The Bubbly Boom

Das festas ao cotidiano: a ascensão global dos espumantes.

Se antes os espumantes eram reservados a ocasiões de festividades, hoje também conquistam a mesa do cotidiano. Uma taça no final da tarde, um brunch descontraído, um encontro entre amigas ou até um prato simples se tornam motivo para abrir um rótulo.

Brindar deixou de ser um gesto solene para se transformar em um ato espontâneo de prazer. Nesse novo cenário, que realmente faz o mundo “borbulhar”, o consumidor busca espumantes mais acessíveis, gastronômicos e surpreendentes, capazes de acompanhar tanto momentos especiais quanto pequenas celebrações diárias. E tudo indica que 2026 será um ano em que essa tendência se intensificará ainda mais, consolidando um consumo mais plural, espontâneo e aberto a novas experiências.

A força do método: por que os espumantes não são todos iguais

A lendária champagne Cristal

Antes de explorar regiões e estilos, é importante lembrar que não existe um único “tipo” de espumante. O que realmente define o estilo da bebida, juntamente com o terroir, é o método de sua elaboração.

O método tradicional, utilizado em Champagne e em diversos espumantes de alta qualidade pelo mundo, realiza a segunda fermentação dentro da garrafa. O longo contato com as borras confere borbulhas finas, textura cremosa e notas elegantes que remetem a pão tostado, brioche e amêndoas.

O método Charmat, no qual a segunda fermentação ocorre em tanques de inox sob pressão, preserva frescor e os aromas frutados. O resultado é espumantes leves, exuberantes em fragrâncias e descontraídos, perfeitos para momentos descomplicados. Este é o método predominante nos Prosecco e também muito utilizado no Brasil.

Há ainda o método ancestral, que dá origem aos Pét-Nat, nos quais a fermentação termina dentro da garrafa. São vinhos de caráter artesanal, muitas vezes turvos e vibrantes, que têm conquistado um público jovem em busca de novidades.

Cada método oferece um estilo distinto, e compreender essas diferenças ajuda o consumidor a fazer escolhas mais adequadas ao seu paladar e à ocasião. Normalmente, o método é informado no rótulo do espumante.

Um mapa além de Champagne

Produção na Serra Gaúcha

O mais interessante na ascensão dos espumantes é que eles começam a contar suas próprias histórias, sem depender da referência a Champagne.

Prosecco – Produzido no Veneto e Friuli-Venezia Giulia, na Itália, o Prosecco é feito pelo método Charmat e utiliza a uva Glera (mínimo 85%). É reconhecido por seu frescor, leveza e aromas de frutas brancas e flores. Nas áreas de DOCG, como Conegliano-Valdobbiadene, surgem versões mais refinadas e gastronômicas.

Cava – Principal espumante da Espanha, elaborado pelo método tradicional sobretudo na Catalunha, mas também em diversas regiões do país. A Cava combina estrutura, cremosidade e excelente relação entre qualidade e preço.

Crémant – Produzidos em diversas regiões da França fora de Champagne, como Alsácia, Borgonha e Loire, os Crémants utilizam o método tradicional e uvas locais. São espumantes elegantes, com personalidade regional e forte apelo entre consumidores que buscam qualidade francesa com preços mais acessíveis.

Trentodoc e Franciacorta – A Itália que compete com Champagne. Ambas produzidas pelo método tradicional, ambas com altitude e precisão. Trento DOC, nas montanhas de Trento, está ganhando notoriedade por sua mineralidade e pureza. Franciacorta, há anos consolidada, segue firme como espumante gastronômico de classe mundial.

Ao seu gosto! Brut, Rosè Brut e Nature

Além dessas referências clássicas, países do Novo Mundo, entre eles Brasil, Argentina, Chile, África do Sul, Estados Unidos e Austrália, vêm ampliando a produção de espumantes de excelente qualidade. No Brasil, a combinação de altitude, clima favorável e pesquisa enológica consistente tem gerado espumantes de respeito, especialmente nas categorias brut, nature e rosés.

Por que estamos bebendo mais espumantes?

Dois fatores ajudam a explicar o sucesso crescente dessas borbulhas.

Leveza e versatilidade

Os espumantes acompanham o estilo contemporâneo de consumo: são refrescantes, harmonizam com uma grande variedade de pratos e costumam ter percepção alcoólica menor. Podem estar na taça do aperitivo à sobremesa, sem pesar.

 

Celebração do cotidiano

O espumante deixou de ser uma bebida exclusivamente festiva. Hoje ele acompanha momentos simples, encontros informais e pequenos rituais diários. A celebração, antes restrita a datas especiais, agora permeia o dia a dia.

Em síntese, o “boom” dos espumantes não é apenas uma tendência passageira, mas o reflexo de uma mudança de olhar sobre o ato de brindar. Das taças solenes do Réveillon às borbulhas que acompanham uma salada na terça-feira, esses vinhos ganharam lugar como símbolo de leveza, diversidade e prazer acessível. Entre métodos distintos, regiões clássicas e novos protagonistas, com o Brasil incluído nesse mapa, o consumidor de hoje descobre que pode escolher um rótulo para cada momento, sem abrir mão de qualidade. E, se 2026 promete consolidar esse cenário, uma coisa já está clara: mais do que marcar grandes acontecimentos, os espumantes vieram para celebrar a vida como ela é, em pequenas doses de alegria borbulhante. Saúde!

Glossário essencial para navegar entre os estilos

Champagne: espumante produzido exclusivamente na região de Champagne, França, pelo método tradicional. Reconhecido pela elegância, complexidade, alta acidez, borbulhas finas e longevidade.

Cava: espumante espanhol elaborado principalmente na Catalunha pelo método tradicional. Fresco, estruturado e de ótimo custo-benefício.

Prosecco: espumante italiano das regiões do Vêneto e Friuli-Venezia Giulia, feito principalmente pelo método Charmat com a uva Glera. Caracteriza-se pelo frescor e perfil frutado.

Crémant: espumante francês produzido fora de Champagne, pelo método tradicional. Seus estilos variam conforme a região e as uvas utilizadas.

Trentodoc: Espumantes do Trento, Itália. Altitude, pureza e mineralidade. Excelente alternativa premium ao Champagne. Lar do famoso espumante Ferrari

Franciacorta: Região italiana que produz espumantes de altíssima qualidade pelo método tradicional, com longa permanência sobre borras.

Método Tradicional: segunda fermentação na garrafa, com maturação sobre borras. Resulta em espumantes complexos e cremosos.

Método Charmat: segunda fermentação em tanques pressurizados. Produz vinhos frescos, aromáticos e joviais.

Pét-Nat (método ancestral): espumante cuja fermentação termina dentro da garrafa. Vinhos de personalidade artesanal, borbulhas suaves e caráter autêntico.

Paula Porci é consultora, palestrante e colunista de bebidas.
Juíza de vinhos Sommelière de vinhos ABS-SP e AIS-FR e
fundadora da Confraria das Granjeiras.

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