Fim do mundo

Marcos Sá escreve sobre o fim do mundo, que poderá vir de um jeito inesperado através de um microscópico e invisível organismo.

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Datas previstas: Maias 2012, Nostradamus 2019, Massachusetts Institute of Technology (MIT) 2040, Isaac Newton 2060, Stephen Hawking 2600. Previsões para o fim do mundo não faltam. Ainda bem que nenhuma até agora se confirmou e espero que nenhuma se confirme. Armageddon, eclipse solar aterrador, asteroide colidindo com a terra, explosão nuclear, bomba atômica, guerra  nas estrelas, Chernobyl dois, tsunami, terremoto, inteligência artificial (IA) eliminando a humanidade, nuvem digital mecatrônica, invasão de ETs, esgotamento da Terra, degelo dos polos terrestres e inundação, cataclismos climáticos, chuva ácida, walkings deads, DNAs modificados, alimentos transgênicos, glúten e lactose nos estômagos intolerantes, enfim várias ameaças pairam no ar. Mas na minha humilde opinião o fim do mundo virá de um jeito inesperado. Virá através de um microscópico e invisível organismo. Um desconhecido poderoso que atende por um nome genérico. Virose! Palavrinha mágica que não quer dizer nada, mas que diz tudo. Um belo dia, ou melhor, um bad day, esse nano ser será capaz de contaminar os sete bilhões de seres humanos do planeta, simultaneamente. Nesse dia, a humanidade acabará. Quem já teve a infelicidade de conhecer pessoalmente o pequeno meliante, entende o que estou dizendo. Já relatei aqui neste espaço alguns dos sintomas dessa praga. Ela é irritantemente democrática. Ataca crianças, adultos e idosos, ricos e pobres, homens e mulheres, não respeita pai, mãe e nem avós e o pior é que como vem vai, sem que saibamos sua verdadeira identidade, seu nome de batismo. Este mês ela pegou mais um amigo. Como os sintomas não desapareciam e o mal-estar predominava, o infeliz contemplado foi várias vezes ao médico. Depois de 15 dias de exames e pesquisas, saiu o diagnóstico. CITOMEGALOVÍRUS. O maldito tem até um apelido, CMV, e segundo os especialistas, é um vírus comum que pode infectar a maior parte das pessoas. O citomegalovírus é da família do vírus do herpes simples.  A maioria das pessoas que tem o vírus não percebe, pois ele fica lá quietinho esperando a hora de atacar. Uma vez que uma pessoa entra em contato com o vírus, ele permanece no organismo por toda vida, mas só fica ativo em alguns períodos, quando se torna transmissível. Normalmente, a ativação ocorre em pessoas que estão com o sistema imunológico mais fraco. No entanto, quando ele acorda e se manifesta, é preocupante, principalmente em mulheres grávidas e pessoas com o sistema imunológico deprimido. É quando o CMV vira virose. Sim, porque a maioria das pessoas se recupera antes de ser diagnosticada, e aí fica o dito pelo não dito e viva São Benedito! O CMV vira virose. Tal como o CMV, existem vários outros vírus com efeito igualmente arrasador que jamais saberemos o nome, até que o bandido entre nas nossas veias e comece a fazer estragos e seja chamado pelo apelido, virose. Daí para frente você jamais vai se esquecer dele, mesmo que não saiba seu nome. O pior dessa história é que, apesar dos avanços da medicina, não há nada que se possa fazer para encurtar a agonia. Como todo processo viral, há um ciclo com começo, meio e fim, que dura de sete a quinze intermináveis dias, e você fica lá, na boca do inferno, esperando ele se cansar e ir embora. Enquanto ele não decide ir, aguente firme, enxaqueca, calafrios, febre, mal-estar, dores no corpo e perda de apetite. Alguém aí, dá para descobrir uma vacina para essa coisa?

 


Por Marcos Sá, consultor de mídia impressa, com especialização em jornais, na Universidade de Stanford, Califórnia, EUA. Atualmente é diretor de Novos Negócios do Grupo RAC de Campinas