O físico alemão Albert Einstein já dizia: “Se as abelhas desaparecerem da face da Terra, a humanidade terá apenas mais quatro anos de existência. Sem abelhas, não há polinização, não há reprodução da flora, sem flora não há animais, sem animais, não haverá raça humana”. E ele tem razão.
As consequências sem as abelhas poderão ser drásticas, pois delas dependem a sobrevivência de muitas espécies, incluindo os humanos. Elas polinizam plantações de legumes, grãos e frutas, o que é indispensável, já que através delas cerca de 80% das plantas se reproduzem.
Em 2011, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês) emitiu um alerta sobre as consequências que o sumiço das abelhas poderia causar.
O desaparecimento de colônias desses animais, antes limitado à Europa (onde o fenômeno começou a ser notado no fim da década de 1960) e à América do Norte, ultimamente está sendo também observado na África (Egito) e na Ásia (China e Japão).
Entre as principais causas da provável extinção estão as monoculturas, a intensificação do uso de agrotóxicos e as queimadas.
O apicultor Eduardo Gonsalves Paschoal disse que já leu vários estudos que falam sobre a extinção das abelhas. E ele deu o prazo: dez anos. Mas o apicultor apresenta duas dicas importantes de como contribuir para que isso não ocorra, entre elas, plantar árvores que dão flores às abelhas e o cultivo de alimentos orgânicos.
“O cultivo sem agrotóxico é importante, porque esse veneno, quando a abelha ingere, ela volta contaminada para o enxame e em poucos instantes morre. Leva ao fim do enxame”, explica.
O apicultor e diretor do parque ‘Cidade das Abelhas’, em Embu das Artes, Wilson Donnini, tem a mesma opinião de Eduardo. Para ele, hoje o maior inimigo das abelhas são os agrotóxicos, que “envenenam” os insetos polinizadores e também os seres humanos.
“O uso indiscriminado e sem cuidados especiais está dizimando mais abelhas a cada dia. Os Estados Unidos e a Europa já proibiram o uso destes agrotóxicos comprovadamente prejudiciais a todos, mas no Brasil, para nossa surpresa, eles estão liberados”, lamenta.

Como colaborar com as abelhas
Confira mais dicas de como ajudar as abelhas:
– Plante flores diferentes em vasos ou no jardim para oferecer uma dieta rica e variada às abelhas. Caso floresçam em diferentes épocas do ano, melhor ainda.
– Não use produtos químicos ou inseticidas, pois podem ser nocivos para as abelhas. Isso é particularmente prejudicial quando as plantas estão floridas, uma vez que os produtos químicos entram em contato com o néctar e o pólen, e as abelhas podem levá-los para as colmeias.
– Deixe flores silvestres e ervas daninhas no jardim: são bons alimentos para as abelhas.
– Construa um “hotel para abelhas”: você pode comprar ou criar uma estrutura de madeira com furos, que servirá como ninho para abelhas solitárias – que são a grande maioria.
– Torne-se um apicultor: não há necessidade de morar no campo para criar abelhas. A apicultura urbana é praticada em muitas cidades. Busque uma associação local, aprenda o necessário e transforme a apicultura em um hobby.
– Perca o medo: as abelhas não visam atacar você, porque elas provavelmente morrerão ao lhe picar. Elas só fazem isso quando se sentem ameaçadas. Se uma abelha pousar em você, mantenha a calma e espere ela sair. Não fique perto da entrada de uma colmeia ou no caminho entre as flores e a colmeia. E aprenda a diferenciá-las das vespas, que podem, sim, picar sem motivo aparente.
– Deixe um prato de água no jardim ou no quintal: você pode não saber, mas as abelhas também sentem sede.
Conheça algumas espécies de abelhas
Abelha-europeia ou melífera
A abelha melífera é a famosa listrada de preto com amarelo, e a preferida dos apicultores por ser a melhor produtora de mel.
Abelha sem ferrão
Existem muitas abelhas sem ferrão, mas as principais são a irapuã, a jataí e a mirim.
Abelha mamangava
Esta espécie não é usada na extração do mel, porém é muito importante para o cultivo de maracujá.
Curiosidades das abelhas e suas colmeias
As abelhas são insetos que vivem em sociedade, cujo tamanho é em torno de 2 centímetros de comprimento.
Têm listras pretas e amarelas no corpo.
Possuem cinco olhos: dois maiores na frente e três menores no topo da cabeça.
Têm duas antenas na cabeça.
São detentoras de dois pares de asas e utilizam sua língua para sugar o néctar das flores.
As abelhas, assim como outros insetos, pássaros e pequenos mamíferos, polinizam plantas ao se alimentarem, através das flores, levam o pólen, contribuindo para reprodução das plantas.
As abelhas constroem suas colmeias em topos de árvores, cavernas etc.
Uma colmeia pode chegar a ter 80 mil abelhas.
As colmeias são muito organizadas e funcionam, de forma hierárquica, na qual existe uma abelha-rainha, muitos zangões e abelhas-operárias.

Benefícios e malefícios do mel
De acordo com nutricionistas, o mel pode trazer diversos benefícios para a saúde. Circuito preparou, abaixo, uma relação dos principais deles.
Diminui os riscos de infecção urinária: Alguns estudos apontaram que bactérias causadoras de certas doenças são sensíveis a ação antibacteriana do mel. Entre esses microrganismos estão a Streptococcus faecalis, Proteus species e Pseudomonas aeruginosa, todas elas podem causar infecção urinária.
Bom para pele: O mel é rico em antioxidantes, como ácidos fenólicos, os flavonoides e os carotenoides. Por isso, o alimento contribui para a diminuição dos radicais livres e assim previne o envelhecimento precoce e contribui para a pele mais bonita e saudável. O produto pode ser ingerido ou utilizado em cosméticos como sabonetes e cremes.
Ação antioxidante: Isto faz com que o mel ajude a diminuir os radicais livres e assim contribua para evitar o envelhecimento celular, proporcionando uma pele mais bonita e saudável e prevenindo doenças como o Alzheimer, cardiovasculares, entre outras. As substâncias presentes no alimento que proporcionam este benefício são: ácido glucônico, os ácidos fenólicos, os flavonoides, certas enzimas, como a glicose oxidase, catalase e peroxidase, ácido ascórbico, hidroximetilfurfuraldeído e carotenoides.
Mas como todo alimento ingerido em excesso faz mal à saúde, com o mel não é diferente. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o mel em demasia pode aumentar o nível de açúcar no sangue, fazendo com que ocorra o sobrepeso e futuramente diabetes.
Outro malefício do mel, é que em crianças pode causar botulismo infantil. Por isso, a própria Anvisa não recomenda que crianças menores de 1 ano façam a ingestão de mel. Tudo por conta de uma bactéria chamada Clostridium botulinum que pode ocasionar o botulismo em crianças, porque nessa idade elas não têm o organismo preparado para eliminar as toxinas.
Além disso, a Anvisa alerta que o mel também pode fazer mal a flora intestinal em adultos que já possuem um histórico de problemas no intestino.
Como é produzido o mel das abelhas

  1. A fabricação do mel começa com a coleta do néctar nas flores. Ele é guardado em uma bolsa no corpo da abelha e levado para a colmeia.
  2. Glândulas localizadas na cabeça das abelhas secretam duas enzimas que reagem com o açúcar do néctar.
  3. Uma enzima, chamada invertase, transforma o néctar em glicose e frutose. A outra, glicose oxidase, lhe confere acidez, impedindo sua fermentação.
  4. Batendo as asas, a abelha seca o excesso de água presente no néctar.

As abelhas e a polinização
A polinização é a transferência do pólen (gameta masculino) da estrutura reprodutiva masculina de uma flor (antera) para a estrutura reprodutiva feminina (estigma) da mesma flor ou de outras flores da mesma espécie. Dessa forma, o gameta masculino alcança o gameta feminino (óvulo) e o fecunda. Este processo permite a formação de frutos e sementes que, futuramente, produzirão uma nova planta.
Em alguns casos, como o milho, trigo e arroz, o pólen é transportado pelo vento. Outros agentes polinizadores são a água (em certas plantas aquáticas) e a gravidade.
Porém, em cerca de 80% de todas as plantas com flores, alguns animais são os responsáveis pela polinização. Na grande maioria dos casos, entre os animais polinizadores, nenhum é mais eficiente do que a abelha.
Graças ao seu trabalho de coleta de pólen e néctar, voando de flor em flor, as abelhas polinizam as flores e promovem sua reprodução cruzada. Além de permitir a reprodução das plantas, esse trabalho também resulta na produção de frutos de melhor qualidade e maior número de sementes. Todo esse processo resulta na base de toda uma cadeia alimentar.

De empresário a apicultor
Eduardo Gonsalves Paschoal deixou o lado empresarial da cidade para viver no campo, ou, mais especificamente, com as abelhas. Hoje apicultor, Eduardo era um dos responsáveis das lojas Urbuzz – região central de Cotia – e Momem, no The Square. Mas sua paixão pela natureza o levou para outro destino.
“Minha família é do interior, então minha experiência sempre foi muito marcante, sempre morei na cidade grande, mas com vontade de voltar ao interior. Essa paixão pela natureza me fez tomar essa decisão de trabalhar como apicultor”, conta.
Outra paixão de Eduardo é a área da saúde. Ele, por ter comercializado artigos esportivos nas lojas onde era sócio, sabe muito bem da importância de praticar atividades físicas e de uma boa alimentação.
“Estudei uns anos essa parte da nutrição e foi uma decisão muito importante que eu vi no mel, que é um alimento riquíssimo. Também o pólen que possui proteína ajuda o atleta, por exemplo, a constituir massa muscular. Tudo que a abelha produz é muito rico e importante para a gente”, defende.
E o mel tornou-se sua ferramenta de trabalho no campo. Só que diferentemente da rotina do mundo empresarial da cidade, o contato com a natureza o permite experimentar e conhecer outras essências da vida.
“As abelhas me permitem viajar, não me exige um trabalho diário. Tudo de uma forma administrada, a gente pode ir ajeitando certinho”, finaliza.

A Cidade das Abelhas
Localizado em Embu das Artes, o parque temático Cidade das Abelhas há 39 anos abre o espaço para alunos, crianças e adultos interessados no mundo desses insetos, que sobreviveram a cataclismos sem extinção, pois sua origem data do tempo dos dinossauros, com mais de 100 milhões de anos atrás.
O apiário recebe visitas de escolas e de grupos nos fins de semana, com atividades de lazer e diversão, mas com viés cultural e educativo. Isso porque os atrativos foram pensados para ensinar às crianças a importância da abelha na natureza. Por isso, o parque temático tem brinquedos ao ar livre, colmeias e uma abelha gigante de fibra de vidro de 18 metros de comprimento e 3 de altura, e outras atrações, como uma réplica de tiranossauro e tobogãs de até 14 metros ao ar livre.
A minicidade é localizada em um sítio com 20 mil metros quadrados de extensão e tem ainda atrações para toda a família, como trilhas nas quais é possível ver réplicas de animais – inclusive dinossauros –, e atividade de arvorismo não radical para as crianças, degustação de mel e loja de suvenires para os adultos.
Serviço
Apiário Cidade das Abelhas
Endereço: pela rodovia Régis Bittencourt, entrar numa das entradas de Embu e ir até o estádio municipal, depois seguir pela Estrada da Ressaca, km 7 – Parque Industrial Ramos de Freitas Embu das Artes
Tels.: (11) 4703-6460 e (11) 4614-0609.
Mais informações: https://cidadedasabelhas.com.br
 
Por José Rossi Neto