Paul Klee foi um pintor suíço de nacionalidade alemã. É considerado um dos grandes pintores europeus do início do século XX. Com uma mãe cantora e um pai professor de música, Paul aprendeu a tocar violino muito cedo. A música e a pintura tinham a mesma importância em sua vida, o que o deixou em dúvida sobre qual carreira seguir. Acabou optando pelas artes plásticas. Iniciou seus estudos artísticos em 1900, na Academia de Belas Artes de Munique. A cidade era um importante polo artístico, que reunia artistas experimentais do mundo todo. Lá conheceu Wassily Kandinsky, Franz Marc e August Macke, inovadores que depois se tornaram pintores muito famosos também.

Seu estilo único de pintar foi influenciado por movimentos artísticos diferentes: o expressionismo, o cubismo, o surrealismo e o orientalismo.  A obra de Klee era difícil de ser classificada por ser tão diversa e diferente de tudo que existia na época. Era um desenhista nato e dominou a Teoria das Cores como ninguém, assunto que escreveu extensivamente sobre.

Em 1906, casou-se com a pianista Lili Stumpf, com quem teve um filho. Fundou em 1911, junto com Kandinsky e Franz Marc, um grupo artístico vinculado ao expressionismo.

Extraordinariamente inventivo em seus métodos e técnicas, Klee trabalhou com vários materiais: tinta a óleo, aquarela, tinta preta e outros. Na maioria das vezes, ele combinava esses materiais em uma só obra. Usava tela, estopa, musselina, linho, gaze, papel-cartão, tecido, papéis de parede e jornal. Fazia uso de pintura a esguicho (spray), recortes com facas, carimbos, verniz, misturava óleo com aquarela ou aquarela com caneta e tinta indiana. Em sua obra podemos ver o uso frequente de formas geométricas, letras, números e setas. Estes símbolos eram combinados com figuras de animais e de pessoas. Algumas obras eram completamente abstratas.

Quando Klee assumiu suas atividades como professor na Escola Bauhaus em Weimar, em janeiro de 1921, já era um renomado pintor da vanguarda artística. Sob o lema “Arte e Tecnologia – Uma nova unidade”, a escola pretendia, segundo a concepção de seu fundador, o arquiteto Walter Gropius, formar uma geração de artistas-artesãos. Em um manifesto da Bauhaus, Gropius, que era simpatizante das ideias socialistas, escreveu que a escola iria “estabelecer uma corporação de artesãos sem a presunçosa divisão de classes, que tenta erigir um muro separando artesãos e artistas”. Em 1930 foi perseguido pelos nazistas na Alemanha e teve que fugir do país para não ser preso. Esta perseguição ocorreu devido ao seu envolvimento com o movimento socialista. Em 1936 foi diagnosticado com uma doença degenerativa e foi internado em uma clínica médica, onde morreu quatro anos depois.

Grande parte de suas obras reflete seu humor seco e suas convicções políticas. Suas obras aludem frequentemente à poesia, à música e aos sonhos.

 

Vamos Observar

Castle and Sun, 1928

Óleo sobre tela

50 x 59 cm

Coleção particular

 

Paul Klee tinha um estilo único, como em sua inovadora (para sua época) pintura Castle and Sun (Castelo e Sol). A obra, uma de suas mais celebradas, foi criada a partir de diferentes formas geométricas e vários tons de cores quentes e primárias. O sol solitário em seu formato circular brilha no céu, engenhosamente criado por linhas fortes e estruturas retangulares e triangulares de vários tamanhos, que acrescentam profundidade à imagem. Nesta obra há uma mistura de abstrato com realismo; figuras são desconstruídas para formar imagens novas. O fundo em cor de argila avermelhada oferece uma visão mais clara de como as figuras parecem formar um horizonte da cidade (ou castelo) com cores e luzes intensas. Klee usa a cor amarela para atrair o olhar e quebrar os tons de vermelho. Esta pintura tem uma disposição complexa de figuras triangulares para retratar uma metrópole imaginária. Paul Klee foi um dos maiores filósofos e teóricos da arte do século XX, especialmente no campo da cor, bem como um de seus maiores fantasiadores.

Quem quiser ver as obras de Paul Klee de perto pode conferir a mostra Paul Klee – Equilíbrio Instável, que abriu no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), reunindo mais de 120 obras que compõem as várias fases artísticas do artista, desde a infância até a fase final de sua produção, com a última pintura finalizada, sem nome, encontrada no cavalete de seu ateliê. Todas as obras são pertencentes ao acervo Zentrum Paul Klee. A exposição tem entrada gratuita e fica em cartaz até 29 de abril, em São Paulo.

 


Por Milenna Saraiva, artista plástica e galerista, formada pelo Santa Monica College, em Los Angeles.