Dessa vez escolhi um destino um tanto quanto peculiar para mim. Moro no Hawaii e nunca dividi dicas do que mais gosto por aqui. Acho que chegou a hora de contar meus programas favoritos na ilha de Oahu, onde moro.
A ilha é dividida em áreas. Norte, Sul, Leste, Oeste; e é assim que todos se localizam.
Já que há de se chegar pelo aeroporto no sul da ilha, South Shore, vamos começar por alí. A cidade de Honolulu é sede da tão famosa praia de Waikiki, ideal para quem surfa com long board e pra quem gosta de fazer compras. Todas as grifes dominam a avenida principal, sempre lotada de turismo em maioria asiático. Também rola fazer passeios de catamaran que saem de Waikiki para o canyon das tartarugas, como é conhecida uma área da barreira de corais ali na frente, que como já era de se esperar é sempre cheia de tartarugas.
De qualquer lugar por ali se vê o pico mais famoso da ilha: Diamond Head. Além de a vista lá de cima ser linda, é provavelmente a trilha mais fácil de toda Oahu; 100% pavimentada e adequada para qualquer idade e condicionamento físico. Ainda em South Shore a trilha para a cachoeira de Lulumahu também vale a visita. Por meio da floresta e pedras já é uma trilha levemente mais exigente do que Diamond Head mas com um bom repelente na bolsa justifica o esforço com o cenário inacreditável dessa queda alta de água cristalina.
Quando amigos chegam na ilha faço questão de subir para o North Shore, onde moro, pelo East Side. Passando Diamond Head logo vemos outro pico, Koko Head, com outra trilha maravilhosa. Essa já deixa mais complicado para quem não quer perrengue porque são mais de mil degraus altos até o topo. Particularmente prefiro fazer Makapu’u, que é do lado e muito mais tranquila em termos de esforço físico.

A trilha de Makapu’u Lighthouse, além de pavimentada é na beira do mar, e não é qualquer mar, é mar de South Shore, de um azul que nunca vi em lugar nenhum do mundo. Azul Hawaii. Dá pra ir até o topo e se esbaldar com tanta beleza natural, e dá também para ir até o topo e então descer, off road pela costa da montanha, para as piscinas naturais na beira do mar. É preciso ter cuidado quando a maré está grande; uma vez uma onda me arrastou pelas pedras e não foi muito agradável subir a montanha com o pé todo cortado. Mas vale a pena de qualquer forma.
Ainda a caminho do North Shore, a próxima parte do caminho, passando agora pela praia de Makapu’u, é definitivamente a parte mais linda da ilha na minha concepção. Para quem gosta de dirigir então, um sonho. Uma estrada por entre rochas e montanhas alucinógenas, a beira do mar, com direito a vista para mini ilhas e uma vegetação insana. Obrigatório!
Logo, temos Kailua. Uma cidade de East Side num mood mais urbano, mais rico e moderno, cheio de campos de golf, marinas e a famosa praia de Lanikai. Essa praia já ganhou múltiplas vezes como praia mais linda do mundo, e realmente, dá pra entender o porquê só de olhar pro tom de azul daquele mar. Areia fina, coqueiros por toda parte e ilhas que transformam tudo em ainda mais cenográfico. Eu, particularmente, gosto de mar com onda, então minha parte favorita de Lanikai não é a praia, e sim a trilha com vista pra praia.
Essa trilha, Lanikai Pillbox, é média em termos de dificuldade, mas é 100% aberta, sem sombras, então não aconselho fazer em horário de pico do sol. No verão, pés de pitaya permeiam a montanha por onde se sobe e tudo não para de ficar cada vez mais mágico. O topo, uma casinha do exército desativada e inteira grafitada, é o lugar de descanso da subida e apreciação da Mãe Natureza. Surreal!
Antes de continuar, vale um almoço no Nalu Health Bar & Café (o que é aquele sanduíche de Portobello?). E então vale a parada rápida no Jardim Botânico e no templo budista Byodo-In. A cultura asiática só trouxe coisas lindas para esse lugar. E essa parte do trajeto é onde as montanhas são mais chocantes!
Mais pra frente nesse trajeto a estrada passa a ser pela beira do mar, passando por onde gravaram Jurrasic Park, pelo centro da cultura polinésia e também por Crouching Lion, minha trilha favorita! Também de dificuldade média o maior desafio dessa trilha é o barro que pode ficar escorregadio em dias de chuva e o quanto ela é ingrime. Para mim, a vista mais havaiana de todas, mas claro que isso pode vir de memórias emocionais vinculadas ao lugar. De qualquer maneira, em 20 minutos se chega ao topo, então não deixe de fora do roteiro.
A esse ponto você já está quase no North Shore. Se der fome você para nos food trucks de Kahuku, mas se aguentar um pouquinho os do lado do Foodland são os mais famosos. Aji Limo, Pupukea Grill e todos os outros em frente a Shark’s Cove não vão te decepcionar; e se der vontade alí mesmo você aluga um snorkel e vai desvendar essa área de mergulho. Mas se você for mais de curtir uma praia, eu indico as seguintes:
Waimea é aquela praia gigante, com todos os tipos de pessoa e todos os tipos de programa. Pode estar ideal para surf de onda gigante e pode estar piscininha perfeita para pular da pedra. Quando chove bastante o rio que sai do vale e cai na praia rompe e muita gente fica surfando nas ondas formadas no canal do rio mesmo, super legal de assistir. Se seu mood for cachoeira e vegetação peculiar, o ingresso para o dia no vale é U$13 e você não vai se arrepender.
Se você for iniciante no surf, gostar de uma praia mais família e tranquila, Chuns Reef é o lugar. Fora que se for fazer uma trilha pelas pedras à esquerda da praia vai se deparar com uma mini praia invariavelmente cheia de tartarugas. Mágico.
Se você surfa muito bem ou gosta de assistir um surf muito pro, Pipeline é o point. Especialmente Rocky Point. A areia grossa, o por do sol em frente e a galera do surf fazem desse lugar um dos melhores do planeta Terra. Ah, e dá pra fazer em 30 minutos a trilha Pipeline Pillbox, bem em frente a praia, que conta com diferentes tipos de vegetação no mesmo percurso. Indico que façam para ver o por do sol lá em cima, só não enrolem muito pois para descer no escuro o bicho pega.
Por fim, a praia mais astral, que tem de tudo um pouco e ainda vários trucks no estacionamento com joias, smoothies e good vibes é Sunset Beach. Não dá pra ir embora do Hawaii sem passar um dia alí. Sugiro inclusive um bowl no Sunrise Shack, logo em frente. Tem açai, bolinhos, café, uma área externa com porquinhos, galinhas e fofura infinita.
Já no centrinho de Haleiwa, cidade que comporta todas essas praias magníficas, a quantidade de restaurantes maravilhosos e cheios de opções vegetarianas e veganas é absurda. Anota aí: Rajanee, Banzai Sushi, Maya’s, Waialua Bakery, Farm to Barn e finalmente, o mais maravilhoso de todos, Beet Box Café.
No West Side também tem muito para ver mas não tem como passar com o carro então seria obrigatório voltar para o sul para daí ir para aqueles lados, o que não é nenhum esforço pois cruzando a ilha pelo centro a vista de plantações intermináveis de abacaxi aos pés das montanhas especiais do Hawaii fazem com que o tempo voe.
Por lá vale ver Makaha, Mermaid Cove e até fazer passeios de barco, pois apesar de eu nunca ter feito todo mundo diz que é lotado de golfinhos. Aliás, estamos na temporada de baleias e não é nada incomum vê-las passeando despretensiosamente num dia qualquer na praia.
É claro que tem muito mais nessa ilha mágica, como Manoa Falls, Electric Beach e etc, mas esses são meus spots favoritos. Só ficou faltando meus segredinhos pessoais que não posso me dispedir sem contar. Em North Shore mais para Waialua a loja de cristais Lemuria mexe com meu coração e tenho certeza que vai mexer com o seu se você for o tipo de pessoa que gosta desse universo exotérico. E falando em energias, o lugar que mais me chocou na vida inteira foi o point de lookout no topo de Pupukea. A vista de cima da baía de Waimea. Um pôr do sol nesse lugar muda a vida de qualquer um.
Conforme desvendo os mistérios dessa ilha compartilharei com vocês mais spots, mas por ora esses são suficientes para te deixar boquiaberto. Enjoy!


SOBRE A AUTORA – Foi aos 16 anos que a jovem Layla Foz saiu da Granja Viana para ganhar, não só o mundo, mas seguidores nas redes sociais. Essa leonina, granjeira da gema, cresceu e apareceu. Começou com o blog “Aos Olhos de Quem Vê” e hoje mantém um canal sobre lifestyle no Instagram, com 138 mil seguidores. Isso sem falar no site CallMeLayla, em que comercializa produtos de moda com pegada sustentável. Mora no Havaí, viaja pelos quatro cantos do mundo e influencia por onde passa.