma bela discarda de adrenalina.

As calçadas sempre lotadas de barraquinhas de bugigangas e comidas, desde crepres até escorpiões no palito, pé de galinha, lulas desidratadas, entre outras delícias apimentadas. Estabelecimentos de massagens e estética também são muito presentes.

Só de andar nas ruas já somos expostos a muitas novidades, incluindo a arquitetura. Nos subúrbios as casas de palafitas chamam bastante atenção, e as típicas construções asiáticas que achamos que estarão em todos os cantos, como nos filmes, não são exatamente tão frequentes, aparecendo mais em templos, santuários e afins.

Os templos são de tirar o fôlego de qualquer um. Tão minuciosamente calculados que assusta! Arquitetos devem pirar quando visitam esses lados. Os detalhes super complexos, as proporções, as pinturas, esculturas, a jardinagem… tudinho!

Bangkok comporta centenas de templos mas os imprescindíveis eu diria que são Wat Pho, Wat Saket, Wat Phrakaew e Temple of Dawn.

A grande maioria do país é budista, e é comum ver muitos aspectos dessa religião tão inclinada para filosofia, que portanto se torna uma cultura. Nela, pessoas “normais” têm cinco regras a seguir: não roubar, não matar, não trair, não mentir e não usar drogas – o que inclui álcool.

Já os monges, aqueles vestidos em panos cor de laranja e de cabeça raspada, têm mais de 200 regras. Até o jeito de andar. Já imaginou? São muito respeitados e têm até assentos preferenciais em transportes públicos. Interessante também que para cumprimentar alguém você leva as palmas juntas em frente ao peito e se curva um pouco. Quanto mais elevá-las mais respeito; para eles se eleva as mãos até a testa.

Os budistas se ajoelham para rezar porque não podem apontar os pés para Buda, já que consideram a parte menos respeitosa do corpo. Até por isso, para entrar em templos e visitar as imagens sensacionais dessa religião é preciso tirar os sapatos, estar com os ombros cobertos e roupas abaixo do joelho. Um protocolo necessário, mas que vale a pena, pode acreditar.

Já o povo tailandês é o sonho de qualquer turista. Simpáticos e hospitaleiros, sempre fazendo brincadeiras, querendo dançar, curtir e viver bem, que afinal, é o que importa! Bem parecidos com o brasileiro nesse sentido.

Eu tinha escutado que era um povo muito peculiar, no bom sentido, e de fato há algumas coisas que chamam atenção, como os lady boys. Explico: meninos com cerca de 14 anos escolhem qual gênero se identificam e têm que aderi-lo para resto da vida. Ou seja, existe a livre opção, exclusivamente para meninos na puberdade, de se tornarem transgêneros, sem o menor preconceito, inclusive com respeito cultural, o que é incrível!

As baladas em Bangkok proporcionam atmosferas pesadas, no meu ponto de vista; os bares são mais “tranquilos”. Pela vista linda o Sky Bar e o Sirocco são meus favoritos, mas na maioria das vezes são ruas cheias de estabelecimentos do setor de entretenimento, como a famosíssima Khao Sam Road, que aparece bastante no filme “Se Beber Não Case 2”.

Por entre bares, gringos consomem incessantemente de carrinhos de locais que vendem comida, tererês, tattoos, massagens e todo o tipo de loucura – do melhor tipo!

Claro que existem ambientes similares mas mais diurnos, como o Chatuchak, ou Weekend Market, uma feira com todos os tipos de produtos e serviços, que acontece só aos fins de semana e são imperdíveis.

Já numa proposta diferente, também indico as Feiras Flutuantes. Principalmente de frutas e vegetais, tomam conta dos canais e são acessadas por canoas pelos nativos. Sim, turistas podem pagar para terem a experiência dos infinitos estímulos de um passeio de canoa pela feira, e vale muito a pena.

Para qualquer tipo de feira, não só em Bangkok mas na Tailândia toda, vale lembrar da importância da pechincha. Pode oferecer 50% do preço de qualquer coisa que os vendedores vão concordar sem hesitar.

Também visitei 3 ilhas do leste tailandês. Koh Samui é linda de beleza natural até para nós brasileiros que temos um padrão difícil de se alcançar. O passeio de Jeep pela floresta é bem famoso, dá para fechar em qualquer estabelecimento de turismo, e passa por uma cachoeira linda, pelas famosas Pedras do Avô e da Avó (de uma lenda deles), oferece um almoço num retiro de monges afastado e termina no Buda gigante, no topo da ilha, com uma vista surreal.

O santuário de elefantes é bem especial e você pode alimentar, acariciar e até passear nesses animais tão únicos.

Mas o que mais gostei de Koh Samui foi o Jardim Mágico, uma florestinha cheia de esculturas que representam o paraíso da religião budista e todas as fases das vidas de Buda na Terra. Uma energia singular.

Já na ilha de Koh Tao, mundialmente conhecida pelos mergulhos, não dá para deixar esse programa de fora. Os corais mais alucinantes, com anêmonas fosforescentes e peixes de todas as cores numa água cristalina compõem um dos programas mais estonteantes da minha vida. Fora a parada na única praia do mundo que conecta 3 ilhas.

Recomendo o hotel que fiquei, Charm Churee Villa, composto de bangalôs conectados uns nos outros por escadinhas de arquitetura bem diferente, com vários restaurantes dentro e vistas lindas; sem contar a praia particular, com direito a peixinhos, pepinos-do-mar aos montes e plataformas no mar, de onde se assiste o pôr-do-sol mais lindo que já presenciei.

Gosto muito dessa conexão com a natureza em Koh Tao, mas para quem é mais da balada, dois bares (WTF e Next) vão até mais tarde que o toque de recolher à meia-noite. Os shows com bolas de fogo são muito comuns nos eventos noturnos no país todo e nessa ilha interagíamos com eles: no meio da balada, uma vara pegando fogo e as pessoas tentando passar por baixo, se envergando para trás, cada vez mais baixa… Para os corajosos, é bem divertido!

Fui a outra festa legal por lá também: The Castle. Tem várias edições do evento com diferentes propostas; na que fui, você comprava um fone de ouvido e a música tocava individualmente. Meio estranho não conseguir conversar e mais estranho ainda tirar o fone e o ambiente estar naquele mega silêncio. Ainda assim, curti a experiência.

Com o mesmo catamarã que usei para ir e vir das outras ilhas, fui para Koh Phanghan, ilha conhecida pelas festas da lua que atraem turistas do mundo todo. Enquanto a da lua cheia é na praia, a da meia lua é na selva, e pintoras tailandesas pintam flores, mandalas, e linhas abstratas que percorrem todos os rostos e corpos; uma das minhas partes favoritas.

Nessa ilha também dá pra fazer kayak, muay-thai, escalada e uma série de outras atividades. Eu optei por relaxar na praia e receber massagens, a Tailândia é famosa por suas massagens, com um preço super em conta.

Por fim, vale buscar também pela noite de soltar lamparinas e fazer pedidos. É mágico e arranca lágrimas de emoção.

Para aqueles que gostam de eternizar as viagens com tatuagens, a Tailândia é o lugar. Eles tem uma técnica ancestral de tatuagem com bamboo, bem peculiar e tradicional. Eu fiz minha primeira lá.

Na Tailândia não tem muito como errar, apenas vá aberto para todas as maravilhas que essa terra tem a oferecer.

Sawa dee!

 

 

 


SOBRE A AUTORA – Foi aos 16 anos que a jovem Layla Foz saiu da Granja Viana para ganhar, não só o mundo, mas seguidores nas redes sociais. Essa leonina, granjeira da gema, cresceu e apareceu. Começou com o blog “Aos Olhos de Quem Vê” e hoje mantém um canal sobre lifestyle no Instagram, com 138 mil seguidores. Isso sem falar no site CallMeLayla, em que comercializa produtos de moda com pegada sustentável. Mora no Havaí, viaja pelos quatro cantos do mundo e influencia por onde passa.