Morar na Granja Viana foi, durante muitos anos, o sonho de consumo dos que buscavam melhor qualidade de vida proporcionada pelo clima bucólico, ar puro e muita área verde. Talvez o conceito de bucólico não caiba mais na descrição de um dos locais mais charmosos da Grande São Paulo, mas Hélio Alterman, diretor da imobiliária mais antiga da Granja Viana, a Proinvest, garante que a região continua sendo um grande atrativo, não só de qualidade de vida, mas pelas vantagens financeiras na aquisição de imóveis.

Prestes a completar 30 anos de atuação no mercado imobiliário da região, Alterman conversou com nossa reportagem e faz um balanço do setor: “o pior já passou”, diz ele, que aposta na melhora da economia do país e nas novas modalidades de financiamento para alavancar as vendas. “O mercado imobiliário é fantástico! Às vezes, sofre com a economia, mas segue rigorosamente o ciclo virtuoso infindável das famílias que em cada fase necessitam de moradias diferentes. O mercado está excelente para comprar, seja para uso ou investimento. Portanto, quem tem um bom imóvel, está sensível a redução de valor e estuda permuta, tem mais chance de fazer negócio”, comenta Gastão Paolillo, gestor da mPm Rede.

Um dos motivos para a volta do ânimo e do aumento das vendas a partir do segundo semestre deste ano foi a redução da taxa de juros anunciada pela Caixa Econômica Federal. Isso fez com que os grandes bancos particulares entrassem na disputa com o banco público. “Quem ganha com isso é quem quer comprar imóveis”, ressalta Alterman.

Em agosto, a Caixa também anunciou a criação de linha de financiamento imobiliário com saldo corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). “Você vai dizer, vou financiar em 30 anos, o que vai acontecer? Ninguém sabe, mas nos próximos anos está garantido que não teremos uma inflação alta, então isso anima as pessoas a começarem a procurar imóvel novo”, comemora o diretor da Proinvest, que está seguro de que a inflação no Brasil não deve passar de 3% a 4% ao ano. “As perspectivas do mercado imobiliário são excelentes”, garante. No começo de outubro, a Caixa anunciou outra novidade: redução de até 1 ponto percentual nas taxas de juros para os financiamentos imobiliários com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).

 

A Granja Viana não é mais aquela

O perfil do morador da Granja Viana mudou. Claro, a passagem do tempo, os novos comércios, shoppings, restaurantes chegaram junto com o progresso. Mas a Raposo Tavares está entre os motivos que fizeram mudar o perfil do granjeiro. “Aquele consumidor que antigamente vinha pra a Granja querendo terrenos grandes, com piscina, churrasqueira, área verde não existe mais”, comentou Hélio Alterman.

A maioria esmagadora, 90%, prefere os condomínios fechados – pela questão da segurança e comodidade dos condomínios-clubes. “A Granja ainda é uma região privilegiada, com área verde preservada e ainda tem pessoas que buscam isso.” Mas tem a Raposo Tavares que contribui muito para a mudança de perfil do novo morador.

Aquele pessoal que trabalha na região central de São Paulo não quer mais morar aqui.  Segundo Alterman, o cliente de hoje no máximo utiliza o Rodoanel, a avenida Politécnica, ou vai para o Morumbi, ou ainda aqueles que têm possibilidades de trazer seus escritórios para a Granja, que deixou de ser um bairro-dormitório.

Mas ainda há outro fator que pesa na decisão de escolha, o preço dos imóveis, muito mais baixo que em São Paulo. “A pessoa que comprou um apartamento de R$ 2 milhões em São Paulo, por exemplo, aqui escolhe uma casa no melhor condomínio, em um terreno quatro vezes maior e ainda sobra dinheiro.”

Mas não são esses os imóveis mais vendidos na região, e sim aqueles na faixa de R$ 600 mil a R$ 800 mil. “Com esse valor em São Paulo a pessoa compra um apartamentinho num bairro afastado do centro.”

 

Compra e venda de imóveis aumentou

A compra e venda de imóveis aumentou 5,97% no estado de São Paulo no acumulado de 12 meses em comparação com o período anterior. É o que revela balanço do registro de imóveis divulgado no fim de setembro pela Associação dos Registradores de Imobiliários de São Paulo (Arisp) em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

O setor vem demonstrando melhora contínua desde 2016, quando as negociações chegaram ao nível mais baixo da crise. “Estávamos em uma curva ascendente em 2012, e em 2013, 2014, por conta da crise política e econômica, o mercado imobiliário sofreu. Então, tivemos uma curva descendente que só começou a ser revertida em 2016”, explicou a coordenadora de pesquisas da Arisp, Patrícia Ferraz.

Foto: Jaques Shiro Yamazaki

Região tem lançamentos residenciais e comerciais

Confúcio Cavalcante, diretor da EPC Empreendimentos Imobiliários, comemora o recém-lançamento da terceira fase do Residencial Vintage Arte de Morar, na Granja Viana, e aposta no aquecimento do mercado, que segundo especialistas vem melhorando gradualmente, para novos produtos. E o empresário tem motivos para estar otimista. De acordo com dados divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o aumento das vendas no primeiro trimestre do ano foi de 9,7%, e nos lançamentos residenciais, de 4%.

Para Cavalcante, a inflação sob controle, os novos modelos de financiamento bancário somados às Reformas da Previdência e Trabalhista fizeram com que o nível de incerteza do mercado diminuísse.

A estimativa da CBIC é que os lançamentos e as vendas de imóveis residenciais cresçam entre 10% e 15% ainda neste ano, sendo as moradias de médio e alto padrão apontadas como as principais responsáveis pelo aumento.

Seguindo a onda de otimismo, Cavalcante lançou, no início de outubro, depois de dez anos de implantação e em meio a ação judicial, o Centro Logístico Fernando Nobre, na estrada Fernando Nobre, também na Granja Viana.

 

Em nove anos, mais de 11 mil unidades residenciais foram lançadas em Cotia

De janeiro de 2010 a agosto deste ano, já foram lançadas 11.696 unidades residenciais na cidade de Cotia. As unidades com dois dormitórios são as que mais tiveram lançamentos: 9.314. Mas neste ano, até agora, foram apenas 427.

Os dados disponibilizados pelo departamento de Economia e Estatística do Secovi-SP (Sindicato da Habitação) mostram ainda que em 2010 a cidade registrou a comercialização de 1.851 imóveis – recorde nos últimos nove anos. Com queda em 2011 e 2012, o lançamento de novas unidades voltou a crescer em 2013, 2015 e, no ano passado, totalizando 4.631 imóveis.

 

Foto: Jaques Shiro Yamazaki

Caucaia do Alto cresce

Investir onde ninguém acredita que vai dar certo, começando pelos loteamentos e levando a população para esses ‘lugares distantes’ com toda a infraestrutura necessária e serviços essenciais. É com esse jeito ‘Dom Quixote’ de ser – referência ao personagem do clássico da literatura Dom Quixote de La Mancha – que o empresário e diretor da imobiliária Miranda e Mendelsohn Adm., Alberto Miranda, enxerga o mercado imobiliário na região. Ele mesmo se classifica desta forma pelo fato de ter uma visão diferenciada do setor imobiliário.

Miranda é proprietário do loteamento comercial e industrial Polo 40, localizado no km 40 da rodovia Raposo Tavares, região de Vargem Grande Paulista. Com mais 39 galpões comerciais alugados na região, Miranda aposta o investimento agora em loteamentos residenciais. No fim de novembro, será lançado um residencial com 491 lotes na estrada dos Pereiras, em Caucaia do Alto.

Ele vê com bons olhos o crescimento da região, mas com algumas preocupações. De acordo com o empresário, geograficamente, ainda tem muito campo para avançar, porém os governos dos municípios precisam ter consciência de que as comunidades devem também ser beneficiadas. Outra preocupação destacada por ele é a mobilidade urbana. Miranda disse que se esse problema não for encarado seriamente, os municípios vizinhos sofrerão com o tempo. Para ele, apenas as duplicações da estrada de Caucaia e da Bunjiro Nakao não são suficientes.

O empresário acredita que Vargem Grande Paulista e Cotia possuem a capacidade de ter uma ‘vida autônoma’, como Santo André e Osasco, por exemplo. Para isso, segundo ele, é necessário trazer mais emprego para onde as pessoas residem.

 

Por Sonia Marques/ José Rossi Neto/ Juliana Martins Machado