Cotia, ou do guarani, ponto de encontro

A equipe desbravadora da REVISTA CIRCUITO garimpou curiosidades do passado da cidade de Cotia e as comparou com o cotidiano atual

No dia 2 de abril, a cidade de Cotia completou 161 anos. Uma senhora economicamente robusta, com evidência regional, grande potencial de crescimento, seja ele demográfico ou econômico, porém, com uma pergunta: Como será esse crescimento?

Em qualquer cultura do mundo é impossível ter um crescimento saudável sem conhecer o seu passado, principalmente para reconhecer os erros e traçar novos caminhos.

Poderíamos cair no lugar-comum e recontar a história de Cotia. Sabemos que é necessário entender que Koty, do guarani m´byano Koty, ou do português ponto de encontro, era um ponto de passagem próximo do aldeamento de Aku’ti, no Caiapiá, que mais tarde passou a se chamar Acutia. Foi um núcleo de ligação entre as ramificações do Piabiyu, ou Caminho do Peru, em português.

É importante ter ciência de que a velha trilha de ligação continental, de tão procurada pelos portugueses e castelhanos, em meados do século 16, veio a ser interditada pela Capitania de São Vicente, em nome da Coroa Portuguesa, uma vez que ali se julgava um mundo livre das leis coloniais.

Mas qual o papel da aldeia guarani Koty nesse jogo?

De acordo com o historiador e escritor João Barcellos, a aldeia era um ponto estratégico, a dois passos da aldeia Carapocuyba, que também era um portinho de ligação ao Rio Anhemby. E tudo podia ser, então, vigiado a partir do Pico do Jaraguá.

“Por isso, a Koty era um ponto vital de ligação entre os povos diversos que atravessavam o Piabiyu em direção ao planalto de Piratininga, os que faziam o caminho inverso na direção dos campos cortados (sorocas), no lado sul, e Guairá, ou na ligação das gentes d´Yibiraçoiaba para Araratiguaba (hoje, Porto Feliz), o mais importante portinho do Anhemby”, afirma João.


Uma das curiosidades do passado sobre a cidade de Cotia mostra que, diferentemente do que aponta o senso lógico, o município não foi acessado, pela primeira vez, por portugueses que saíram da cidade de São Paulo, mas sim por bandeirantes que saíram do litoral e chegaram ao bairro de Caucaia do Alto. Primeiro foram às bandas de Vargem Grande Paulista e depois passaram a desbravar a região central de Koty.


Outra curiosidade é que, de acordo com João Barcellos, desde a época da chegada do desbravador, minerador, capitalista, político e militar Affonso Sardinha, o Velho, por aqui, os viajantes já trilhavam por um Rodoanel informal, o anel do Piabiyu nos séculos 16 e 17.

Histórias mais recentes

Para tornarmos esta matéria mais interessante, a equipe desbravadora da Revista Circuito garimpou diversas mídias do século passado (não tão antigas, pois parte de nossa equipe também é do século 20), para mostrar algumas curiosidades e compararmos com os dias atuais.

Funcionários verdes

O Jornal da Cidade, que datava do ano de 1980, apontava que moradores do Jardim Nova Coimbra sofriam muito com o esgoto a céu aberto que era liberado diretamente nas ruas.

“O saneamento básico e esgoto inexistente são espalhados a céu aberto. A conservação da rua é lastimável. Água, como dizem, só quando chove”, apontava a reportagem.

Outra preocupação da população era com a qualidade do ar no bairro, onde uma fábrica de produtos químicos lançava poluentes chaminé acima.

“Às 17h30, nossa (equipe de) reportagem constatou o estado dos funcionários – todos têm coloração esverdeada, tanto na pele quanto nas roupas”, afirmou a matéria.

E hoje?

Procuramos saber com a Secretaria de Meio Ambiente de Cotia como estão esses tipos de problema. Segundo o órgão, o imóvel não pode ter fossa. “É obrigatório que o imóvel esteja ligado à rede coletora (Lei Municipal nº 1793/2013 – art. 1º). Caso não esteja, o proprietário do imóvel será notificado para resolver em 60 dias. Passado o prazo e com a situação não regularizada, é gerado o Auto de Infração e Aplicação de Multa no valor de R$ 500,00. Após 30 dias, se o problema não for resolvido, a multa é gerada no valor dobrado, e assim é feito a cada 30 dias até resolver a questão.”

Se o local não possuir rede coletora de esgoto da Sabesp, o imóvel pode ter fossa séptica, mas todo o esgoto e as águas servidas (pia, tanque, chuveiro, máquina de lavar) têm de ser jogados na fossa. Tendo ou não rede de esgoto, o imóvel não pode descartar águas servidas (pia, tanque, chuveiro, máquina de lavar) na via pública ou em APP, conforme Lei Municipal nº 1151/2001 – Art. 2º inciso IV e Art. 3º. Quando isso acontece, o proprietário é notificado para resolver o problema em 20 dias. Após esse prazo, se a situação não for regularizada, é gerado o Auto de Infração e Aplicação de Multa no valor de R$ 500,00. Após 30 dias, se o problema não for resolvido, a multa é gerada no valor dobrado, e assim é feito a cada 30 dias até resolver a questão. Houve, só no mês de janeiro, 112 notificações desse tipo. Normalmente, os mais autuados são as residências.

De acordo com a Sabesp, em Cotia o índice de cobertura de água é de 99%, cobertura de esgoto é de 65% e de tratamento, 43%. Já foram executadas mais de 7,9 mil ligações de esgoto e construídos 145,7 km de redes coletoras de esgoto nas duas primeiras fases do Projeto Tietê. Na terceira e atual etapa, já foram implantados mais 25 km de coletores-tronco, linhas de recalque e redes coletoras de esgotos. Ainda nessa etapa, com previsão de término para 2020, serão contratados cerca de 5 km de tubulações, ampliando, assim, o sistema de esgotamento sanitário da região.

Em relação à poluição do ar, a Cetesb declarou que a qualidade do ar na cidade de Cotia é boa, por isso ainda não houve necessidade de instalar uma estação de monitoramento no município. “Mas caso a população desconfie de alguma fumaça suspeita saindo das fábricas, pode denunciar pelo telefone 0800.113.560.

Pichar nunca foi considerado arte

Em abril de 1982, as pichações já não eram vistas com bons olhos pela população e pelos membros do Legislativo da cidade.

Uma matéria intitulada “Vereador pede fim das pichações nos muros da cidade” apontava que a propaganda política era feita no picho, e o nome dos candidatos eram escritos em paredes, postes e até latas de lixo.

“Com as eleições de novembro próximas, a situação piorou, pois, além de muros, também paredes de estabelecimentos, árvores, postes e até latas de lixo públicas são pintados pelos Picassos da madrugada”, afirmava a matéria.

E hoje?

Além de ser clara a proibição desse tipo de propaganda política nos dias atuais, a Secretaria de Segurança Pública, por meio da Guarda Civil Municipal, realiza o trabalho de fiscalização e inibição dos pichadores por meio de rondas – principalmente de madrugada, horário de maior atuação dos vândalos – e encaminhamento dos infratores até a Delegacia, caso sejam pegos em flagrante ou apontados por denunciantes.

A Secretaria realiza um levantamento das pichações nos prédios públicos, no entanto, adianta em primeira mão, que em breve vai inaugurar a primeira Viela Cultural na cidade, que será toda desenhada por grafiteiros da região. A ideia é que cada bairro conte com a sua Viela Cultural, com biblioteca comunitária ao ar livre, arte e eventos esporádicos de incentivo à leitura e ações educativas.

Veraneio da saúde

Em 1982, o Hospital Doutor Odair Pedroso, que na época era administrado pela Secretaria da Saúde de Cotia, recebia uma ambulância doada pela Secretaria de Higiene e Saúde da cidade de São Paulo.

O veículo anterior, que por sete anos “transportava alguns poucos pacientes para São Paulo, buscando sangue ou medicamentos”, foi substituído por um Chevrolet Veraneio (nota da redação: carrão!).

A matéria ainda aponta que um veículo, para ser utilizado pelo hospital, havia sido solicitado ao Governo do Estado de São Paulo. “Por motivos que nos fogem à compreensão, não conseguimos receber a ambulância que haviam nos prometido”, declarou à equipe de reportagem do Jornal da Cidade.

E hoje?

Atualmente, o Hospital Doutor Odair Pedroso é administrado pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo e ainda tem uma ambulância disponível para transferências de pacientes e outras necessidades médicas.

“O hospital recebe ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e outras unidades de emergência da região, mas para a transferência de paciente conta com um veículo. De acordo com a demanda de pacientes, outros veículos são contratados pelo Estado”, declarou o órgão estadual.

Ainda de acordo com o Departamento de Comunicação da Secretaria de Saúde, não é possível fazer um comparativo entre a demanda de 1982 e a de hoje, pois não possuem os dados da época.


O Hospital Doutor Odair Pedroso realiza cerca de 11,5 mil atendimentos, mil internações e 560 cirurgias mensais, e conta com 958 colaboradores, entre médicos, enfermeiros e equipe de atendimento.


Morto muito louco

“Era só o que faltava nessa Cotia”, disse um transeunte abismado com o que acabara de ver. No ano de 1982, um caixão já apodrecido, exalando mau cheiro, foi colocado sobre tambores em plena luz do dia na Avenida Nossa Senhora de Fátima, próxima da região central da cidade.

“Faltou bom senso e respeito humano por parte do responsável pela higiene do cemitério”, declarou o redator do jornal indignado.

E hoje?

O cotidiano de Cotia, felizmente, não tem apresentado desagradáveis surpresas, como a relatada anteriormente, mas rodando pelas ruas da cidade com um olhar mais atento é possível encontrar um pula-pula no meio da rua, neve caipira formada por flocos de algodão, a natureza reivindicando o seu lugar sobre os fios da Granja Viana, locais para comprar esterco (isto a menos de 30 minutos da capital paulista), uma porta na rua ou uma dízima periódica na estrada, uma monja em um centro de compras, um caminhão pegando fogo, obras de arte em árvores ou, simplesmente, um dente-de-leão por aí.

Mundão de gente

No ano de 1981, o então secretário dos Negócios Metropolitanos, Silvio Fernandes Lopes, comemorava o recorde de 1 milhão de passageiros transportados diariamente pelo Metrô.

“Com este novo recorde, fica reafirmada a importância do Metrô no sistema de Transportes de Massa da Região Metropolitana de São Paulo”, afirmou Silvio.


De acordo com o Departamento de Comunicação, o Metrô de São Paulo foi o primeiro do país, e iniciou a sua operação comercial em 14 de setembro de 1974, operando o trecho inicial de 7 quilômetros, entre as estações Jabaquara e Vila Mariana. A média de passageiros transportados era de 2,9 mil pessoas por dia. O horário de funcionamento era de segunda a sexta-feira, das 9 às 13 horas.


E hoje?

A importância deste meio de transporte para a região metropolitana é incontestável, e isto pode ser credibilizado por seus números. A Média dos Dias Úteis (MDU) é de 4,4 milhões de passageiros.

Infelizmente, este meio de transporte tão desejado ainda não chegou à cidade de Cotia, mas a estação mais próxima, localizada no bairro do Butantã, em São Paulo, foi acessada por 1.407.912 passageiros em janeiro de 2017.

Para o alto e avante!

De acordo com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a cidade de Cotia tinha, nos anos de 1980, cerca de 62 mil habitantes, densidade demográfica que tranquilamente abrigava a população em sua construção de prédios que não ultrapassavam o limite de dois andares.

Ainda assim já havia empresários ávidos para verticalizar moradias e construir as primeiras torres residenciais.

Esse plano foi frustrado por moradores da Granja Viana que, em 1982, compareceram em massa à sessão da Câmara Municipal para acompanhar a aprovação do Projeto de Lei nº 25/82, que proibia a instalação de edifícios de apartamentos e indústrias em loteamentos de Cotia.

De acordo com um artigo do Jornal Cidade de Cotia, granjeiros começaram a se mobilizar para a aprovação do projeto quando alguns moradores tomaram conhecimento de folhetos que propagavam a comercialização de “apartamentos a ser construídos em certas áreas da Granja Viana”.

Na época, a verticalização foi proibida e as construções, canceladas.

E hoje?

Cotia possui, hoje, mais de 233 mil habitantes, ou seja, crescimento populacional superior a 300% em relação ao início dos anos 1980. Imagina como está a pressão de empresários da construção civil para erguer torres pela cidade.

A cidade possui construções que superam os dois andares permitidos no passado e, segundo a última atualização do Plano Diretor de Cotia, a verticalização está prevista nas regiões do Centro, Jardim Nova Vida, Vila São Fernando, Rio das Pedras, Nakamura e Granja Viana.

Em tese, a verticalização comercial da cidade já existe, e prédios agora podem ficar mais altos (veja a tabela). A dúvida é: será que um dia o plano de diretrizes para ocupação do solo será mudado para a construção de grandes edifícios? E quando isso vai acontecer, quando teremos o Empire State Building cotiano?

Box:

A Lei Complementar nº 194, de 11/12/2013, que altera o Anexo V da Lei Complementar nº 95, de 24/06/2008 (que instituiu o Plano de Zoneamento e Normas para Uso, Parcelamento e Ocupação de Solo), definiu o seguinte:

Verticalização*
Zona de uso misto 16 metros
Zona predominantemente residencial 12 metros
Zona de indústria, comércio e serviços 16 metros
Zona de contenção da expansão urbana 9 metros
Zona de interesse social 15 metros
Núcleo central 12 metros
Zona estritamente residencial 9 metros
Observação: a contagem é feita da soleira do pavimento térreo até a laje de forro do último pavimento.

 

Roubando as horas

Em 1982, os munícipes se preocupavam com a segurança nas ruas, casas e, até mesmo, igrejas.

Nessa época, foram roubados, da Igreja da Matriz de Cotia, 30 mil cruzeiros e, acredite se quiser, um relógio de parede; além dos trombadinhas, que assustavam comerciantes e pessoas que circulavam pelo centro da cidade.

Na década de 1980, o policiamento era precário, não havia rondas de viaturas e, muito menos, postos policiais.

E hoje?

As formas de cometer delitos se modernizaram. Antes, era um simples “conto do vigário” para o “dinheiro da pinga”. Hoje, passageiros são roubados em pontos de ônibus, clientes são assaltados ou sequestrados nas “saidinhas” de bancos, grandes organizações criminosas se aliam para realizar assaltos aos caixas eletrônicos e agências bancárias e bandidos espreitam transportadoras para roubar cargas.

Só no ano de 2016, foram realizados, em Cotia, 1.587 furtos (como aconteceu em 1982, na Igreja da Matriz de Cotia), 1.344 roubos, 603 roubos e furtos de veículos, 25 estupros, 15 tentativas de homicídio e nove homicídios dolosos.

Foto: Arquivo Pessoal/João Barcellos

Olha a feira!

As feiras livres de Cotia eram um grande problema para os moradores da região. A ocupação do comércio de rua prejudicava a circulação de motoristas e turistas que passavam pelo local.

Os acessos para o cemitério e hospital de Cotia também eram afetados. E todo domingo, a história se repetia. Para chegar ao destino desejado, era preciso partir para o caminho mais longo, para evitar o trânsito e a aglomeração de feirantes.

E hoje?

Hoje em dia, as feiras livres têm seus locais fixos e são esperadas com muita ansiedade pelos moradores e visitantes da região. Terça (na Rua Jorge Caixe, em frente à Igreja Portão) a domingo (na Praça dos Romeiros, em Caucaia do Alto) são dias sagrados em que os cotianos saem de casa para comprar os produtos frescos que os feirantes se encarregam de trazer.

Quarta-feira é dia de feira noturna (Avenida Manoel José Pedroso, em frente à Prefeitura), onde é comum vermos grupos de amigos se reunindo para colocar o papo em dia e aproveitando para comer o indispensável pastel com caldo de cana. Com música ao vivo, o comércio, no centro de Cotia, recebe mais de 4 mil pessoas. Já na Praça dos Romeiros, em Caucaia, às sextas-feiras, a feira noturna reúne cerca de 1,5 mil visitantes.

Foto: William Melo/Revista Circuito

Iluminados

Desde os primórdios até hoje em dia, o leitor faz o que seus pais já faziam: contar com a imprensa para auxiliá-los na resolução de problemas, como o péssimo serviço oferecido pela companhia fornecedora de energia da cidade.

O problema é que até a companhia, nos anos de 1980, já tinha seus problemas internos, como ter de arrumar a empresa.

No fim da década de 1970, o contrato de concessão da Light – Serviços de Eletricidade S.A. com o Governo Federal, assinado no início do século e com validade de setenta anos seria encerrado, com a entrega dos ativos investidos pela empresa ao governo brasileiro. Contudo, o então ministro das Minas e Energia, Shigeaki Ueki, por intermédio da Eletrobras, adquiriu o controle acionário da Light e a estatizou.

Para resumir a história – que já ficou grande –, em 1981 o governo do estado de São Paulo adquiriu a parte paulista da Light e criou a sua própria empresa de energia, com o nome de Eletropaulo, que prestava serviço para a cidade de Cotia. E, voltando ao início desse tópico, péssimo serviço.

Em uma seção chamada Na Boca do Povo, do Jornal da Cidade, o leitor S.M.C, do bairro do Atalaia, já reclamava: “O fornecimento de luz é por demais precário, pois a voltagem constantemente cai e os aparelhos eletrodomésticos se estragam muito rápido. Televisão, geladeira e ferro elétrico cansam de estragar.

E hoje?

Hoje quem fornece energia elétrica à Cotia é a AES Eletropaulo, empresa fruto da privatização da Eletropaulo.

Mas acho que nesse quesito do texto, a pergunta “e hoje?” nem deveria ser utilizada. Por exemplo, em janeiro de 2015, moradores de uma rua da Granja Viana ficaram 43 horas sem energia elétrica. Ruim para residências e pior para o comércio, que perde produtos perecíveis e fica no prejuízo.

Atualmente, tem problemas constantes, mas pode melhorar. De acordo com o Departamento de Comunicação da AES Eletropaulo, a empresa está expandindo a rede regional com a construção de uma subestação que ficará localizada na Estrada da Fazendinha, e a instalação de linhas de subtransmissão e distribuição.

“O objetivo é aprimorar o atendimento para mais de 150 mil clientes. Segundo a empresa, as obras serão concluídas ainda neste ano.”

Procuram-se salas de aula

“Não há vagas nas escolas de Cotia para nossas crianças e jovens.” Esta era a frase do vereador Walter Jarbas Pedroso, impressa em uma das páginas do Jornal da Cidade, em março de 1982.

O representante do Legislativo havia sido procurado por alunos de sexta e oitava séries, e também por pais da primeira série, queixando-se da falta de vagas nas escolas do centro de Cotia, principalmente no período noturno, horário em que a maioria dos jovens entre 15 e 18 anos estuda.

Uma escola municipal do bairro Atalaia funcionava com cinco períodos, que duravam duas horas e vinte minutos, quando deveria ser quatro horas. A Prefeitura de Cotia tentou solucionar o transtorno construindo, provisoriamente, salas de aula de madeira na quadra poliesportiva da instituição de ensino.

E hoje?

Hoje o déficit educacional, de acordo com o Departamento de Comunicação de Cotia, é de cerca de 300 vagas para a fase Jardim l, 1.143 para o Berçário, 1.070 para o Maternal I e 654 para o Maternal II. Ainda de acordo com a Secretaria de Educação, para o Ensino Fundamental e Médio não faltam vagas.

Atualmente, as escolas municipais têm 8.720 crianças matriculadas no maternal I e maternal II, 16.754 alunos no Ensino Fundamental, 2.409 alunos no Ensino Fundamental – Ciclo II e 384 estudantes na Educação Especial. O município ainda oferece educação suplementar a 274 alunos.

Por aqui ainda tem uma escola administrada pelo Serviço Social da Indústria (Sesi) que oferece o Ensino Fundamental e Médio e a Faculdade Estadual de Tecnologia de Cotia (Fatec), com os cursos de Gestão Empresarial e Gestão da Produção Industrial.

Há, também, o Senai, que oferecerá ensino profissionalizante nas áreas de metalmecânica, eletroeletrônica, informática, construção civil, qualidade, alimentos, fármacos e biofármacos, porém, por causa de um embargo ambiental, só deve iniciar suas atividades no segundo semestre de 2017.

Foto: William Melo/Revista Circuito

A principal rodovia da cidade

“Trânsito: a nova doença de Cotia”, este era o título, em letras enormes, que estampava a página de sexta-feira, 14 de maio de 1982. A constatação referia-se ao trânsito localizado na Praça Joaquim Nunes, que recebia 95% dos veículos que seguiam em direção à região central da cidade.

Mas a pauta mais comum, mesmo, era a nossa velha Rodovia Raposo Tavares, que, após a duplicação, do km 24,5 ao km 32, em 1980, rendeu constantes reivindicações para a construção de passarelas.

Para os jogadores de videogames, a travessia da rodovia se comparava ao jogo Freeway, do console Atari, em que uma ave galinácea tinha de atravessar uma estrada muito movimentada. E isso causava inveja aos motoristas da vida real, pois no jogo a via tinha 10 faixas de rodagem – que sonho!

A obra custou cerca de 150 milhões de cruzeiros para a duplicação de 7,5 km de rodovia, e não colocaram na conta nenhuma única passarela.

A ideia de atravessar a via era motivo de pânico, pois os automóveis não paravam para os pedestres, e o número de casos de acidente, principalmente atropelamentos, aumentou.

E hoje?

A Rodovia Raposo Tavares foi o primeiro acesso da capital ao oeste paulista, e hoje corta as cidades de Cotia e Vargem Grande Paulista, além seus 654 km passarem por 30 municípios até chegar a Presidente Venceslau (SP), na divisa com Mato Grosso do Sul.

A rodovia possui cerca de 28 passarelas – mas poderia ser 29, se o supermercado Walmart, localizado no km 23,5, tivesse concebido a obra que acordou com o município, como forma de compensação à cidade.

E já que estamos no km 23, o retorno localizado nesse ponto é um dos maiores gargalos da rodovia, e quase diariamente é responsável por quilômetros de lentidão e dias de fúria por parte dos motoristas.

Segundo o Departamento de Estradas de Rodagem (DER), atualmente estão em execução as obras de recapeamento da pista, das alças dos viadutos e das vias marginais para melhor fluidez do tráfego. Ao todo, foi investido 84 milhões de reais para a melhoria da rodovia.

A ação paliativa não aliviou a vida dos motoristas, e desde fórum com especialistas em engenharia de trânsito a fórum parlamentar já foram criados para encontrar uma solução para a rodovia, a ponto de uma empresa de administração de vias propor pedagiar a Raposo Tavares para realizar melhorias, assim como acontece a partir do km 46.

E aí, será que criar pedágios na área urbana resolveria o assunto ou apenas criaria uma lombada no bolso do usuário da via?


Curiosidades de Cotia

Mamma Mia!

As primeiras redondas saíram da Pizzaria do Dante, na Rua 10 de janeiro, no Centro de Cotia.

Apito Inicial

O time de futebol pioneiro em Cotia foi a Associação Atlética Cotia, fundado em 15/12/1980.

O primeiro semáforo

Foi instalado próximo do Colégio Zacharias Antônio da Silva (onde, atualmente, é a Escola Estadual Pedro Casemiro Leite) e servia para auxiliar os alunos da escola a atravessar a Raposo, que não tinha tanto movimento como hoje, mas já era perigosa.

Alta-costura

A Avenida Denne, no Parque São George, é uma homenagem ao estilista Dener Pamplona de Abreu, paraense radicado em São Paulo na década de 1980 e precursor da alta-costura no Brasil. Foi Dener o primeiro costureiro a vestir uma primeira-dama, Maria Teresa Goulart, de quem se tornou amigo íntimo, e o primeiro estilista a sofrer um atentado político – uma rajada de metralhadora contra seu Lincoln presidencial preto, em julho de 1968.

Luz, câmera… Ação!

Em 1972, a série Dom Camilo e Seus Cabeludos, que tinha no elenco Otello Zeloni como personagem principal e grandes nomes, como Ney Latorraca e Nuno Leal Maia, teve cenas gravadas na Igreja da Matriz e nas ruas centrais de Cotia, todas as terças-feiras. Os Cabeludos eram liderados por Denis Carvalho, ainda em começo de carreira.

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