O Ministério da Saúde anunciou que o Sistema Único de Saúde (SUS) não irá oferecer a vacina recombinante contra o herpes-zóster, também conhecido como cobreiro. O medicamento, indicado para idosos e para os imunocomprometidos, foi barrado após análise da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) — que avalia evidências científicas, impacto orçamentário e custo-efetividade de medicações, vacinas e procedimentos antes da oferta na rede pública.
Atualmente, o imunizante contra o herpes-zóster está disponível somente no setor privado, custando, em média, R$ 700 por dose e o esquema vacinal completo exige duas aplicações.
A vacina do tipo recombinante adjuvada é a única disponível no Brasil e é considerada um avanço em relação às versões anteriores, feitas com o vírus vivo suavizado. A versão recombinante não utiliza o vírus inteiro e oferece maior eficácia e proteção mais duradoura. Um avanço científico enorme, principalmente porque o imunizante anterior mostrava uma eficácia de 50% e 60%, com uma curta durabilidade — menor que 5 anos.
O Brasil participou dos estudos dessa nova vacina inativada, há uma década, que alterou o curso da enfermidade nos países que a implementaram. As dificuldades enfrentados para a incorporação da nova vacina passam exclusivamente por questões orçamentárias, pois é um produto extremamente caro.
No momento, o foco de prioridades do SUS está voltado nas vacinas contra a dengue, a bronquiolite (vírus sincicial respiratório), vacinas pneumocócicas e novas vacinas contra o HPV.
De acordo com o Ministério da Saúde, com uma possível queda dos preços, as negociações podem ser retomadas para uma nova tomada de decisão. A pasta tem interesse na incorporação do imunizante e seguirá em negociação para a busca de um preço compatível com a disponibilidade orçamentária. No atual cenário de preços do imunizante, o impacto orçamentário estimado ultrapassaria R$5,2 bilhões ao longo de cinco anos. Para efeito de comparação, todos os medicamentos distribuídos pelo Programa Farmácia Popular custaram R$ 4,2 bilhões no ano passado.
Herpes-zóster
O herpes-zóster é uma doença que aparece na pele, causada pelo Vírus Varicela-Zoster (VVZ), o mesmo que provoca a catapora. Depois de transmitir a doença, permanece “adormecido” no organismo durante toda a vida da pessoa, podendo ser reativado na idade adulta ou em pessoas com baixas defesas no organismo, como as que têm doenças crônicas como hipertensão, diabetes, câncer, Aids, pacientes que fizeram transplante, entre outros.
Depois do aparecimento das lesões, caso seja uma pessoa saudável, em sete dias mais ou menos todas as bolhas terão criado crosta e a doença praticamente terá chegado ao fim. É sinal de que o vírus não está mais lá e que o sistema de defesa deu conta de controlar a infecção.
Existe tratamento precoce com o uso de medicamentos antivirais para diminuir a chance de surgirem as fortes dores, especialmente em pessoas acima de 40 anos de idade. Assim, ao notar o aparecimento das primeiras vesículas, é indicado que o paciente seja examinado pelo médico e receba as orientações necessárias, inclusive, para o uso de remédios.
Os sintomas são dores nos nervos; formigamento, agulhadas, adormecimento, sensação de pressão; ardor e coceira locais; febre; dor de cabeça e mal-estar. As maneiras de se prevenir: vacinação; lavar as mãos com água e sabonete após tocar nas lesões; cortar as unhas; e isolamento. Crianças com catapora só devem retornar à escola quando as bolhas estiverem secas, além da higienização de objetos que possam estar contaminados.












