Número de raios em Cotia neste verão já é cinco vezes maior que no verão passado

Apesar do considerável aumento de raios em Cotia, Osasco e Carapicuíba são as cidades da região em que há maior concentração de raios, ficando entre os dez municípios do estado de SP que registraram maior índice

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O verão só vai terminar no dia 20 de março, mas o número de raios que atingiu o município de Cotia na estação mais quente do ano já é cinco vezes superior em relação ao mesmo período do verão passado.

Segundo dados do Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), até o dia 10 de março foram registrados 1.930 raios. Em 2018, no mesmo período, foram 370.

O aumento de raios, não só em Cotia, mas em quase todo o país, se deve aos efeitos do fenômeno climático El Niño. Apenas nas regiões Norte e Nordeste a incidência de raios teve queda de 50%. A região Sul, por outro lado, teve aumento de cerca de 50% e, no Sudeste, de 20% a 30%.

“A quantidade de raios indica que o fenômeno modula a ocorrência de raios no Brasil numa intensidade muito acima do que poderia ser esperado em consequência do aquecimento global”, explica o ELAT.

O Brasil, ainda de acordo com o instituto, é campeão mundial das chamadas descargas atmosféricas, com a média de 77,8 milhões/ano e 2.044 acidentes fatais registrados no período de 2000 a 2017.

E é no verão que ocorre a maior incidência de raios no país e a maioria das mortes por ocasião deles: cerca de 43%. “Os raios têm um grande potencial destrutivo, sendo que sua descarga elétrica pode superar a 100.000 Ampères (A) e a vários milhões de Volts (V)”, define o ELAT.

Osasco e Carapicuíba entre os 10 mais atingidos

Mas quando o assunto é concentração de raios nas cidades, Osasco e Carapicuíba ficam entre os dez municípios em que mais há densidade.

De acordo com dados do ELAT, levantados pela Circuito, Osasco registra uma média de 16,1 raios por quilômetro quadrado a cada ano, deixando o município na 2ª colocação no ranking estadual e na 220ª posição no ranking nacional.

Já Carapicuíba está em 9º lugar entre os municípios do estado de São Paulo que mais concentram raios por quilômetro quadrado. São registrados, por ano, 13,2 raios, ficando, dessa forma, na 358ª posição no país.

Cotia fica atrás, na 56ª colocação no estado, registrando 8,4 raios por quilômetro quadrado.

Mortes por descargas elétricas

Em 15 anos, foram constatadas 1.792 mortes por raios em todo o território nacional. Segundo pesquisa do Elat, referente ao período de 2000 a 2014, 43% dos casos aconteceram durante o verão. A cada três mortes, segundo o estudo, duas são ao ar livre.

A maioria das mortes aconteceu na região Sudeste (28%). As outras regiões ficaram empatadas com 18% cada. São Paulo é o número com maior número de vítimas, seguido por Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Pará, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás.

Super-raio

No início de março, algo raro aconteceu na cidade de Cotia. Pesquisadores registraram um super-raio, por meio de câmeras instaladas no alto de um prédio na Zona Oeste da capital paulista.

O super-raio atingiu o solo da cidade com uma descarga elétrica de 109 mil amperes. Só para fazer uma comparação, a intensidade de um raio comum é de 30 mil amperes.

Mas o fenômeno ainda atingiu maior intensidade após ter percorrido 22 quilômetros, a 700 quilômetros por segundo, e ter tocado o solo, pela segunda vez, no bairro da Vila Romana (SP). A descarga elétrica registrada foi oito vezes maior: 249 mil amperes.

9 dicas para se proteger dos raios

Os raios são produzidos dentro das nuvens, quando partículas de gelo que estão eletricamente carregadas se tocam. A fricção entre essas cargas produz uma faísca, que é o início do raio.

Quando as cargas atingem uma grande quantidade, elas se aproximam do solo, procurando os pontos mais próximos a ela, normalmente pontos elevados, como prédios ou árvores.

Quando as descargas acontecem no interior das nuvens, entre duas nuvens ou de uma nuvem para o ar, surgem os clarões ou relâmpago, seguidos dos trovões, barulho causado pelo deslocamento do ar no céu

O raio tem uma energia que chega a 30 mil ampères, cerca de mil vezes a intensidade de um chuveiro elétrico e o suficiente para iluminar uma casa durante um mês. Quando ele chega ao solo, espalha-se pela superfície e atinge quem está próximo.

A melhor dica para se proteger, segundo pesquisadores do Elat, é fugir dos raios e se esconder em construções. Eles afirmam que, se depois de uma meia hora, a chuva continuar sem trovões, é possível voltar para os espaços abertos. No entanto, eles alertam que é sempre bom identificar algum local seguro e sólido para se proteger no caso de os raios voltarem.

Abaixo, a Circuito trouxe dez dicas, baseadas em informações do Elat a diversos meios de comunicação, sobre como se prevenir de acidentes com raios. Confira:

1 – Fuja dos locais planos e abertos

Durante tempestades, saia de locais amplos e descobertos como praias, campos de futebol, quadras esportivas ou estacionamentos. Em uma região plana, o raio vai buscar o ponto mais alto para se conectar: um prédio, uma árvore e até mesmo uma pessoa.

2 – Evite ficar próximo de árvores ou guarda-sóis

Quando começar uma chuva com trovões, não se abrigue próximo a postes, árvores, guarda-sóis, cercas, linhas telefônicas ou de energia elétrica, que são os pontos preferenciais para as descargas elétricas. O raio pode atingir esses locais, espalhar -se pelo chão e atingir quem estiver próximo. Por isso também não é indicado subir em morros ou topos de prédios.

3 – Afaste-se de objetos que conduzem eletricidade

Não fique perto de objetos que conduzem energia elétrica ou que estejam ligados à rede de energia, como liquidificadores, telefones e celulares com fio, televisores ou aparelhos de som. Afaste-se de grandes objetos metálicos, como suportes de cartazes, amplificadores ou caixas de som.

  1. Não ande em motos ou bicicletas

Veículos abertos e sem proteção, mesmo em movimento, podem se tornar alvo dos raios. Procure um túnel ou uma ponte para se abrigar até que os trovões passem.

5 –  Saia de abrigos abertos

Quiosques de palha, toldos, varandas ou barracas podem ser boas proteções contra as chuvas, mas são péssimas contra raios.

6 – Saia da água

Dentro do mar ou da piscina, a parte do corpo que fica para fora da água funciona como um para-raios, atraindo as descargas elétricas. Além disso, os elementos químicos da água conduzem eletricidade, ou seja, se um raio cair em algum ponto do líquido, a energia será conduzida até a pessoa.

7 – Procure construções ou túneis

Para escapar de uma chuva de raios, bons abrigos são casas ou prédios (preferencialmente com proteção contra raios) de estruturas sólidas ou túneis como os de metrô ou trem. E afaste-se de janelas com estruturas metálicas.

8 –  Entre no carro

Feche todas as janelas e aguarde os trovões passarem. O metal de veículos como carros, ônibus ou vans é um excelente condutor de energia e, se for atingido por uma descarga elétrica, vai distribui-la igualmente em toda a sua superfície, sem atingir quem está no interior.

9 – Abaixe-se

Se for surpreendido por uma tempestade com trovões e sentir que seus pelos estão arrepiados ou a pele começou a coçar, um raio pode estar próximo. Se não houver abrigo, o melhor é ficar agachado, com as mãos nos joelhos e a cabeça entre eles.

Por José Rossi Neto