Especialista dá dicas de como tornar o relacionamento de pais com filhos mais fácil

Sem fórmula mágica, pedagoga e autora lista quatro dicas para os pais desenvolverem maturidade emocional e melhorarem a relação com os filhos

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A educação dos filhos sempre foi um tema que gerou muitas dúvidas e discussões. Além de não ter uma fórmula mágica, para muitos pais parece impossível conciliar as atividades do cotidiano, responsabilidades, expectativas e ainda encontrar tempo suficiente para construir uma relação pautada no diálogo. Quando o assunto é a adolescência, a insegurança dos pais parece aumentar, afinal, como lidar com questões relacionadas ao uso de drogas, bebidas, comportamentos agressivos ou transtornos que atualmente fazem parte de muitas famílias brasileiras?

A pedagoga e psicóloga Tânia Queiroz, autora do livro “Pais Imaturos, Filhos Deprimidos e Inseguros”, recém lançado pela Editora Évora, conta que vê diariamente no seu consultório diversas famílias com relações desgastadas. “Posso dizer que cerca de 90% dos pais não percebem quando os filhos estão se automutilando ou se drogando. Eles querem um filho perfeito e acabam fugindo do que acontece na realidade”, comenta a especialista.

Para ela, a falta de maturidade emocional dos pais é o grande obstáculo para melhorar a relação com os filhos. A maturidade emocional se refere ao controle nas nossas próprias emoções, quando o indivíduo não consegue lidar consigo mesmo, além de se tornar infeliz, se torna incapaz de dar felicidade.

Mas mesmo as relações mais conturbadas têm solução. Tânia conta que há necessidade dos pais se reeducarem e resolverem as próprias questões, e assim criarem crianças e jovens emocionalmente mais equilibrados, autoconfiantes e felizes. A autora ainda lista mais quatro dicas práticas para quem busca uma relação harmoniosa com os filhos. Confira:

Tempo de qualidade

Com a correria do dia a dia, muitos pais contam com poucas horas ao lado dos filhos, mas se este for um momento de qualidade, pode significar mais do que um tempo mal gasto juntos. O mesmo vale para quem quer trocar a falta de tempo por presentes.

Para a psicóloga e pedagoga, não adianta trocar presente por presença. “Tempo de qualidade é ter atenção única direcionada àquele momento, sem ter que dividir com tecnologia, pessoas e trabalho”, explica.

Não há filho perfeito

Ter expectativas e anseios para a vida dos filhos é normal, mas não adianta querer planejar a vida dos pequenos. Desejar que eles sejam perfeitos, é sinônimo de frustração para os dois lados. Tania explica que muitos pais buscam filhos ideais e não filhos reais, o que gera o sentimento de culpa na família. “A busca por essa perfeição dentro de valores rígidos e riqueza sem limites, é o que tem destruído milhares de jovens que quando não conseguem superar, sentem-se culpados”, comenta Tânia.

Olhar para suas próprias atitudes

O livro “Pais Imaturos, Filhos Deprimidos e Inseguros”, como já diz o título, fala especialmente sobre como os pais não têm consciência da sua imaturidade e acabam afetando as relações com sua infantilidade emocional.

“Antes de apontar o comportamento do outro, é importante praticar o autoconhecimento e a autorreflexão. Quando os pais sabem lidar com as próprias emoções, eles tornam-se os maiores professores na vida de seus filhos”, complementa a psicopedagoga. A melhor forma de se autoconhecer e ser capaz de lidar com o próximo é com uma ajuda profissional de um psicólogo também.

Empatia

A maturidade emocional tem muita relação com a empatia. Uma boa relação, seja com os filhos ou outros indivíduos é baseada no diálogo, sensibilidade e compreensão. “Ler os sinais, reconhecer os sentimentos e se importar com eles são coisas fundamentais. Os pais precisam cultivar a amizade e corrigir os filhos não usando apenas a força, mas usando ideias”, finaliza a autora.