Suzana Alves – Um presentão para a Granja Viana

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Uma DIVA na Granja

Aos 33 anos e por um longo tempo longe da máscara de Tiazinha, Suzana Alves prova que amadureceu como atriz e está mais que preparada para os grandes desafios da vida.

Bailarina clássica e jornalista por formação, atriz por vocação, cantora por amor e linda por pura natureza, Suzana Alves deixou a fantasia de Tiazinha de lado para mergulhar nos estudos. A vontade era de evoluir como pessoa e profissional e explorar ao máximo os dotes que Deus lhe deu.

A preparação não foi fácil, e o desgaste físico e mental valeu a pena.

Atualmente, ela está no teatro com um desempenho digno de ser aplaudido de pé. O Casamento Suspeitoso foi escrito pelo consagrado dramaturgo Ariano Suassuna – o mesmo de O Alto da Compadecida, em 1957.

Foi assistindo a esta peça que a equipe da REVISTA CIRCUITO encontrou uma Suzana engraçada e que usa e abusa do palco, sem medo de ser feliz. Conheça, agora, mais desta granjeira que hoje curte uma nova e alegre fase da vida.

Carreira

Na pele da personagem Tiazinha no programa H, na Band, a leonina Suzana Alves era a alegria dos jovens e foi fenômeno de audiência. Diferentemente do que se vê hoje em dia, a moça resolveu dar as costas para o sucesso e mergulhar nos estudos. Contra a vontade do público, mas com o apoio da família, ela abandonou a máscara da Tiazinha, no auge de sua carreira, em busca de transformação e crescimento como atriz e pessoa.

Apesar da intimidade com as câmeras, foi estudar canto, música e teatro com o Grupo Tapa e, posteriormente, concorrer a uma vaga no Centro de Pesquisa Teatral de Antunes Filho, onde estudou por sete meses. Para ingressar, concorreu com 1.500 pessoas para preencher uma das 20 vagas disponíveis.

Desde 2007, é integrante do Centro de Pesquisa em Experimentação Cênica do Ator (Cepeca-USP), onde desenvolve seu mestrado, sem esquecer de dar continuidade a um projeto pessoal a que se dedica há alguns anos, em que segue para o sertão do Nordeste para fazer um trabalho de evangelização. Recentemente, o diretor de O Casamento Suspeitoso, Sérgio Ferrara, que já conhecia o trabalho de Suzana Alves, convidou-a para integrar o elenco. Apesar do evidente entrosamento com os colegas de peça em palco, a atriz conhecia apenas o diretor de produção, Elder Fraga, e os atores Marco Antônio Pâmio e Nicolas Trevijano. Teve apenas um mês para se relacionar com o grupo e ensaiar sua atuação como Lucia Renata, a nordestina que dá vida à história voltada para o romance popular nordestino.

Suzana se prepara para entrar em cena com
a personagem Lucia Renata em “O
Casamento Suspeitoso”

RC: Suzana, quando você percebeu que era hora de se dedicar aos estudos e lutar por um espaço maior como atriz?

SA: Eu cresci no meio artístico. Faço balé desde os 3 anos de idade. Aos 14 anos, fiz minha estreia nos palcos com uma peça de teatro infantil, e aos 15 já estava me dedicando a outro trabalho no teatro. Ainda na adolescência, fui para os Estados Unidos gravar um comercial da Ruffles, selecionada entre 900 meninas de todo o Brasil. Eu só não havia estudado. Tinha o dom da interpretação, mas não tinha a técnica. Abandonei a Tiazinha no auge da personagem para poder me dedicar e não perder tempo. Eu estava muito marcada com a personagem, e ela já estava maior que eu, o que me incomodou muito. Não existe uma rivalidade entre a Suzana e a Tiazinha. Só que eu não tinha mais vida. Só trabalhava, não tinha tempo para a família e vivia no deslumbramento. Joguei tudo para o alto para me dedicar a algo em que eu acreditava e que me faria feliz.

RC: E como foi essa transformação?

SA: Até eu conseguir tirar a máscara, literalmente, foi muito difícil. Na época, eu já estava buscando um equilíbrio na vida espiritual. Não foi fácil migrar do sucesso para o anonimato. Mergulhei nos estudos.

“Fico emocionada com a reação das pessoas no fim de cada apresentação.
Algumas choram, pois fazemos uma homenagem ao
espectador na música final, e isso é muito mágico.”

RC: Como você se preparou para O Casamento Suspeitoso?

SA: Sou cristã protestante, e há cinco anos faço um trabalho no Nordeste. Meus pais são paraibanos, então eu conheço muito da realidade nordestina. Sei bem da carência das pessoas que vivem lá. Sem dúvida, isso me ajudou a montar a personagem Lucia Renata e, principalmente, me familiarizar com o sotaque. Durante um ano, fiz um trabalho de voz intenso com acompanhamento de fonoaudióloga. Fazia uns dois anos que eu não atuava, apesar de ter um grupo de teatro na USP, no Centro de Pesquisa. Eu não estava totalmente desvinculada do teatro, mas tive de me dedicar muito para atuar com excelência. A responsabilidade foi grande, principalmente pela visibilidade da peça. Hoje, temos uma sintonia muito boa. Todos nós fazemos teatro por amor à arte.

Na peça, a atriz encarna uma nordestina
engraçada, irreverente e que aranca
aplausos do público

RC: Você canta, dança e toca instrumento no espetáculo. Qual é a sua relação com a música?

SA: Por causa do teatro, sempre fiz aula de canto. Comecei a cantar na época que representava a Tiazinha, quando a Sony Music me contratou por causa do sucesso da personagem para eu gravar um CD e aproveitar o embalo da fama. Falaram que eu era afinada, e eu apostei nisso. Recebi elogios de Caetano Veloso e ganhei disco de platina. Percebi que, se eu trabalhasse a minha voz, conseguiria desenvolvê-la bem. Depois fui estudar música e dança brasileira. Como O Casamento Suspeitoso é teatro popular e literatura de cordel, precisaria ter música.

RC: Até quando a peça fica em cartaz?

SA: No Sesi, a peça ficou até a última semana de novembro, e pretendemos viajar pelo interior de São Paulo. A peça é um sucesso e, provavelmente, será apresentada em outros teatros. A ideia é seguir com o espetáculo.

RC: Quer voltar para a televisão?

SA: Se aparecer um convite bacana de uma teledramaturgia interessante, com certeza, apesar de preferir o teatro. A televisão é maravilhosa, é eterna. O que eu fizer ficará ali para sempre. No palco tenho o prazer e a oportunidade de, a cada dia, criar, inventar e ver uma nova reação do público. Fico emocionada com a reação das pessoas no fim de cada apresentação. Algumas choram, pois fazemos uma homenagem ao espectador na música final, e isso é muito mágico.

Suzana e o maridão Flávio Saretta: casamento
no Felix Bistrot, na Granja Viana

RC: Queremos conhecer um pouco da Suzana empresária.

SA: Quando decidi fazer teatro, veio comigo a vontade ser empresária, para poder ter uma vida mais tranquila e estabilidade financeira. Eu já não era mais adolescente para ficar só correndo atrás do meio artístico. Quando o pilates chegou ao Brasil, fui me dedicar à técnica que apenas os bailarinos conheciam. Tenho uma amiga na Granja que é fisioterapeuta e resolveu trabalhar com pilates. Fomos fazer um curso juntas e voltei a praticar. Um dia ou outro eu ia dar aula para as alunas dela, e era muito gostoso. Comecei a usar a técnica no meu mestrado, na USP. Na época, após fazer uma matéria sobre pilates para a GNT, ganhei um curso maravilhoso, puxado e superconceituado. Durante o estudo, conheci minha sócia e abrimos, juntas, nosso primeiro estúdio, chamado Physique Pilates, no Morumbi. Recentemente, abrimos outra unidade na Vila Olímpia, e estamos muito felizes com o retorno e a fidelidade dos alunos. Daqui a um ano, quem sabe, vamos inaugurar uma unidade aqui na Granja Viana.

RC: Como você conheceu a Granja Viana?

SA: Há dez anos frequento a Granja. Vinha passear na casa de uma amiga. Fui fazendo outras amigas e conhecendo os lugares, os salões de beleza, as lojas e os restaurantes. Sentia-me muito à vontade aqui porque sempre morei em apartamento. Quando comecei a namorar o Flávio, ele vinha comigo. Ele se lembrava de sua infância, porque jogava tênis no Tennis Hill quando criança. Ele vinha com o pai dele de Americana para treinar aqui. Ficamos encantados e fizemos planos para, depois do casamento, morar na Granja.

RC: E você curte a Granja? Gosta de ficar por aqui?

SA: Quando eu não estava em cartaz com a peça, fazia tudo por aqui. Gosto de curtir minha casa e passeio bastante pela região. Vou ao shopping, ao cinema, aos restaurantes, faço exercícios na rua e frequento academia. Sempre que sobra um tempinho, eu vou.

RC: Conte-nos sobre a vida de casada.

SA: Ainda não tenho filhos, mas curto bastante o filho do meu marido. Sou casada há um ano com o Flávio (Flávio Sarett a é campeão sul-americano de tênis). Amo estar casada, ser mãe, mesmo não sendo de verdade. Adoro administrar a casa, e ele me ajuda muito. Deixo a comida pronta todos os dias. Vou diariamente para o estúdio de manhã e trabalho na peça de quinta a domingo. Mesmo chegando tarde, o Flávio me espera para jantar. Apesar da correria do dia a dia, não abrimos mão de fazer as refeições juntos.

A atriz durante a produção desta matéria

RC: Você era um sexy simbol. Hoje, você se considera assim?

SA: Não. Algumas pessoas ainda consideram, mas eu não.

RC: Qual é seu projeto de vida?

SA: Meu próximo projeto de vida é engravidar, e já estou me preparando para isso, psicologicamente e profissionalmente.

RC: O que ficou da Tiazinha na Suzana Alves?

SA: É uma mistura de sentimentos. Crescimento, consciência e lucidez. Viver a história da Tiazinha me trouxe amadurecimento na vida pessoal e profissional. Eu representei uma personagem que eu mesma criei, já com uma bagagem, com um histórico de atuações. E ela só me fez buscar outras qualidades para aprofundar meu trabalho como atriz. Se eu não tivesse vivido a Tiazinha, não sei se teria buscado este autocrescimento. Fiz muita coisa em função do que ela me proporcionou, tanto financeiramente quanto psicologicamente.

Coincidências da vida

Suzana, filha de paraibanos, fala que a peça foi um grande presente para ela.
Isso porque Lúcia, nome de sua personagem, é o nome de sua mãe na vida real. O nome de seu noivo, na peça, é Geraldo. O nome de seu pai verdadeiro é Geraldo. O nome de sua mãe, na peça, interpretada pela atriz Nani de Oliveira, é Susana. O marido de Suzana Alves se chama Flávio. O nome do amante de Suzana na peça é Roberto Flávio.
Lembrando que a peça foi escrita por Suassuna em 1957, 54 anos antes de sua interpretação.

 
Toma lá dá cá

Profissão: rotina
Sucesso: trabalho
Passado: crescimento
Futuro: viver bem o presente
Presente: é um presente

Umas e outras

Na televisão, além de novelas como Cidadão Brasileiro (Record 2006) e Amigas e Rivais (SBT 2007), Suzana participou da série Mandrake, na HBO. No teatro, participou de montagens como A Babá (com direção de Bibi Ferreira e texto de Juca de Oliveira) e A Bela e a Fera (direção de Tatiana Dantas). No cinema, trabalhou nos filmes: O Cheiro do Ralo, Boleiros 2, Falsa Loura e Pólvora Negra. Hoje, divide seu tempo entre os ensaios dos projetos teatrais, a administração dos estúdios de pilates e a sua primeira paixão, a dança.