Hoje, 9 de julho, comemora-se a deflagração da Revolução Constitucionalista de 1932. Para quem não está lembrado, foi uma revolta ocorrida no estado de São Paulo contra o governo de Getúlio Vargas. As elites paulistas buscavam reconquistar o comando político que haviam perdido com a Revolução de 1930 e pediam a convocação de eleições.

E nela estava Oscar Ramos, que morou em Cotia de 1963 até 2000, quando veio a falecer. “Se ele estivesse vivo, hoje ele estaria de terno, gravata e boina”, diz Lucia Ramos, filha de seu Oscar. “Ele ficava todo feliz, chorando de alegria. Ele levantava bem cedo para participar do desfile [em SP]. E isso era todo ano no dia 9 de julho”, conta.

Oscar Ramos com sua esposa Brígida

Para a revolução, foram mais de 200 mil voluntários, sendo 60 mil combatentes. Por outro lado, enquanto o movimento ganhava apoio popular, 100 mil soldados do governo Vargas partiram para enfrentar os paulistas.

E seu Oscar estava entre os paulistas, que esperavam o apoio de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, mas sem sucesso.

O ex-combatente não chegou a matar ninguém, mas viu um amigo morrer ao seu lado. “Meu pai estava na trincheira com mais dois amigos. Um deles, acabou sendo atingido com dois tiros na cabeça e morreu na hora. Meu pai, neste dia, também levou um tiro de raspão no capacete”, conta Oscar Filho, filho caçula de ex-soldado.

Lúcia Ramos e Oscar Ramos Filho. Foto: José Rossi Neto

Fato é que para seu Oscar, ter participado da revolução, era motivo de orgulho. “Para ele, o 9 de julho era religioso. Um dia antes ele já se arrumava para o desfile. Ele sempre ficava ao lado do governador para receber a homenagem”, conclui Lúcia.

Apesar de ter contribuído e lutado pelo país, Oscar Ramos se aposentou como ex-combatente da Revolução de 1932 com um salário em torno de R$720,00 – com os descontos, o valor chegava a R$650,00. Mesmo aposentado, Ramos trabalhou como pedreiro para conseguir se manter.

Por José Rossi Neto