
No dia 3 de setembro, foi protocolado na Prefeitura de Cotia, um pedido de informações sobre os estudos de impacto relacionados a um empreendimento logístico de grande porte em construção na Estrada do Embu, 797. A mobilização reúne representantes de residenciais como Jardim Colibri, Vintage, Guancan, Reserva Magnólias, Algarve, Paisagem Renoir, Palm Hills, Villas da Granja III, Jardim das Flores, entre outros.
Entre os principais questionamentos estão os possíveis impactos ambientais e viários do empreendimento. A obra está localizada próxima ao Parque Cemucam, em uma região marcada pela presença de nascentes e áreas verdes. O grupo de moradores também questiona a supressão da vegetação existente no terreno e quer acesso aos estudos e às autorizações que embasaram a implantação do projeto.

Outro ponto de preocupação é a mobilidade na Estrada do Embu e nas vias do entorno. A região já enfrenta congestionamentos frequentes, e os moradores querem saber quais estudos foram realizados para avaliar o impacto do fluxo adicional de veículos, especialmente caminhões e veículos de carga, que poderá ser gerado pela operação do empreendimento.
Para os representantes dos residenciais, a discussão vai além de uma única obra e volta a colocar em pauta uma questão recorrente na Granja Viana: como conciliar novos empreendimentos, preservação ambiental, infraestrutura e capacidade viária em uma região que já enfrenta problemas de mobilidade?
Até o fechamento desta matéria, o grupo de moradores informou que ainda não havia recebido resposta da Prefeitura de Cotia ao pedido protocolado.
A Revista Circuito procurou o Grupo Monto, responsável pela execução da obra e, por meio deles, chegou aos responsáveis pelo empreendimento denominado Múltiplo 4, desenvolvido pela Multiplannas Empreendimentos Imobiliários Ltda. Uma empresa do Grupo HP. Segundo André Barcelos, diretor do Grupo HP, que atendeu a nossa reportagem com exclusividade, trata-se da construção de um galpão logístico em terreno de 54.021,75 m2, com 30.779,71 m2 de área a construir. “O empreendimento destina-se à locação para operações logísticas e ainda não temos informações sobre os futuros ocupantes”, explicou André.
Ele ainda informou que o projeto foi analisado pela Secretaria Municipal de Habitação de Cotia, nos termos da legislação municipal, estadual e federal e resultou no alvará de construção nº 106/2026. Segundo André, foi apresentado o Relatório de Impacto de Vizinhança e de Trânsito.

“O projeto foi concebido para reduzir os reflexos da operação sobre a via pública e a vizinhança”, afirma. “Entre o acesso pela Estrada do Embu e a portaria há um corredor interno de aproximadamente 100 metros, com vagas de espera para carretas, justamente para evitar a formação de filas na via”, explicou ao detalhar, com exclusividade, algumas providências à nossa reportagem.
Segundo André, o empreendimento dispõe de 41 vagas para carretas destinadas às operações de carga e descarga e à acomodação interna dos veículos. As docas foram posicionadas no centro do terreno, entre os dois blocos do galpão e voltadas para o pátio interno, afastadas das divisas com as residências vizinhas.

“Compreendemos a preocupação dos moradores com o trânsito na Estrada do Embu e foi justamente este aspecto que o estudo submeteu à avaliação técnica da Prefeitura”, esclareceu André.
“A análise concluiu que o acréscimo de fluxo gerado pelo empreendimento não é relevante em relação ao tráfego atual, razão pela qual não serão necessárias adequações no sistema viário do entorno”, acrescentou. O empreendedor ainda explicou que operações logísticas costumam concentrar parte relevante da movimentação de cargas fora dos horários de maior fluxo.
A Prefeitura de Cotia também foi procurada pela nossa reportagem para esclarecer o processo de aprovação e licenciamento da obra e confirmou que o empreendimento em questão possui Alvará de Construção expedido no primeiro semestre de 2026. “Quanto às questões ambientais, o Alvará está consignado ao comprometimento do empreendedor em manter as áreas permeáveis exatamente conforme o projeto aprovado, sob pena das sanções administrativas cabíveis”, informou por meio de sua assessoria de comunicação. “Ressaltamos ainda que à época da aprovação do Alvará, a Secretaria do Verde, Meio Ambiente e Agropecuária emitiu autorização para supressão de 22 árvores exóticas e isoladas, fora de área de preservação e, como medida de compensação, o empreendedor doou 180 mudas nativas da Mata Atlântica ao Viveiro Municipal Curupira”, acrescenta a nota à Redação.
Novos empregos e recursos para a região
Estimativas do Grupo HP dão conta que um empreendimento deste porte, na plena ocupação do galpão, deverá promover de 300 a 400 empregos para mão de obra local, além dos empregos indiretos gerados no comércio e nos serviços do entorno e da arrecadação de tributo para a Prefeitura de Cotia.
Por Mônica Krausz















