Toca vazia

Após mais de duas décadas de funcionamento, a Associação Toca das Horttênsias encerra suas atividades

Depois de 24 anos de funcionamento, a Associação Toca das Horttênsias, localizada na Rua Patriarca, 300, no bairro do Gramado, em Cotia, infelizmente fechou as portas. A Toca das Horttênsias foi um núcleo de atendimento destinado a acolher, prioritariamente, idosos portadores de Alzheimer e doenças similares.

“Tivemos de parar nossas atividades de forma sadia, com a oportunidade de transferir, de forma responsável, nossos internos e dispensar, de maneira justa, os nossos funcionários”, declara a fundadora da casa, Lilian Alicke, que iniciou a associação em 1993, após extensiva observação sobre o tratamento inadequado de idosos demenciados em casas de repouso, asilos, abrigos e casas geriátricas.

Entre as dificuldades apontadas por Lilian para manter a Toca das Horttências, o trânsito da Rodovia Raposo Tavares, as más condições da Rua Patriarca e a falta de verba pesaram na decisão de encerramento das atividades. “Quando os familiares venciam o trânsito da Raposo e os buracos da Rua Patriarca, muitas vezes não tinham como arcar com os custos. Até começamos a aceitar novos moradores por até 70% do valor cobrado e custear o restante com eventos e festas, mas, infelizmente, não foi possível manter a Toca dessa forma”.

De acordo com Lilian, a associação ficará em recesso por tempo indefinido e depois atuará como prestadora de serviços. “Mas são apenas planos, sem definição alguma”, declara.

Foto: Edna Mitiko Sasaki

Sobre a Associação Toca das Horttênsias e Lilian

Em seus 24 anos de atividades, a Associação Toca das Horttênsias recebeu cerca de 85 idosos, e entre eles muitos permaneceram na instituição por até 18 anos de sua vida.

Lilian, hoje com 83 anos, iniciou sua missão na Toca das Horttênsias após aposentar, depois de 24 anos na função de assistente do diretor administrativo da Escola Graduada, localizada no bairro do Morumbi.

Procurou auxílio de profissionais da Universidade de São Paulo (USP) para fundar a associação. Começou como Centro Dia, que recebia durante o período diurno idosos portadores de Alzheimer e doenças similares, e depois passou a operar também como Centro Noite.

Então as famílias requisitaram que a Associação Toca das Horttênsias também acolhesse seus idosos durante os fins de semana, opção aceita por Lilian, que após três anos de início das atividades passou a trabalhar em regime de internato.

No ano de 1999, por sugestão do setor de Terapia Ocupacional da USP, Lilian Alicke escreveu o livro Doença de Alzheimer Vivências e Cuidados, contando suas experiências nos cuidados de pessoas com a Doença de Alzheimer e seu percurso até o início de seu trabalho com idosos portadores de demência.

Também traduziu um livro sobre cuidados com portadores da Doença de Alzheimer de autoria da Diretoria do Programa de Apoio Familiar do Centro Médico da Universidade de Duke, North Carolina, USA

Questionada sobre a maior lição que aprendeu durante os 24 anos da Associação Toca das Horttênsias, Lilian declara que o maior aprendizado foi que “quanto mais você dá ao outro, mais você enriquece e cresce”.

 

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