A glândula tiróide, localizada na parte anterior do pescoço, produz dois hormônios, a tiroxina (T4) e a triiodotironina (T3), ambos são reguladores do metabolismo. A produção hormonal da tiroide é orquestrada por outro hormônio, chamado TSH (hormônio tireo-estimulante), secretado por uma glândula do cérebro, a pituitária (hipófise).
A tiróide pode sofrer alterações e produzir hormônios em excesso (HIPERtiroidismo) ou inadequadamente (HIPOtiroidismo). O Hipotiroidismo é a doença tiroidiana mais comum. São sintomas de hipotiroidismo: cansaço, depressão, deficiência de concentração, intolerância ao frio, aumento de peso (2-5 kg), queda de cabelo, ressecamento de pele, constipação intestinal e irregularidade menstrual. Estes sintomas não são exclusivos do hipotiroidismo e a maioria das pessoas com hipotiroidismo têm poucos sintomas. Assim, a confirmação laboratorial do diagnóstico é fundamental.
A causa mais comum de hipotiroidismo é a doença de Hashimoto (tiroidite de Hashimoto), que é uma inflamação crônica produzida por agressão do sistema imunológico contra a tireoide. Com a inflamação, a tiróide é destruída gradativamente e torna-se, com o tempo, incapaz de produzir hormônios de forma adequada, levando ao hipotiroidismo. A doença de Hashimoto afeta mais mulheres, pessoas com antecedentes da doença na família e pessoas mais idosas.
O hipotiroidismo, se não tratado, pode ocasionar o aumento da tiróide, conhecido com bócio, além de depressão, dificuldades de memória, aumento do coração e insuficiência cardíaca Em casos graves sem tratamento pode evoluir para o coma. É imprescindível que as mulheres grávidas com hipotiroidismo tratem a doença adequadamente, pois o feto em formação depende inicialmente deste hormônio proveniente da mãe, sendo que, na inadequada reposição, o feto pode ter alterações no desenvolvimento neurológico e maior risco de prematuridade.
A suspeita clínica de hipotiroidismo é confirmada pelo médico através de alguns exames laboratoriais, sendo o mais importante a dosagem do TSH (hormônio estimulador da tiróide). Um nível elevado de TSH indica que a glândula tiróide não está produzindo um nível adequado de T4 e T3. A dosagem de T4 na sua fração livre (não ligada às proteínas do sangue) também é de grande valia e pode estar abaixo do normal ou no limite inferior da normalidade. Para determinar se o hipotiroidismo é de causa auto-imune, o médico pode solicitar o anticorpo anti-tireoperoxidade, marcador de autoimunidade contra a tiróide.
Após a confirmação do diagnóstico o tratamento consiste na reposição hormonal com a levotiroxina sintética, idêntica à levotiroxina (T4) produzida naturalmente, através de um comprimido diário. Assim, restaura-se o nível de hormônio ao normal. A dose fornecida é adequada a cada paciente através da dosagem periódica do TSH. Com a reposição, os sintomas e conseqüências metabólicas da falta do hormônio tiroidiano são anulados.
Por Por Carolina Soares Viana de Oliveira, médica graduada, mestra e doutora pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
















