A fé e a vida isolada das carmelitas atrás das grades do mosteiro do Carmelo

Em entrevista exclusiva à Circuito, as irmãs carmelitas falam sobre sua opção de vida na clausura e nos contam um pouco da rotina diária atrás das grades do mosteiro do Carmelo. Assista.

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Elas vivem atrás das grades, mas por vontade própria. Têm uma vida regrada, sem luxo, não comem carnes vermelhas, não usam Facebook e muito menos WhatsApp. Fizeram votos de pobreza, castidade e obediência. Estamos falando das irmãs Carmelitas, que vivem no mosteiro do Carmelo do Imaculado Coração de Maria e Santa Terezinha, que fica na região central de Cotia. Na clausura.

Pela primeira vez, uma equipe de reportagem de Cotia conversou com as freiras da clausura do Mosteiro do Carmelo. A conversa aconteceu através das grades e não foi possível entrar na clausura – isso só acontece em raros momentos e só o Papa Francisco autoriza.

Oração é a principal atividade das 26 irmãs Carmelitas que atualmente vivem no mosteiro, que este ano completa 72 anos.

De acordo com divulgação da diocese de Osasco, ao qual a ordem está vinculada, ela surgiu no final do século XII e início do século XIII, com um grupo de fiéis europeus, ex-combatentes das Cruzadas e peregrinos, que passaram a viver como eremitas no Monte Carmelo, junto à “fonte de Elias”. Seu modo de vida é inspirado no Profeta Elias e nos filhos dos Profetas que ali viveram.

Por volta do ano de 1209, Santo Alberto, Patriarca de Jerusalém lhes dá, conforme seu pedido, uma Regra de vida (em vigor até os nossos dias) e, assim, eles passam a constituir a Ordem da Bem-aventurada Virgem Maria do Monte Carmelo.

No Monte Carmelo esses eremitas constroem uma capela dedicada a Maria, vendo nela a Mãe dedicada, a Irmã que compartilha a mesma vida, a Mestra de oração e de escuta da Palavra de Deus, “modelo e ideal de consagração”.

Em 1238, os carmelitas (como passaram a ser chamados) são obrigados a deixar o Monte Carmelo e se estabelecem na Europa, deixando de viver como eremitas, passando a exercer trabalhos apostólicos, porém, conservando seu ideal contemplativo. O ramo feminino da Ordem surge no século XV.

Em Cotia, as primeira carmelitas chegaram em fevereiro de 1947, tendo como primeira priora, Madre Raimunda dos Anjos por determinação da fundadora Madre Verônica de Verônica de Nossa Senhora das Dores.

Assista:

Santa Teresinha

Teresa de Jesus nasceu em Ávila (Espanha) no dia 28 de março de 1515. Aos 20 anos de idade ingressa no Mosteiro das Carmelitas de sua cidade natal, onde vive 26 anos.

Em 1562 respondendo a um apelo divino e como consequência de um intenso processo de vida espiritual, Teresa funda o primeiro Carmelo da Reforma ou Descalço. Queria desse modo resgatar o espírito primitivo da Ordem. Portanto, não quis fundar uma nova Ordem, mas assegurar a continuidade do Carmelo.

Santa Teresa direcionou toda a sua obra fundacional para um sentido profundamente eclesial e apostólico: queria que suas filhas fossem “amigas” do Senhor pela vida de oração e de união com Ele, para alcançar favores e graças para o mundo inteiro, mas, principalmente para os sacerdotes a fim de, através deles, salvar muitas almas.

Por Sonia Marques, com informações da Diocese de Osasco