Por aqui o clima esfria, mas na Europa é apenas o começo do bronzeado Mediterrâneo tão sonhado. De alguns destinos favoráveis para o verão europeu, o que mais mexeu comigo foi a Costa Amalfitana! E olha que já fui para bastantes, inclusive outros também na Itália, como a Sardenha, que é linda mas ainda não me convenceu quando comparamos com essa Costa Oeste da bota do Mar Mediterrâneo. 

Fiz essa viagem em 2017, começando por Milão, pelo simples fato de ser fácil acesso vindo de qualquer outro lugar da Europa ou do mundo. Essa viagem foi low budget em termos de logística, primeiro para sobrar grana para comer bem e outras experiências, e segundo pois não tinha carta de motorista ainda, então fiz o trecho Milão – Nápoles de ônibus. 

Tem quem diga que não vale gastar tempo em Nápoles, mas eu discordo. Para começar que se come determinados pratos exclusivos ou mesmo originários do local, como a pizza (tão famosa napolitana) que apesar das histórias dizerem que foi criada lá, é um tanto diferente da que estamos acostumados, ou mesmo da do resto da Itália. Sempre são individuais, mas em Nápoles, além disso, elas são fritas. Isso mesmo! Não interessa se isso te soa apetitoso ou não, é obrigatório experimentar. Nápoles também conta com ruas bem agradáveis para passeios noturnos, ou à beira do mar. 

De Nápoles peguei um barco para Capri, o que muita gente faz de Positano mas não me arrependo de ter feito essa escolha pois além de barato (25€ cada perna), a logística é bem estruturada e sem perrengue. 

Capri foi um dos lugares que mais me impressionaram na vida! A ilha de férias do imperador é dividida em Capri e Anacapri. Se você decidir passar uma noite por lá, não escolha pelo preço e opte pela área de Capri, vai valer a pena por uma questão de facilidade na locomoção – apesar de haver um busão que passa por toda a parte – não só para restaurantes como para praias. As praias são bem pequenas e lotadas, mas vale conhecer Marina Piccola, com seu mar cristalino e pedras ovaladas no lugar da areia como estamos acostumados. No entanto, o lugar pra ver o mar de Capri é do topo, e não dá beira. Os penhascos encontram a água e são permeados por casinhas brancas com flores cor de rosa que tomam as paredes. São absolutamente estonteantes. Aconselho inclusive um almoço em algum dos restaurantes do topo (tem um inteiro de vidro que me esqueci o nome em que comi o melhor gnocchi da minha vida) regado a vinho branco e uma vista espetacular. 

Contudo, não sei se gostaria de passar muitos dias por lá, afinal tem muito mais para ser descoberto.

Ao voltar para Nápoles peguei um trem para Pompeia. Confesso que só lembrei que ali estava a cidade soterrada por lava do vulcão Vesuvius quando já estava lá, mas não poderia deixar de conferir, né?

Imaginei ruínas como as de Machu Picchu, algumas pedras com muita história para nossa imaginação completar; mas eu estava errada. E muito! Pompeia, para começar, era gigantesca, e nem dá para ver tudo das ruínas em um dia só. E está tudo lá para você ver! Desde as pastilhas dos pisos até as pinturas dos tetos, os objetos de cada aposento envoltos em pedra vulcânica, e até as pessoas que foram petrificadas se abraçando, fugindo, sofrendo e tudo mais. Absolutamente impressionante! É como um filme, com todos os detalhes da história, bem na frente dos seus olhos. 

Ah, também subi até o topo do vulcão. Havia sido a primeira vez e foi louco desmistificar o que eu tinha criado como a aparência de um vulcão; fora uma vista linda da cidade. 

Acabou sendo uma das partes mais marcantes da viagem para mim. Só esqueci de verificar que a estação de trem em que se chegava de Nápoles não era a mesma que levava a Sorrento. Arranjei uma carona para trocar de estação (táxis são raros!) e lá me fui para o próximo pit stop. 

Olha, para ser bem transparente, se você tiver menos dias, dá pra pular Sorrento! Fiquei num hostel até que bem limpinho e bem localizado mas sinceramente não tem nada lá que você não veja melhor nas cidades ao lado. Achei inclusive levemente impessoal, ao contrário das próximas paradas que te aconchegam do começo ao fim. Mas, caso você venha a visitar Sorrento , bem no meio da cidade tem uma plantação de limões sicilianos e mandarinas bem tradicional onde produzem limoncello (aquele licor amarelo tradicional italiano) e geléias desses cítricos. Foi com certeza o que fez valer a parada! Dá para passar a tarde toda no jardim I Giardini di Cataldo. 

A partir desse ponto tudo já fica mais perto, e ao invés de pular de cidade em cidade preferi ficar uma semana hospedada só em uma e passar cada dia em uma nova. Fiquei portanto em Atrani, 20 minutos a pé do porto de Amalfi, a cidade mais famosa da costa, que apesar de extremamente turística tem seu valor. As casinhas no morro deixam tudo fofo e as frutas mais suculentas preenchem as ruas junto com azeitonas, queijos, cerâmicas, trattorias e lojas de souvenirs. Não dá para deixar de ir, tomar gelato de limão siciliano e toda aquela velha história, mas eu não me arrependi de ficar em Atrani, onde eu tinha que descer escadinhas por entre casas até chegar no centrinho, onde senhores e senhoras locais todo dia passavam a manhã na mesma esquina e cada dia me sugeriam algo diferente para acompanhar meu café espresso enquanto eu gastava meu italiano meia boca que aprendi em aplicativos 6 meses antes. Momentos extremamente especiais! 

Ah, e claro, Positano! Positano eu diria que é a que não pode ficar de fora nem a pau! Também turística (se nota já pelos preços), com uma praia bacana mas modéstia parte nem perto do padrão brasileiro, muitas lojas de souvenirs, uma quantidade absurda de restaurantes ótimos, galerias de arte bem peculiares, ruas e construções características da região e uma feira absolutamente alucinante! Na época eu ainda não era vegana e lembro que entre muitas frutas vermelhas comprei 3 bolotas de mozarela de búfala que comi igual maçã num picnic por entre as rochas do porto. Aliás, para quem gosta de barco, por cerca de €80 vc aluga um barquinho inflável a motor na praia mesmo e vai dar um rolê pela costa ali perto. Vale MUITO a pena. 

Todas essas cidades são ainda mais lindas quando vistas do alto, atenção a isso pois é onde está toda a graça! 

Se eu tivesse que escolher um ponto principal de todo esse percurso  eu diria que Fiordo di Furore, uma praia entre Amalfi e Positano, por entre montanhas e numa Bahia delimitada pela ponte da rodovia onde passam os carros, de construção medieval que virou spot de pulos. A praia também é de pedrinhas e tem que lembrar de ir de manhã para pegar as poucas horas que o sol bate na praia. 

Daí terminei em Salerno, cidade já maior, menos aconchegante que também dá pra tirar do roteiro, mas boa como ponto de partida para ônibus ou avião. 

Viagem 100% inesquecível; vale aderir ao bucket list! 

 


SOBRE A AUTORA – Foi aos 16 anos que a jovem Layla Foz saiu da Granja Viana para ganhar, não só o mundo, mas seguidores nas redes sociais. Essa leonina, granjeira da gema, cresceu e apareceu. Começou com o blog “Aos Olhos de Quem Vê” e hoje mantém um canal sobre lifestyle no Instagram, com 138 mil seguidores. Isso sem falar no site CallMeLayla, em que comercializa produtos de moda com pegada sustentável. Mora no Havaí, viaja pelos quatro cantos do mundo e influencia por onde passa.