Três cidades, um rio, uma solução

Barueri, Carapicuíba e Jandira unem forças para projeto de piscinão do Rio Cotia.

Três prefeitos e um projeto: da esquerda para a direita, Beto Piteri (Barueri), Dr. Sato (Jandira), e José Roberto (Carapicuíba)

Um problema que se repete a cada temporada de chuvas pode ganhar, em breve, uma resposta definitiva. Os prefeitos de Barueri, Carapicuíba e Jandira articulam a construção de um piscinão do Rio Cotia, solução regional para as enchentes que há décadas castigam moradores dos três municípios da região.

A iniciativa foi anunciada pelo prefeito de Barueri, Beto Piteri, que trabalha na elaboração do projeto ao lado dos prefeitos José Roberto, de Carapicuíba e Dr. Sato, de Jandira. Segundo ele, a proposta será apresentada ao Governo do Estado. “O nosso objetivo agora é resolver este problema definitivamente. Estamos montando o projeto. Vamos levar ao governador”, afirmou Piteri.

A busca por apoio estadual ocorre em um momento em que São Paulo investe em obras de macrodrenagem. Em abril, o governo entregou o reservatório TG-09, no Córrego Tapera Grande, entre Franco da Rocha e Francisco Morato, com capacidade para armazenar cerca de 340 milhões de litros de água e investimento de R$ 139 milhões.

O Rio Cotia sofreu, nas últimas décadas, com ocupação urbana nas margens, assoreamento e lançamento irregular de esgoto — fatores que reduziram a capacidade de drenagem e amplificaram os estragos em períodos de chuva intensa. Em Barueri, os bairros mais afetados incluem Jardim Belval, Jardim Silveira, Parque dos Camargos e Parque Viana. Em Carapicuíba, os transbordamentos atingem áreas de divisa. Em Jandira, córregos afluentes agravam os alagamentos.

A natureza intermunicipal da proposta é também sua principal força. Como o rio não respeita fronteiras administrativas, intervenções isoladas tendem a deslocar o problema. A solução conjunta facilita licenciamento e abre caminho para financiamento estadual.

O que é um piscinão?

Piscinão é o nome popular dado aos “reservatórios de detenção”, grandes bacias escavadas ou estruturas subterrâneas que captam o excesso de água da chuva antes que ela transborde para ruas e casas. Ou seja, a estrutura segura a enchente pelo tempo necessário para que a água escoe com segurança.

Piscinão da Vila Márcia, em Barueri. Foto: Cauber Drone/Secom Barueri

O funcionamento segue três etapas:

Captação: durante chuvas intensas, o piscinão recebe o volume excedente dos rios e galerias.

Retenção: a água fica armazenada até o pico da chuva passar.

Liberação controlada: o escoamento é feito de forma gradual, sem sobrecarregar o sistema de drenagem.

 

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