“Money, que é good nóis num have”, já cantava Dinho dos saudosos Mamonas Assassinas. Ou como canta Paulinho da Viola, “Dinheiro na mão é vendaval” e Martinho da Vila, “Dinheiro, pra que dinheiro?”. E você? Como usa seu dinheiro? Como o dinheiro é seu e eu não tenho nada a ver com ele, você poderia dar-me uma resposta do tipo: o dinheiro é meu e eu faço o que quiser com ele. Dada à suposta resposta mal-educada, faço a segunda pergunta: como você gastaria o dinheiro dos outros? Repare que na primeira pergunta, usei o verbo usar, e na segunda o verbo gastar. Segundo Milton Friedman, economista, estatístico e pensador, ganhador de prêmio Nobel, existem 4 (quatro) formas de consumo, ou de gastar, ou de usar o dinheiro, o que no fundo é quase  a mesma coisa. Vamos lá. Ele diz que: primeiro, quando gastamos nosso próprio dinheiro com nós mesmos; neste caso, sempre nos esforçamos em fazê-lo da melhor forma possível, afinal, é o fruto de nosso trabalho, dos nossos esforços. Por isso, procuramos sempre a melhor relação custo-benefício na hora de comprar qualquer produto ou serviço e evitamos desperdício. Segundo, quando gastamos o nosso dinheiro com outra pessoa, comprando um presente para alguém, por exemplo. Neste caso, sempre calculamos o valor do presente em função da importância e do merecimento da pessoa e principalmente se temos ou não condições para isso. O custo-benefício, nesse caso, é subjetivo, já que não será você que irá usufruir do presente. Terceiro, quando gastamos o dinheiro de uns com outros, tendo como exemplo se alguém nos desse um dinheiro para comprar um presente para uma terceira pessoa ou nos mandasse fazer um serviço utilizando material que não foi comprado por nós. Neste caso, as considerações que teríamos na primeira e segunda formas desapareceriam, afinal, não haveria razão para nos preocuparmos com o bom uso desse dinheiro, já que ele não nos pertence. Quarto, quando gastamos o dinheiro de outra pessoa conosco. Um bom exemplo é imaginar alguém nos oferecendo um almoço num restaurante a escolher. Com toda a certeza, optaríamos por um restaurante melhor e mais caro do que aquele que escolheríamos num dia qualquer, afinal, não seríamos nós que pagaríamos a conta. Agora veja que dessas quatro situações, as duas primeiras ocorrem rotineiramente com você, comigo e com qualquer pessoa física do planeta. A terceira ocorre nas empresas e no governo e a quarta é quase uma exclusividade dos governos. Vamos nos ater as duas últimas e ver como são (mal) usadas pelos municípios, estados e federação. Imagine que nas terceira e quarta situações não existam controles nem procedimentos estabelecidos para o uso dessa dinheirama. Pense que quem está com a chave do cofre, sabe disso e é um funcionário mal preparado para a função, que está lá de passagem e para servir a um partido político. Acrescente a isso o fato de ele saber que a impunidade grassa no país. Precisa mais? Está pronta a receita para entendermos por que estamos como estamos. Nem tudo está perdido, há inúmeros sistemas mundo afora cujos países conseguiram equilibrar esse jogo. Já que não aprendemos com nossos próprios erros, temos que ter a humildade de aprender com quem está fazendo certo. Time is money!
 


Por Marcos Sá, consultor de mídia impressa, com especialização em jornais, na Universidade de Stanford, Califórnia, EUA. Atualmente é diretor de Novos Negócios do Grupo RAC de Campinas