Brincar é essencial para o desenvolvimento infantil. Tanto que é considerado um direito humano fundamental pela Convenção dos Direitos da Criança e do Adolescente (artigo 31), equiparado em importância à educação, saúde e moradia. Em um mundo cada vez mais urbanizado e sob risco climático, porém, as possibilidades de brincar livremente, em contato com a natureza, têm ficado cada vez mais restritas.

Para debater esse tema e estimular a naturalização dos espaços que acolhem crianças e adolescentes e a aprendizagem ao ar livre, a conferência internacional Espaços Naturalizados para as Infâncias vai acontecer de 20 a 23 de setembro. A iniciativa apoia um movimento global por espaços educativos formais e não formais com mais natureza e será realizada pelo Instituto Alana, pelo Sesc São Paulo e pela International School Grounds Alliance (ISGA).

O evento reunirá profissionais destacados de campos tão diversos quanto educação, saúde, artes, arquitetura e urbanismo, tanto do setor público quanto privado. Em comum, eles têm a crença de que o contato com a natureza é algo de importância central, que melhora todos os indicadores de saúde física e mental, e estimula diversas aprendizagens que contribuem para o desenvolvimento integral. “Quando as crianças têm a possibilidade de se conectar com a natureza nos espaços que frequentam, elas desenvolvem um vínculo com ela e passam a valorizar, também, sua conservação”, diz Maria Isabel Barros, especialista em crianças e natureza do Alana.

Na programação, palestras, painéis, apresentações, visitas a projetos e oficinas. O encontro vai lançar luz sobre diferentes experiências brasileiras e propor diálogos com propostas desenvolvidas em outros países. Serão organizadas visitas a diferentes projetos, incluindo a Escola Ágora e a OCA Escola Cultural, ambas aqui da região.

“A ideia da conferência é pensar como os espaços abertos, naturalizados, favorecem as relações sociais e estimulam a aprendizagem. Na sexta-feira pela manhã, um grupo virá conhecer o trabalho da Ágora, uma experiência prática de espaço naturalizado de convivência e aprendizado para crianças e jovens. Além de uma fala da Terê Fogaça de Almeida, criadora e diretora da Escola, os visitantes conhecerão o espaço, que será apresentado pelos alunos”, comenta Julia Bardi, auxiliar de coordenação pedagógica.

Confira a programação completa:

20/9 – Sesc Vila Mariana
19h-19h30: Boas vindas e abertura institucional, com MC Midria, poeta, slammer, cientista social e mestranda em antropologia social.
19h30-20h30: Palestra de abertura: “Emparedamento escolar, cerceamento urbano e injustiça ambiental: infâncias, direitos e descolonização”, com Lea Tiriba – Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO.

21/9 – Sesc Vila Mariana
10h-11h30: Painel 1 – “Desemparedamento da infância: por territórios educativos e cidades educadoras”, com a pedagoga Taís Fróes, articuladora do Movimento Quintais Brincantes e Gersem Baniwa, Diretor-presidente do Centro Indígena de Estudos e Pesquisa (CINEP). Mediação de Gabriela Graça Ferreira, do Sesc SP.
11h30-12h: Apresentação sobre o projeto “Lições Globais sobre Espaços Escolares Naturalizados e Educação ao Ar Livre”, com Jaime Zaplatosch Ehrenberg, Líder de inovação, parcerias e captação de recursos da Children & Nature Network.
14h-15h30: Painel 2 – “Escolas como espaço de resiliência climática e saúde para as crianças e as cidades”, com a arquiteta e urbanista Carla Roxo, co fundadora do Programa Ribeirão – 3°e arquiteto paisagista, Ko Senda, Professo da Den-En Chofu University, no Japão. Mediação de JP Amaral,  Gerente de Meio Ambiente e Clima do Instituto Alana.
16h-17h30: Painel 3 – “Políticas públicas para o desemparedamento das infâncias e juventudes”, com o arquiteto e urbanista, Swami Lima, assessor de projetos especiais da Prefeitura de Caruaru (PE) e Emma Cortés, coordenadora do Programa Cidade Brincante, iniciativa do Instituto das Infâncias e Adolescências de Barcelona. Mediação de Jaqueline Moll, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
17h30-18h30: Palestra de encerramento – “Fomentando a conexão entre a cultura das infâncias e a resiliência urbana: o caso da iniciativa Playtime in Africa”, com Amowi Phillips, coordenadora da  Mmofra Foundation,  organização da sociedade civil que promove a ligação entre a cultura da infância e a natureza, em Gana.

22/9 Visitas e oficinas
Serão organizadas visitas a diferentes projetos, com almoço incluído e traslado feito em ônibus fretados a partir do Sesc Vila Mariana (cada participante pode integrar uma visita, já que ocorrem em paralelo), saindo pela manhã e regressando no fim da tarde:

  • Mundo das Crianças e Sesc Jundiaí, em Jundiaí (SP)
  • EMEI Dona Leopoldina
  • Casa Ubá e Puri Espaço Educativo, espaços alinhados ao Movimento Quintais Brincantes
  • Escola Ágora e Oca Escola Cultural
  • Sesc Interlagos

23/9 Visitas e oficinas

  • Fábrica das Infâncias Japy e Bosquinho, em Jundiaí (SP)
  • Parque Naturalizado Cerradão e Sesc Mogi das Cruzes, em Mogi das Cruzes (SP)
  • Parque Natural Municipal Itaim
  • Parque Naturalizado Jardim Helena e TiNis do Espaço Alana
  • Parque Natural Municipal Fazenda do Carmo e Sesc Itaquera
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