Não sei se o sul da Índia é mais desenvolvido que o norte e noroeste, que já havíamos visitado, ou se haviam passado já alguns anos da nossa última visita, mas a verdade é que, encontrei uma Índia diferente da que havia visitado nos anos anteriores.
Mais limpa (mas nem tanto), mais organizada e um povo menos miserável.
A paisagem muda radicalmente…da aridez do norte para uma paisagem tropical e úmida do sul.
Conseguimos uma passagem baratíssima para Bangalore, numa destas promoções relâmpago, por US 1000,00 e lá fomos nós!
Tinha uma curiosidade muito grande com relação aos templos hinduístas do sul da Índia, que são esculpidos em pedras e muito coloridos.
E não faltou visitas a templos nesta viagem ao sul. Diz-se popularmente que no norte do país o foco são as visitas aos fortes, e no sul, visita aos templos hinduístas.
Vimos uma religiosidade muito forte nas suas diversas crenças, de imensa importância na estruturação da sociedade indiana.
A visita a um templo para o indiano é regido de diversos rituais. Um dos que observei foi que ao se levar uma criança ao templo a sua cabeça é raspada, tendo o sentido de pureza, e oferendas são sempre preparadas de acordo com a disponibilidade da região. No sul tropical, por exemplo, é uma composição de cocos e flores formando lindos arranjos.

Bangalore é considerada o vale do silício da Índia, bastante desenvolvida, transito caótico e sem grandes atrativos.
Mysore nosso segundo destino tinha como objetivo visitar o Palácio de Mysore, que construído inicialmente no século XIV foi remodelado várias vezes e, após um incêndio no século XVIII foi reconstruído das cinzas em 1912 e é considerada a segunda maior atração turística da Índia depois do Taj Mahal.
Chennai, uma cidade populosa na Baia de Bengala (costa sudeste) tem alguma influência do catolicismo em função da passagem de portugueses no século XVI, que aliás estiveram presentes em vários locais do sul. A visita na cidade inclui algumas igrejas e praias.
Minhas descrições de viagens são feitas em cima de experiências por que passei. Dados históricos e maiores detalhamentos turísticos podem ser feitos diretamente na internet.
Falo isto porque gosto de contar uma passagem interessante desta viagem.
Nesta manhã de passeio, um dos pontos turísticos incluídos era a visita a uma vila de pescadores e posteriormente a praia principal da cidade.
Logo de saída nosso motorista falou que talvez pudéssemos pular a visita à vila de pescadores para irmos direto à praia.
Em hipótese alguma perderíamos uma visita a uma vila de pescadores que tem sempre uma conotação romântica do pescador saindo para o mar com sua canoa, e voltando carregado de peixes para ávidos consumidores aguardando a sua chegada…
Segue uma foto da banca de venda de peixes da esperada, romântica, vila de pescadores.
Nosso motorista ficou bastante embaraçado com o que víamos e falou de forma bastante enfática:
– Agora, vamos visitar uma praia limpíssima; a principal da cidade.
Segue a foto da praia.
E desta vez fomos nós que ficamos muito desconcertados…
Não havia um metro quadrado de limpeza na praia e nem arrisquei tirar a sandália para pisar na areia.
Quando de volta para o carro, nosso motorista nos aguardava com um imenso sorriso de orgulho e nos perguntou o que havíamos achado da praia.
O que responder? …maravilhosa!
Mas vale dizer, que sujeira a parte, a praia era bastante pitoresca com inúmeros brinquedos, como mini rodas-gigantes, giras-giras, gangorras que pareciam ter emergido dos anos 40. E que com certeza proporcionam muita diversão para os frequentadores!
Seguimos de carro para Mahabalipuram mais ao sul, um conjunto monumental de santuários e cavernas na beira da praia, desta vez realmente limpa e de rara beleza.
Alguns deles na subida da maré chegam a ficar submersos na água.
Madurai era ansiosamente esperado por mim, pois é o maior centro de peregrinação hinduísta da Índia, o templo de Sri Meenakshi.
Diferentemente da maioria dos templos do sul da Índia este templo não é dedicado à Shiva e sim à esta outra deidade, Meenakshi.
O complexo é cercado de varias torres altíssimas,coloridas e ricamente adornadas que servem de entrada à pátios concêntricos, passando por vários templos, salões, prédios administrativos e uma enorme piscina para banhos de purificação.
É realmente impressionante, e oprimente ao mesmo tempo. Abarrotado de gente para todos os lados naquele emaranhado de corredores escurecidos, onde lideres religiosos abençoam os crentes com fumaça de incenso e aplicando o bindi (aquele ponto no meio da testa). Oferendas, banhos de leite nas deidades, e …surpresa, um enorme elefante disputando o espaço conosco.
Saímos deste complexo tontos e sobrecarregados de emoção.
E nada como um descanso, comendo manga verde com chilli, no silencio de um “Heritage Hotel”, isolado no alto de uma montanha, para metabolizar as experiencias vividas e acalmar os ânimos.
Fizemos um longo trecho de carro em direção à costa oeste passando por Munnar que é uma famosa região de plantação de chá, cardamono e outras especiarias.
Esta região faz parte do circuito turístico do indiano com mais possibilidades econômicas, possuindo uma quantidade razoável de hoteizinhos bem charmosos.
Nosso proximo destino : “The Backwaters”.
Este cruzeiro de dois dias é feito a bordo de uma embarcação de madeira e fibra de coco, que era usada originalmente (e ainda é) para transportar arroz a partir das plantações.
O arroz é cultivado neste labirinto de lagunas e lagos de água doce, cortados por inúmeros canais, e que proporciona platôs adequados para o plantio.
Nos últimos anos descobriu-se a capacidade turísticas destas embarcações e proliferou este tipo de turismo no local.
Foram dois dias de relax e muita mordomia, pois tínhamos o marinheiro e um cozinheiro a nossa disposição.
A embarcação passa o dia navegando pelos canais proporcionando uma passagem idílica de coqueiros, arrozais, pequenas vilas e templos.
Ao entardecer a barcaça atracou numa pequena vila (que era a vila onde nossos marinheiros viviam), para passar a noite.
Desembarcamos e ficamos até o anoitecer caminhando por entre as casas e observando a rotina dos moradores.
Cruzamos com cobras enormes ao longo dos canais onde as pessoas lavam a louça,tomam banho, pescam e cultivam alguns vegetais.
Quando do primeiro encontro com uma serpente nos assustamos muito e saímos correndo. Um grupo de moradores que estava ao lado caiu na gargalhada e nos deu a entender, através de gestos, que eram muito comum e inofensivas.
Nossa viagem terminou na cidade de Cochin famosa por ter sido um importante entreposto comercial de especiarias.
De influencia portuguesa as visitas incluem o forte, igrejas e basílica.
Outro passeio bem alegre é a visita ao antigo bairro judeu, com uma visita à sinagoga e as lojinhas de souvenir ao redor com artesanato muito bonito.
Marca registrada desta cidade são as redes de pesca chinesas que ainda usadas hoje em dia proporcionam um visual bem interessante.
A Índia, por ser um país continental, tem uma variedade enorme entre as regiões, inúmeros dialetos, algumas religiões, mas um população bastante homogênea, ao menos para os nossos olhos.
Fica o desafio para conhecer outras regiões que deveram ser feitas ao longo do tempo e possibilidades.
 


Debora Patlajan Marcolin, médica, 62 anos, muito curiosa com relação a diversidade cultural do nosso planeta. Viajo desde que me conheço por gente e tudo me atrai. Desde a minha vizinhança pobre de Carapicuiba até as cerimonias fúnebres de Tana Toraja na Indonésia, passando por paraísos naturais como o pantanal mato-grossense e deserto do Jalapão. Já conheci por volta de 75 países e não paro de projetar novos destinos. Entendo que para se viajar é preciso estar de peito aberto e abandonar todo tipo de preconcepção, que com certeza, a viagem vai te provocar profundas mudanças internas e gosto pela vida.
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