Não está nada fácil entender o mundo nos dias de hoje. Eu disse o mundo. Imagina querer entender o Brasil. Mas vamos por partes. Até agora nenhum país conseguiu entender, controlar e menos ainda acabar com a Covid-19. É uma bateção de cabeça que não tem fim. Cloroquina vai, remdesivir vem, Avifavir entra, Koronavir sai, anti-inflamatórios, respiradores, anticoagulantes, até ozônio via retal já sugeriram. Tudo isso sem falar das vacinas. As mais avançadas: as russas Gamaleya e Sputnik V, a inglesa Oxford, as chinesas Sinovac, CanSino e Sinopharm, a americana Moderna e as mais de cem que estão em fase preliminar de testes. Quero ver quem se habilita, porque ao optar por uma vacina, imediatamente você é carimbado ou de fascista ou comunista. Não adianta procurar culpados pela confusão. É uma somatória de conceitos ideológicos por parte de todos, que se sobrepõem ao que deveria ser o objetivo da humanidade. O bem- estar do cidadão. Mas, dane-se o cidadão comum e o bom senso. O que vale é a defesa intransigente das posições políticas e ideológicas. Essa barafunda atinge hoje níveis inimagináveis. Segundo pesquisas recentes, os telejornais perderam significativa audiência, devido a divulgação de notícias tendenciosas. Perderam a credibilidade com seu público. Confiar em quem? Cada emissora usa a informação conforme seus interesses ou seu viés ideológico. Até pouco tempo, a imprensa era considerada a entidade mais crível, perdendo apenas para as igrejas. Hoje o panorama mudou. Segundo o UOL, as instituições brasileiras mais confiáveis são: 1) Polícia Federal. 2) Igrejas. 3) Forças Armadas. 4) Polícia Militar. 5) Grupos de família no WhatsApp. Nem precisa explicar quem são os menos confiáveis segundo o mesmo UOL: 1) Partidos políticos. 2) Facebook. 3) Congresso Nacional. 4) STF. Dá para acreditar? Está tudo de cabeça para baixo. É o que sente o povo. E não é à toa. Em nome do politicamente correto ou em defesa sabe se lá do que e por quê, decisões esdrúxulas são tomadas. O mocinho virou bandido e o bandido virou mocinho. Vejam o que ocorre hoje no Rio de Janeiro, ex-Cidade Maravilhosa. A Polícia Militar foi impedida, por decisão do STF, de invadir os morros cariocas na busca por quadrilhas e traficantes. O argumento é o seguinte: ao invadir as comunidades, os policiais põem em risco a vida dos moradores. Ao mesmo tempo, cerca de 30 mil presos condenados em várias cadeias pelo Brasil afora foram libertados por conta do risco de pegarem o coronavírus nas superlotadas prisões brasileiras. Enquanto isso, a população cumpre solenemente, trancafiada em casa, a quarentena. Bandidos soltos e a população presa. Acredito que cada um de nós tem dentro de si a crença do certo e do errado. Do bem e do mal. Ninguém em sã consciência ensina aos filhos ou aos alunos o que não é certo. Mas como explicar o que acontece hoje às crianças? Difícil entender, quanto mais justificar. Em um ano em que tivemos cerveja com veneno, água com coliformes fecais, ciclone bomba, praga de gafanhotos, Covid-19, casas desmoronando, padre desviando recursos, Lula solto, Paraguai dando lição de moral e prendendo Ronaldinho gaúcho, Barcelona tomando de 8 e Vasco líder do Brasileirão, o que mais nos aguarda? Bizarro! Que venha 2021, a partir de amanhã! Eta mundão estranho!